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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

[A vida, o universo e tudo mais] Reuniões familiares? Não, obrigada!


Um brinde... ao fim das reuniões em família
Final do ano batendo à porta e chega aquele momento de reencontrar parentes e "afiliados" da família nas típicas reuniões de fim de ano. Posso dizer uma coisa para vocês sem ser julgada? Ainda bem que eu não preciso mais passar pelos constrangimentos das reuniões familiares.


Minha família é composta por minha mãe, irmãs e sobrinho. Só. Tenho pouco ou nenhum contato com tios, primos e intrusos associados. Considero meus amigos mais família do que meus parentes.

Mas por que tanto rancor nesse seu coraçãozinho, Andrizy?

Bem, porque enfrentei o constrangimento das reuniões familiares em aniversários e festas de fim de ano durante a fase mais difícil da vida: a infância.

Sim, a infância é a fase mais difícil das nossas vidas. Primeiro porque você não tem o direito de opinar sobre qual roupa você quer usar nas festas. Dessa forma, sua mãe te enche de roupas com rendas e babados. E quando você tem uma irmã dois anos mais velha, mas extremamente parecida com você, é pior ainda. Afinal, sua mãe, não disfarçando o desejo veemente de que suas filhotas fossem gêmeas, decide vesti-las IGUAIS, de forma que fiquem IDÊNTICAS. O que gera perguntinhas impertinentes dos intrusos que acabaram de se associar à sua família (portanto, não conhecem o clã em sua totalidade) - "Vocês são gêmeas? Tão parecidas" [insira aqui uma voz irritante e já levemente afetada pela ação do álcool no organismo], logo em seguida vem o comentário "são gêmeas e ainda tem o mesmo nome, que esquisito!". É até porque Adryz e Andrizy são o mesmo nome. Até a grafia é igual.

Você também possui o direito de ficar calado, sem se intrometer nas conversas dos adultos. Ah, como é bacana fazer exercício de silêncio. Também é o último a começar a comer, afinal todos os seus tios e primos folgados precisam se servir primeiro, seguindo as regras da boa educação. Aí sim seus pais fazem um prato para você, geralmente lotado de coisas desinteressantes que você não gosta, como verduras e legumes.

Além de tudo é obrigado a ouvir as piadas saturadas, manjadas, batidas e clichês dos mais velhos. Todos riem. Menos você, porque elas não tem graça. E quando são maliciosas, você simplesmente não entende, então olha para todos à mesa com a maior cara de paisagem, se perguntando por que todos estão rindo feito imbecis.

Correr e brincar não é permitido. Isso porque você pode acabar trombando com as "simpáticas visitas" e provocando acidentes que destruirão o clima festivo. A culpa será toda sua, até porque você ainda não tem idade, capacidade de argumentação e nem mesmo a malícia dos espertos adultos. As armas infalíveis que eles usam como meio de defesa. E de ataque também.

Um bom jeito de se livrar daquela tia chata
Correr e brincar com os priminhos está fora de cogitação. Priminhos são aqueles amiguinhos obrigatórios, que nos são impostos pelos pais e tios em prol das futuras gerações e de uma boa convivência em família. Eles são chatos, umas desgraças, choram muito, gritam, berram, são mimados, mal-educados e querem se apossar dos seus brinquedos. Infelizmente, eu fui uma criança educada. Digo, infelizmente porque não pude me vingar dos meus primos gritando mais alto do que eles, ou escondendo meus brinquedos para eles não pegarem (maldita lição do "compartilhar"), ou mentindo que eles é que me empurraram primeiro quando foi o contrário (como eles faziam comigo e meus pais e tios sempre acreditavam...).

