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terça-feira, 30 de setembro de 2014

[Screencap] Anti-Herói Americano


Anti-Herói Americano (originalmente American Splendor) é um filme de 2003, dirigido por Shari Springer Berman e Robert Pulcini e baseado na série de histórias em quadrinhos independentes de mesmo nome, American Splendor, criada pelo saudoso Harvey Pekar (1939 - 2010). A obra autobiográfica foca nas frustrações do cotidiano. O longa inspirado na HQ de Pekar combina ficção com cenas documentais e sequências em animação. Foi o vencedor do Festival de Sundance de 2003, além de conquistar o prêmio da crítica na mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes no mesmo ano e ser indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado em 2004. Abaixo, dois quotes geniais:


"Why does everybody have to be so stupid?"
"Por que todo mundo tem que ser tão estúpido?" - é uma das primeiras frases ditas no filme. Eu me pergunto o mesmo, Harvey...


"Eu não sou forte o bastante. Eu não sei como ser positivo" - Eu também não.

Harvey Pekar me representa!

Anti-Herói Americano está na minha lista de 26 filmes que me marcaram.

domingo, 28 de setembro de 2014

[Filme aos domingos] Ghost - Do Outro Lado da Vida


Graças ao maravilhoso projeto do Cinemark, de exibir filmes clássicos nos cinemas da rede, minha irmã e eu já tivemos a oportunidade de conferir alguns de nossos títulos favoritos na telona, no meio para o qual eles foram originalmente destinados. Dessa forma, pudemos realizar o sonho de ver Laranja Mecânica, Taxi Driver, Pulp Fiction e Chinatown no cinema. Assim que foram anunciados os filmes que fariam parte da terceira temporada do Clássicos Cinemark, minha irmã e eu fomos correndo conferir para já deixar os domingos livres de quaisquer outros compromissos a não ser sentarmos em bem selecionadas poltronas e curtir um ótimo filme na tela grande. Para a nossa surpresa, o inesperado sucesso assinado por Jerry Zucker, vencedor de dois Oscars em 1991 e reprisado incansáveis vezes na Sessão da Tarde, Ghost - Do Outro Lado da Vida, fazia parte da lista. E esse é simplesmente o filme favorito da minha mãe. Obviamente ela não pensou duas vezes e, na sexta-feira, já tínhamos os ingressos em mãos. Ainda que estivéssemos bastante cansadas devido à comemoração atrasada do meu aniversário ontem, sábado - que se estendeu para bem depois da meia-noite - decidimos sair de casa em um domingo de ruas mortas e enfrentar uma pequena viagem de cerca de 45 minutos até o centro de Curitiba para realizar um dos sonhos da minha mãe: ver Ghost no cinema.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

[Listas] 26 anos, 26 filmes

Hoje eu completo 26 anos. E fico feliz em dizer que 2014 está me saindo melhor do que a encomenda. Para um post de aniversário aqui no blog, tive a ideia de fazer uma lista com os 26 filmes que me marcaram de uma maneira ou de outra. Tem filmes incríveis nessa seleção, bem como outros que muitos consideram apenas razoáveis. Mas listas são subjetivas e alguns dos títulos que integram esta que fiz hoje podem ser imperfeitos em inúmeros aspectos, mas são especiais para mim ;)

Farei uma lista composta apenas por longas nacionais em breve.


26 - Blade Runner
25 - Sangue Negro
24 - Gritos e Sussurros
23 - O Sol Por Testemunha
22 - Anti-Herói Americano
21 - Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
20 - Sin City


19 - Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
18 - Oldboy
17 - Batman Begins
16 - Encontros e Desencontros
15 - A Lula e a Baleia


14 - A Dupla Vida de Véronique
13 - Donnie Darko
12 - X-Men 2
11 - Gravidade
10 - O Show de Truman


9 - 2001: Uma Odisséia no Espaço
8 - Elefante
7 - Pulp Fiction
6 - Os Sonhadores
5 - Closer 