Minha mãe sempre acreditou mais nos outros do que em mim. Mesmo em estranhos. Eles podiam mentir que eu joguei uma bomba no World Trade Center que ela acreditaria. E anos depois, certamente ela me culparia pelos ataques de 11 de setembro: "Viu, Andrizy? Olhe as consequências catastróficas da bomba que você jogou em 1992". "Mas mãe, aquilo era mentira do primo". "Por que raios ele iria mentir?". Nem me atrevo a dizer que foi porque eles queriam destruir os meus carrinhos e bonecas e jogar refrigerante no escorregador bem na hora em que eu ia escorregar, porque pra ela seriam argumentos inconsistentes.

Eu costumava tramar planos diabólicos para meus primos. Especialmente quando eles comiam todos os bombons da minha caixa de chocolates que eu tinha ganhado de PRESENTE DE ANIVERSÁRIO da minha madrinha linda e querida.

Infelizes.

Quando os anos foram passando, me vinguei. De um por um. Dentre as coisas maravilhosas que fiz: Bati neles com um cinto do meu pai; joguei alho cru em seus copos com refrigerante; inventei histórias tenebrosas sobre os monstros e seres sobrenaturais que habitavam o meu quintal. Sempre fui talentosa para criar histórias. Eles realmente ficavam com medo e passavam longe do quintal.

A infância é realmente cruel. Engana-se quem diz que é a fase mais fácil e alegre e linda da vida. Sua inocência e ingenuidade não lhe permite enxergar além das coisas que estão diante de seus olhos. E você não tem liberdade de escolha e nem direito a possuir uma personalidade.Você deve agir conforme mandam seus pais. Seguindo sempre as regras.

Muitos assuntos interessantes nas reuniões em família... *boceja*

Mas a adolescência é quase tão horrível quanto. Especialmente por motivos de reuniões familiares. Só não é tão horrível assim porque você já está na idade de se rebelar contra o sistema, isto é, contra as reuniões familiares. Também já pode vestir o que bem entender e ir para o seu quarto de modo a evitar situações desagradáveis. É claro que seus pais vão brigar com você depois, te chamar de caipira e rebelde sem causa, mas isso é o de menos. E, de qualquer forma, antes de ir para o seu quarto, tem de suportar as perguntinhas idiotas e indiscretas: "e os namoradinhos?"; "já é mocinha há quanto tempo?". Eu sempre quis responder com um "não é da sua conta", mas para evitar broncas de pai ou mãe, eu respondia "não falo sobre minha vida pessoal", ou lançava aquele olhar maligno com um meio sorriso repleto de sarcasmo que meus amigos tanto admiram. Melhor ainda é quando relembram situações e histórias do passado (leia-se constrangimentos do passado): "lembra que você tinha medo do tio quando era pequena e se escondia no armário?". Vontade louca de dizer: "não, mas eu lembro quando o senhor bebeu demais na festa de debutante da minha irmã e caiu no banheiro". Será que ele ia gostar?

De fato, o que leva os mais velhos a pensar que nós gostamos de lembrar das coisas vergonhosas que fizemos quando crianças? Sim, eu sei que eles sabem que não gostamos. Que eles fazem para nos provocar novos constrangimentos. Apenas isso.

E ô povo com boa memória para lembrar de eventos vergonhosos. Acho que é por isso que, depois de uma época, eu me fechava quase que totalmente para parentes e amigos de minha irmã mais velha. Sou muito autoconsciente e fico pensando se as pessoas batem o olho em mim e já lembram de alguma situação constrangedora que vivi quando criança.

E se você pensa que as coisas mudam quando já somos considerados maduros e responsáveis o suficiente, está redondamente enganado. Felizmente, você já está na idade de arrumar um pretexto qualquer, como um compromisso inadiável para escapar dessas reuniõezinhas. Mas quando é sua festa surpresa de aniversário ou as festas de fim de ano... Lá vem aquelas criaturas "simpáticas", dentre parentes e antigos amigos da família "ah, ela está fazendo faculdade? de que? medicina ou direito? ou administração?".

Diabos!

Porque esses seres horripilantes que frequentam festas e reuniões de família acreditam que existem apenas esses três cursos superiores?

"Ela está fazendo comunicação"
"Mas está fazendo o curso errado, ela não se comunica, não conversa com a gente" [insira aqui uma risada galhofeira e idiota]
"Errado está você. Eu me comunico, sim. Converso muito, mas só com gente interessante e com papo interessante".
"Andrizy!" - Minha mãe. Querida mãe...

E a pessoa chata metida à engraçadinha fica com a maior cara de quem perdeu o madrugueiro na Santos Andrade e agora não tem como voltar pra Piraquara porque o preço do táxi seria um absurdo e está pensando na terrível possibilidade de dormir em um banco da praça ou na escadaria da Federal.

Traduzindo para a linguagem internética: =/

É, amigos! Essa é a vida. E se eu pudesse lhes dar apenas um conselho...

... Não seria filtro solar.

Seria: FUJAM DAS REUNIÕES FAMILIARES!

Abraço!

domingo, 29 de dezembro de 2013

[Filme aos domingos] Quatro Casamentos e um Funeral


Um dos melhores exemplares de comédia romântica noventista, com um dos reis do gênero como protagonista: o sempre charmoso, um tanto abobalhado e naturalmente cômico, Hugh Grant. Embora seus trejeitos e maneirismos nos deem a desconcertante impressão de que ele interpreta eternamente o mesmo personagem, não tem como negar que grande parte das comédias românticas em que ele atua são envolventes e deliciosas de se assistir. Quatro Casamentos e um Funeral é a melhor delas.

Grant interpreta Charles, um solteirão convicto que vive a fugir de relacionamentos sérios, mostrando uma total inabilidade de levar compromissos adiante. É durante o casamento de um amigo que ele conhece Carrie (Andie MacDowell), por quem se apaixona perdidamente. A história deles se desenrola por quatro casamentos e um funeral (e se resolve apenas no final), daí o título do filme.

O fato de recorrer a clichês típicos do gênero e o final previsível, não tiram o barato desse pequeno grande filme dirigido por Mike Newell. Recheado de bons diálogos, atuações competentes, trilha sonora precisa e bem pontuada e humor britânico ferino e afiado, Quatro Casamentos e um Funeral é técnica e esteticamente digno de nota. Newell tem um olhar sensível e sua abordagem e visão dos fatos triviais e trágicos do cotidiano, surpreendem pela naturalidade e delicadeza com que são narrados, bem como pelo charme e elegância com que são filmados. As interpretações dos atores e a beleza das locações são valorizadas pelos planos e enquadramentos acertados; a trama é valorizada pelo ritmo em que é conduzida e pela montagem simples, porém, inspirada, que jamais negligencia nenhum dos cinco eventos fundamentais à composição da narrativa e que transmitem o verdadeiro sentido do longa. Aliás, o funeral é, de certa forma, decisivo para Charles.

O roteiro é assinado por Richard Curtis que, posteriormente, viria a escrever Um Lugar Chamado Notting Hill e dirigir o belo Simplesmente Amor (ambos também contando com Hugh Grant no elenco). O que mostra que, em tempos de tantas comédias românticas anódinas e intragáveis (como aquelas protagonizadas por Jennifer Aniston), Curtis deveria escrever mais roteiros e dirigir mais filmes do gênero. Só uma sugestão ;)

Quatro Casamentos e um Funeral tem todas as características que tornam uma comédia (ou dramédia) romântica agradável aos olhos do espectador: é leve, inteligente, sofisticada e obviamente divertida e romântica. Um bom filme para se assistir nos domingos ociosos.

sábado, 28 de dezembro de 2013

[A vida, o universo e tudo mais] Coisas boas depositadas em uma caixa



Já combinei de fazer com alguns amigos e familiares, agora estou postando aqui para quem mais quiser entrar na brincadeira que consiste no seguinte:

> Separe uma caixa, vasilha ou qualquer outro receptáculo.