4 - Embriagado de Amor
3 - A Caça
2 - Laranja Mecânica
1 - Janela Indiscreta

Menções honrosas: Frances Ha, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, Cidade dos Sonhos, Corpo Fechado, As Virgens Suicidas, A Partida, Em Chamas, Kill Bill: Vol. 2, Cães de Aluguel, Apocalypse Now, Drácula de Bram Stoker, Ela, Os Suspeitos, A Bela e a Fera (1947)

domingo, 14 de setembro de 2014

[Filme aos domingos] Elefante


Baseado em fatos reais, Elefante narra a história de dois jovens que, cansados de aceitar passivamente o bullying de que são vítimas na escola, revoltam-se, encomendam armas, e retornam ao colégio armados da cabeça aos pés para executar friamente diversos alunos. Antes disso, porém, enquanto ambos aguardam a chegada de suas armas em casa e planejam o assassinato em massa, Gus Van Sant registra um dia comum na vida de alguns dos estudantes que frequentavam o colégio. Os estereótipos mais tradicionais de high-school movies americanos aparecem na tela e pedem nossa atenção: as patricinhas, o atleta, a garota impopular e que tem problemas com a própria aparência. A câmera nas costas dos personagens os segue pelos corredores do colégio como se eles fossem alvos, de uma maneira quase traiçoeira. A natureza violenta dos dois jovens assassinos não é justificada por conta da influência de jogos de videogame ou simpatia com Hitler que ambos demonstram em determinados momentos do filme. Estes artifícios não são utilizados para explicar seus comportamentos e, sim, como uma espécie de escape ou hobby que eles possuem, talvez até mesmo para aplacar as suas frustrações. Van Sant se preocupou tanto em dar uma atmosfera documental para sua obra que o seu elenco é composto realmente por estudantes de uma escola situada em Portland e, para dar mais realismo, eles utilizam os próprios nomes. O que torna a obra crível e o resultado ainda mais impactante do que seria se fosse com atores conhecidos e nomes fictícios. Van Sant equilibra certa sutileza e elegância na abordagem e forma (especialmente quando narra os antecedentes do crime) com a brutalidade e crueza do conteúdo. Excelente filme de um diretor que por vezes tropeça em sua carreira, mas que faz filmes memoráveis, representativos e de qualidade narrativa e visual inquestionáveis para compensar seus equívocos. Quando Van Sant acerta, faz um filme como Elefante, digno de revisitas.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

[78 Rotações] Hoje eu joguei tanta coisa fora... ♫


♫ Hoje eu joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim 

Estes são os primeiros versos da canção Tendo a Lua da banda brasiliense Os Paralamas do Sucesso. O compositor e líder da banda, Herbert Viana, descreveu precisamente como é a minha vida uma vez por semana. Eu estou sempre fazendo limpezas gerais no meu quarto. E tem quem se pergunte: precisa mesmo fazer isso toda semana? Bem, precisa. Quase sem perceber, vou acumulando coisas inúteis, dentre papéis, garrafinhas d'água ou suco, envelopes, embrulhos de presente, tubos de caneta, latas e caixas. Volta e meia encontro algum aparelho eletrônico antigo e que já não uso há eras. Vou juntando tudo em sacolas de plástico, separando o que é reciclável do que não é, para depois depositar na enorme caçamba de lixo que fica à direita do portão do meu condomínio. 

Depois que termino a limpeza e a arrumação, gosto de dar uma boa olhada no meu quarto e constatar como Herbert Viana estava certo: o meu quarto fica bem melhor assim, sem as coisas antigas e inúteis que estavam se acumulando em um canto qualquer do meu guarda-roupa, em alguma prateleira da estante, nas gavetas que eu passo dias sem abrir. 

Outro ponto positivo de fazer limpezas gerais e me livrar das coisas velhas é o fato de que sempre encontro dinheiro perdido pelos meus bolsos e bolsas. Desde moedas de valor quase insignificante até o cúmulo de uma nota de cinquenta reais. Como é possível esquecer notas de cinquenta reais em um bolso de um velho casaco e nem sentir falta? Eis uma pergunta, dentre tantas outras, para a qual eu não tenho uma resposta.

A verdade é que tenho uma incrível facilidade para me desapegar de coisas. É uma pena não ter a mesma facilidade quando se trata de pessoas. Já devo ter comentado em algum lugar (se não deste blog, pelas minhas redes sociais) que sou do tipo que dá chances demais às pessoas mesmo quando elas me magoam e decepcionam constantemente. Perdoo um sem-número de vezes. Passo anos tolerando mentiras, chantagens emocionais, e escondendo que sei que a pessoa fala mal de mim pelas costas com suas amigas que me detestam de graça. 