> A partir do dia 1º de janeiro de 2014, cada vez que algo de bom acontecer na sua vida (seja algo grande ou pequeno, para você mesmo ou para um próximo, enfim. Qualquer coisa que te faça sorrir), anote em um papelzinho, dobre-o e deposite na caixa.

> No último dia do ano que vem, abra a caixa e leia os papeizinhos depositados nela.

> O conteúdo dos papeizinhos que você quiser compartilhar, você compartilha no facebook, twitter, blog, etc. Não precisa postar todo o conteúdo. E se não quiser postar nada e guardar apenas para você as coisas boas que aconteceram ao longo de um ano, tudo bem também.

> O destino da caixinha é você quem decide. Pode enviar para algum lugar ou para um amigo/familiar, também pode guardar de lembrança... Você escolhe.

> O objetivo da brincadeira é mostrar para nós mesmos que, por mais que muitas coisas ruins aconteçam ao longo de um ano, há coisas boas também e não devemos nos esquecer. Cada vez que fazemos um balanço de um ano, tendemos a colocar as tragédias e momentos difíceis em primeiro lugar e não nos recordarmos das coisas boas, ou deixá-las em segundo plano, ou mesmo diminuir sua importância diante dos eventos trágicos que ocorreram. Podemos fazer diferente desta vez. 



Pretendo postar algumas das coisas boas aqui mesmo, no blog, no final do ano que vem. Aguardem e verão ;)


Divirtam-se!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

[Screencap] Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças


Não é bem o onde. Nem o quando.
É o quem e o o que
Quem está ao seu lado nos momentos imprescindíveis.
É isso que torna o onde e o quando especiais.
E inesquecíveis.
Mesmo quando a mente se propõe a esquecer.

Fonte da imagem

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

[Meus escritos] Instante, constante


Eu fico na esperança de que tudo vai passar... 
... mas não passa. 
É tão constante quanto o ponteiro de um relógio. 
E tão compassado quanto.
Segue no mesmo ritmo.
Linear. 
Nem mais forte, nem mais fraco.
Nem melhor e nem pior. 
Apenas a mesma dor. 

(2012)

domingo, 15 de dezembro de 2013

[Filme aos domingos] Batman Begins


Um dos meus super-heróis favoritos oriundos das HQs nas mãos de um diretor cuja cinematografia já havia mostrado, com louvor, o seu talento para lidar com personagens sombrios e atormentados - caso de Amnésia e Insônia. No elenco, um verdadeiro desfile de meus atores prediletos, esbanjando carisma e presença de cena - Gary Oldman, Morgan Freeman, Michael Caine, Liam Neeson, Cillian Murphy e Christian Bale. Não tinha como dar errado. Pelo menos pra mim.
Soma-se a tudo isso, o fato de se beneficiar de uma ótima história que é muito bem retratada nas telas, diga-se de passagem. O roteiro de David S. Goyer é megalômano como ele mesmo e seus outros roteiros, mas encontra, felizmente, um equilíbrio muito bem-vindo na condução de Christopher Nolan, um diretor didático por natureza, que faz questão que tudo seja bem explicado e que a narrativa fique o mais próxima possível do realismo. O "fantasioso" de Goyer mais o "realismo" de Nolan, garantem uma excelente trama, na qual drama, ação e humor são bem dosados. 

Christian Bale é preciso em sua caracterização, interpretação e desenvolvimento de Batman, tornando o personagem mais charmoso do que nunca. Se ele peca em algo, é no tom de voz adotado quando está encapuzado. Mas esta é a única ressalva, no mais, ele está excelente como o melancólico Cavaleiro das Trevas. Bem como todos os outros personagens. Um dos maiores trunfos do longa é seu elenco afinado que acerta na composição de seus personagens. Até mesmo Katie Holmes está competente. 

Unpopular opinion, mas acho Batman Begins o melhor filme da trilogia de Nolan. Um excelente pontapé inicial de um reboot que se fazia mais do que necessário. Depois de todos aqueles filmes asquerosos de Batman dirigidos por Tim Burton e Joel Schumacher, este filme tinha a obrigação de ser mais do que digno. E cumpre esse desafio com honra. Creio que este seja o meu favorito por ser mais sóbrio e menos megalômano que os dois posteriores. Claro que a trilogia toda é muito boa. Mas este filme em particular, é o que integra minha lista de favoritos. Daqueles filmes que eu nunca fico mais de dois meses sem assistir.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

[Meus escritos] A bela ausência da memória

A Persistência da Memória de Salvador Dalí 

Às vezes penso que seríamos mais felizes sem lembranças.
Não sofreríamos de saudades e nem guardaríamos rancor.
Não sentiríamos uma falta absurda dos momentos bons que se foram
e nem das pessoas que não vão voltar.
Nem teríamos de aprender a lidar com as cicatrizes que ficaram dos momentos ruins.
Não gastaríamos tanta energia em tentar superar ou tentar esquecer.
Talvez a vida fosse menos bela com a ausência da memória,
mas certamente mais alegre.
Há dias em que eu preferia viver sem ter lembranças.
Feliz daquele cuja memória é curta e seletiva.

(Novembro, 2012)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

[A vida, o universo e tudo mais] Lizzie Bennet & Mr. Darcy - A Rejeição


Revi por esses dias a webserie que se tornou um fenômeno da internet nos últimos tempos, The Lizzie Bennet Diaries, logo após ter adquirido (finalmente!) meu exemplar de Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Aliás, confesso que nem eu mesma entendo o motivo de ter demorado tanto a incluí-lo em minha modesta coleção de livros. Eu já havia emprestado várias vezes nas bibliotecas da vida - escola e faculdade -, lido pelo computador, e emprestado também de uma amiga. Mas apenas há alguns dias, quando fui realizar uma troca de livros no sebo maravilhoso que fica próximo à minha casa, decidi finalmente adquiri-lo e inclui-lo em minha estante. 

Bem, como eu disse no início do texto, revi TLBD e preciso dizer que fico impressionada com o quanto essa história escrita há séculos por Jane Austen (publicada pela primeira vez em 1813) não envelhece e, desde que feitas as devidas adaptações e releituras para os tempos modernos, funciona na atualidade. Pode-se afirmar categoricamente que se trata de um romance atemporal. Apesar de a trama ser ambientada no século XIX e versar sobre as convenções sociais da época (como a necessidade do casamento para as mulheres), ainda assim, há formas de retratá-la na contemporaneidade sem que soe retrógrada ou datada. Afinal, fala sobre como o orgulho e o preconceito podem afetar a nossa visão dos fatos e prejudicar nossas impressões dos outros. Algo que, ao que parece, jamais irá mudar. Ainda julgamos muito baseados apenas em primeiras impressões. A hipocrisia da sociedade, a posição ocupada no sistema hierárquico, a desigualdade de classes, as barreiras culturais e econômicas e o papel que a mulher exerce na sociedade, ainda são assuntos muito discutidos hoje. E Jane Austen reveste tudo com um verniz ora romântico, ora irônico. 

A relação de Mr. Darcy e Lizzie Bennet inspirou diversas histórias de amor posteriores. A típica narrativa na qual os dois começam se odiando e, no fim, descobrem os seus reais sentimentos acerca um do outro. E ambos os personagens representam bem tanto o orgulho como o preconceito, os sentimentos contraditórios que dão título ao livro.