Esqueço que pessoas que falam mal de todo mundo para mim, com certeza devem falar mal de mim para todo mundo. 

Valorizo demais o que já vivi com aqueles que me desapontaram. É muito difícil simplesmente apagar da memória que tivemos um passado, uma história, coisas legais que partilhamos. Então, opto pela decisão mais complicada: a de tentar sufocar as mágoas e decepções que a pessoa me provocou. Tentar valorizar as coisas boas que vivemos juntas em detrimento das ruins que ela me fez passar e sofro em silêncio.

Um erro terrível. Pois o ser, se aproveitando desta minha característica que fica numa tênue linha (ou corda bamba) entre a qualidade e o defeito, só tende a piorar. Sabe que vai ser perdoado, mais dia menos dia, então continua a fazer o que sabe que vai me machucar de uma forma ou de outra. 

Amigos leais e verdadeiros me dão chacoalhões o tempo todo: como você, que eu julgava uma pessoa inteligente e madura, consegue ser tão boba e ingênua?

Não sei. Tenho uma fraqueza incompreensível quando se trata de relacionamentos que são uma via de mão única. E estes, estão sempre ali, com suas palavras bonitinhas, mas mentirosas. Suas falsas declarações de afeto nas redes sociais.

Mas embora eu leve anos para me desfazer destas pessoas e tirá-las definitivamente da minha vida, uma hora isso acaba acontecendo. Sei que o processo é lento, mas mesmo eu, o cúmulo da tolerância, em algum momento me farto de ser o saco de pancadas. Quando finalmente desapego, não olho mais para trás, é um adeus definitivo. Evito pensar nelas, nas coisas boas que vivi com elas, nos momentos e demonstrações de afeto que julguei verdadeiros, mas não passaram de puro interesse ou conveniência. Eu realmente excluo da minha vida.

Grande coisa, não é? Depois de tudo o que passei, tomar uma atitude destas nem pode ser considerado algo admirável. É, sinceramente, um ato tardio. 

A canção dos Paralamas sempre serve como trilha para minhas limpezas gerais, sempre embalando as minhas arrumações. Não se trata nem de ser inevitável, é automático mesmo cantar esses primeiros versos (com os quais dei início a este post) cada vez que arrumo meu armário, minhas estantes, a cabeceira da cama, a mesinha do computador... 

Porém, ontem, ao notar que, desprovida de qualquer sentimento de tristeza ou nostalgia, joguei fora cartas, cartões e fotos de pessoas que foram embora, aliás, que eu mandei embora (ainda que tardiamente), percebi que dei um salto. Talvez eu tenha realmente evoluído. Ou me tornado mais fria... Alguma vez, aquelas cartas e fotos já me fizeram sofrer (por mais cafona que essa frase tenha soado). ontem só consegui ver uma compilação de mentiras e mais mentiras que me pegaram despreparada para uma súbita gargalhada que surpreendeu a mim mesma. 

Foram para o lixo. Sem dor. Sem amor. Sem qualquer outro sentimento. Apenas a sensação de alívio e de alegria por não sofrer desnecessariamente por quem nunca de fato gostou de mim.

Ontem compreendi melhor a música dos Paralamas... Joguei tanta coisa fora... Cartas e fotografias, gente que foi embora... a casa fica bem melhor assim. Não se trata apenas de jogar coisas fora, mas nos livrar também das lembranças de quem foi embora. Não daqueles que partiram e deixaram aquela saudade dolorosa que nos apanha em momentos inesperados, em uma hora qualquer do dia - aqueles pelos quais faríamos qualquer coisa para tê-los ao nosso lado novamente. E, sim, daqueles que foram embora porque não tiveram uma nova oportunidade (depois de tantas desperdiçadas). Aqueles que foram por não saberem valorizar e retribuir o companheirismo, a parceria, a amizade que ofertamos tão genuína e honestamente um dia.

O quote do filme Closer fica martelando em minha cabeça: Eu teria te amado pra sempre. Mas como não houve reconhecimento e valorização, a minha vida fica bem melhor assim.