Antológica, em qualquer que seja a adaptação deste clássico, é a cena em que Lizzie dá um fora em Darcy após este se declarar totalmente apaixonado, mas não sem antes "colocá-la em seu lugar" (como ele acredita), fazendo questão de deixar claro que há grandes obstáculos entre eles, como a "inferioridade do nascimento" de Lizzie em comparação com a "posição superior" que ele ocupa na hierarquia social, bem como a conduta reprovável da família da moça. Mas ele afirma que está disposto a vencer essas barreiras para se casar com ela. Enfim, uma verdadeira afronta que ela devolve com a rejeição ao seu pedido de casamento. Humilhando-o de forma pior do que a que ele acabara de fazer. No livro, na série, nos filmes e, também na webserie, essa cena é sempre incrível. 

Abaixo, algumas das mais célebres rejeições de Lizzie ao infame pedido de casamento de Darcy.

"— Senhorita Elizabeth, venho lutando em vão e não mais posso suportar. Estes meses passados têm sido um tormento. Vim a Rosings com o objetivo de vê-la. Tinha que vê-la. Luto contra o meu bom senso, as expectativas da minha família, a inferioridade de seu nascimento, minha posição, e essas circunstâncias, mas estou disposto a colocá-las de lado e peço-lhe para acabar com a minha agonia 
— Eu não compreendo...
— Eu a amo. Ardentemente.
 (...)

— O senhor seria o último homem do mundo com quem eu poderia ser convencida a me casar".

Orgulho & Preconceito (minissérie de 1995) 

  

Orgulho & Preconceito (filme de 2005) 



The Lizzie Bennet Diaries (webserie de 2012) 



Outras três versões menos famosas:

Orgulho & Preconceito (filme de 1940) 



Orgulho & Preconceito (filme de 1980) 



Bride and Prejudice (filme de 2004)

domingo, 8 de dezembro de 2013

[Filme aos domingos] Shout - Dois Corações, Uma Só Batida


Filme adolescente do início da década de 90, cheio de clichês encantadores para nenhum romântico nostálgico de plantão botar defeito. O cenário é um reformatório para garotos localizado no oeste do Texas, cujo encarregado de discipliná-los é o pai de uma jovem e bela moça. Daí, óbvio, surge uma aposta por parte do mais rebelde (e gato, com um típico ar de James Dean) da turma de delinquentes juvenis, de que vai seduzi-la e levá-la pra cama pra dar uma lição no diretor do reformatório. Conforme o filme avança, o rebelde e a garota certinha começam a perceber que nutrem sentimentos um pelo outro que vão além da hostilidade inicial, até, enfim, se apaixonarem e começarem um romance incendiário. No meio disso, surge um professor de música transgressor interpretado por John Travolta, que possui um passado nebuloso, e chega ao reformatório com a missão de ensinar e preparar os meninos para tocar em uma banda no 4 de Julho. Mas com ele, os alunos descobrem o ritmo do momento, o rock n' roll, na época alvo de muitos preconceitos, por ser considerado um ritmo muito negro. Aliás, interessante (ainda que superficial) o foco na desigualdade racial. A trama se passa na década de 50 e a reconstituição da época é bem eficiente e um dos itens que mais atrai nesse longa junto com sua trilha sonora.

Esse filme costumava ser exibido no extinto Cinema em Casa durante a minha infância. Cinema em Casa, para quem não lembra, era uma sessão de filmes vespertina do SBT, que muitos fãs da Sessão da Tarde (em seus tempos áureos) preferem ignorar a existência - isto é, tudo para esses saudosistas passou na Sessão da Tarde, quando na verdade passava no Cinema em Casa. Talvez por isso, eu tive certo receio em rever Shout e perceber que, hoje em dia, o filme já não é tão legal quanto eu me lembrava. Bem, isso aconteceu quando decidi rever Uma Linda Mulher no ano passado e Grease há uns dois anos. Aliás, deixa eu abrir um parênteses e dizer que Grease tem um dos roteiros mais deficientes de que já tive notícia. Narrativa podríssima, mal-estruturada... Ainda vale ver pela curiosidade e nostalgia, mas só.

Bem, qual foi minha impressão de Shout nessa revisita? Qual é o veredicto? Olha, não sei se foi por conta da nostalgia, mas mesmo repleto de clichês e sem nenhum grande atrativo ou diferencial, ainda acho o filme encantador e contagiante. Fora que não se prende à passagens desnecessárias, tem um bom ritmo, tiradas cômicas e cenas românticas na medida certa, e a presença iluminada do sempre carismático John Travolta que parece estar curtindo muito o seu papel (apesar de ter sido injustamente indicado a um Framboesa de Ouro por ele, sendo que o ator tem inúmeros personagens piores em outros filmes pelos quais merecia a indicação... oh, wait!). O problema é que quando você está começando a se divertir pra valer, o filme acaba.

Uma curiosidade é que este é o primeiro filme em que Gwyneth Paltrow atuou. Ela aparece ainda bem jovem como o grande amor de um dos garotos do reformatório. O título em português é mais um atestado da criatividade imensa do pessoal encarregado em nomear os filmes aqui no Brasil. Como Shout vira Dois Corações, Uma Só Batida, eu não sei. Mas parece fazer sentido para alguém. Vale a pena ver se você está a fim de curtir boas músicas e um filme adolescente romântico, leve e divertido bem típico do início da década de 90.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

[Screencap] Closer - Alice

Preparem-se porque ainda vou postar muitos screencaps e quotes de Closer por aqui. Além de ser um dos meus filmes favoritos (e que me inspira muito), ele é uma verdadeira coleção de belas cenas e ótimos diálogos ;)

Não tem como não amar Alice, a personagem de Natalie Portman em Closer. E com todo respeito ao seu Oscar ganho - digna e merecidamente - por Cisne Negro (aliás, a única coisa realmente boa desse pretensioso e previsível filme é a atuação de Portman), essa é, certamente, a melhor performance da atriz, em minha obscura opinião. Sua entrega apaixonada ao papel é admirável. Para se guardar na memória. Ela compôs uma personagem com tantas nuances, tantas sutilezas, que impressiona. E surpreende. Melancólica, sincera, atrevida, jogadora. Inesquecível. Você pode até não gostar de Closer, mas não tem como passar batido por Alice sem se encantar nem que seja um pouquinho. Nesse ponto, a identificação com o personagem de Jude Law, na sequencia que abre o filme, é instantânea. Ela hipnotiza aquele, até então, simples transeunte a ponto de, mesmo sem conhecê-la, ele correr para socorrê-la quando ela sofre um pequeno acidente na rua, como se ela fosse alguém com quem ele se importasse há séculos. Apenas para que ela o corresponda com a frase "Olá, estranho!" tão hipnótica quanto sua primeira aparição na tela.Tão inesperada quanto o desfecho da personagem.

É uma mentira. É um bando de estranhos fotografados lindamente, e todos os brilhantes idiotas que apreciam arte dizem que é lindo, porque é isso que eles querem ver. Mas as pessoas nas fotos estão tristes e sozinhas. Mas as fotos fazem o mundo parecer bonito... Então a exibição é reconfortante, o que a torna uma mentira. E todo mundo ama uma grande mentira.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

[Meus Escritos] Meros Desconhecidos




"A estranheza que nos une, pelo encantamento do desconhecido. A estranheza que nos separa, quando nossos conhecidos se mostram estranhos novamente. Se pensarmos um pouco, veremos que no fundo a vida é um eterno ciclo... que termina exata e ironicamente no ponto de partida".
Extraído de http://www.gelonegro.com.br/?p=3380

A vida é estranha. As pessoas começam sendo estranhas uma para a outra. Então se tornam amigas. Depois mais do que amigas. Então quase inimigas. Depois meras conhecidas. Para logo depois se tornarem praticamente estranhas novamente.  

Então chegamos à conclusão de que se nós soubéssemos que o processo de se afastar do outro seria tão triste e doloroso... Jamais teríamos nos aproximado. Trocaríamos aquela nossa primeira conversa em que parecemos tão iguais e equivalentes, pela eterna dúvida 'O que poderia ter sido e não foi? Como seria se tivéssemos começado a nos falar e eu lhe desse a chance de me conhecer melhor?'... Se voltássemos no tempo, preferiríamos ter ficado na dúvida.
 
O universo, irônico (também frio e calculista), zomba de nós. Sou capaz de ver sua face, e é o rosto de um estrategista.

(2012)


domingo, 1 de dezembro de 2013

[Filme aos domingos] A Lula e a Baleia

 
Famílias disfuncionais e desestruturadas sempre renderam boas histórias em qualquer que seja o formato adotado para retratá-las. Pode ser por meio de uma sitcom de sucesso, como é o caso de Married... with Children, ou por um longa premiado como Beleza Americana. Contudo, dificilmente alguém foi tão preciso neste retrato como o cineasta Noah Baumbach em A Lula e a Baleia.

A cena inicial do filme é sintomática e reveladora. A ruptura da família é representada através de uma partida de tênis. O filho mais velho joga ao lado do pai; o caçula, no time da mãe. E é com foco nos filhos que a história se desenrola. Os dois lidam, cada um à sua maneira, com a separação dos pais. E, obviamente, escolhem seu lado.

A Lula e a Baleia é uma experiência subjetiva para o espectador. Por mais diferentes que sejamos daqueles personagens, há pontos de identificação, e ninguém passa incólume. Pode ser uma linha de diálogo ou alguma situação vivida por essas excêntricas e tão humanas figuras.

Baumbach adotou um tom quase documental para narrar essa história baseada em sua própria infância, o que resultou em uma fotografia belíssima, que deixa a narrativa próxima do realismo e garante um certo grau de intimidade com os personagens (e, por vezes, de distanciamento, como é comum em documentários). Aliás, a beleza do pôster do filme também está nessa proximidade com o real. É quase um retrato de família, algum registro fotográfico qualquer, mas deixa bem evidente que há um conflito ali a ser resolvido. Em suma, é uma imagem que sintetiza o longa.

Sensível, mas cru, com um roteiro coeso, diálogos inteligentes, uma beleza plástica simples, mas acertada e performances inspiradas, A Lula e a Baleia mostra que Baumbach faz cinema de qualidade (e melhor do que seu cúmplice, Wes Anderson),

Se há algum demérito? Sim. Não é possível que o filho mais velho, no auge de sua falta de personalidade e busca desesperada pela aceitação do pai,  venha a plagiar justamente uma música tão famosa do Pink Floyd ("Hey You"), garantindo se tratar de uma composição sua, sem que ninguém perceba isso, a não ser o namorado de sua mãe que, no entanto, prefere não se manifestar. Há todo um significado por trás desta história, porém, o roteiro peca pelo fato de a situação parecer um tanto absurda demais. Mas dá para fazer uma ressalva e curtir esse roteiro inteligente e delicioso sem mais problemas.

[78 Rotações] Alanis Morissette

Tenho um amigo que define Alanis Morissette como "a cantora canadense que não seria um sucesso se não fosse o fato de o namorado ter pulado a cerca". E, olhando por esse lado, a pulada de cerca do crápula (que, segundo a lenda, é o Joey da sitcom Full House, o comediante Dave Coulier), resultou em uma composição sensacional, que se tornou um dos hinos da década de 90. Na canção furiosa intitulada You Oughta Know, Alanis, com o coração cheio de mágoa e rancor, simplesmente detona o ex-namorado. Fez bem, Alanis. Afinal, quem trai merece isso e mais ;)

Falando em Alanis, além de boa compositora (pelo menos ela era até o início da década passada), a canadense também manda bem em matéria de videoclipe. Abaixo, listei alguns dos meus favoritos. E é óbvio que You Oughta Know não podia ficar de fora.

Everything


You Learn


You Oughta Know


Precious Illusions


Hands Clean


Ironic


So Pure