Páginas

terça-feira, 31 de março de 2015

[Bibliovideoteca] Filmes, séries, livros e HQs conferidos - Março (2015)



FILMES VISTOS PELA PRIMEIRA VEZ:
Educação (Lone Scherfig, 2009) ★★★½ 
Loucamente Apaixonados (Drake Doremus, 2011) ★★★
Os Três Mosqueteiros (Paul W. S. Anderson, 2011) ★★

REVISÕES:
De Volta Para o Futuro (Robert Zemeckis, 1985) ★★★★★
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Alfonso Cuarón, 2004) ★★★★★
À Espera de um Milagre (Frank Darabont, 2000) ★★★½ 
Jogos Vorazes (Gary Ross, 2012) ★★★
Jogos Vorazes: Em Chamas  (Francis Lawrence, 2013) ★★★½
Jogos Vorazes: A Esperança Parte 1 (Francis Lawrence, 2014) ★★★½

SÉRIES:
Gotham (1ª temporada - retorno do hiatus) ★★½ 
House of Cards (2ª temporada) ★★★
House of Cards (3ª temporada) ★★★½ 
The Walking Dead (5ª temporada - retorno do hiatus) ★★★ 

LIVROS & HQs:
Cartas de Amor aos Mortos (Ava Dellaira) ★★★½ 
No Coração da Tempestade (Will Eisner) ★★★★★
O Guia do Mochileiro das Galáxias: O Restaurante do Fim do Universo  (Douglas Adams) ★★★★★

sexta-feira, 27 de março de 2015

[78 Rotações] Pais e Filhos

Meu batizado há mais ou menos 27 anos. Meu pai deveria estar
achando tudo muito chato e já estava dormindo em pé
Este texto está pronto já faz um tempo, mas como minha irmã me avisou há poucos dias que 27 de março é o aniversário de Renato Russo (que completaria 55 anos se estivesse vivo), decidi guardá-lo para hoje, como forma de tributo ao líder da Legião Urbana, porta-voz de toda uma geração e nosso eterno poeta.

Interpretar uma música da Legião Urbana não é uma tarefa fácil. Ao longo dos anos, conforme vamos crescendo e vivendo diferentes experiências, também vamos interpretando as letras de Renato Russo de maneiras diferentes.

E, parafraseando Stanley Kubrick, todos são livres para especular à vontade sobre o significado filosófico e alegórico da obra. No caso, ele se referia a 2001: Uma Odisseia no Espaço. Mas a verdade é que isso se aplica a toda e qualquer obra. Não existe interpretação definitiva. Interpretar é um exercício que depende muito do repertório, da visão e da vivência de cada um.

E eu posso não compreender inteiramente o significado de Pais e Filhos, mas sei que Renato está versando sobre o conceito de família.

Família.

Ela já foi tema de diversas músicas, de Titãs a Padre Zezinho. Celebrada nos comerciais de margarina e bancos. Representada de maneira inteligente nos filmes de Ang Lee e Noah Baumbach. Retratada em desenhos animados de sucesso como Os Simpsons, em histórias em quadrinhos como o Quarteto Fantástico, e em sitcoms celebradas como Família Dinossauro e Married... With Children. E a maior força cultural brasileira, a telenovela, já nos mostrou diferentes perspectivas de famílias neuróticas e ricas do Leblon. 

Oh, desculpem-me... não consegui me conter e não escrever sobre os ricos do Leblon nas telenovelas.

Família é composta das melhores pessoas para te recriminar, julgar, criticar. Sempre haverá divergências de ordem política e até religiosa. Infelizmente, não há como você excluir de sua árvore genealógica como exclui os amiguinhos insuportáveis do facebook.

É um bom momento para informar que puxei o pragmatismo do meu pai. Não só o pragmatismo. Mas também o cinismo, o sarcasmo, o ceticismo e o agnosticismo.

Fisicamente, sou muito parecida com minha mãe. Psicologicamente com meu pai. 

A minha personalidade é praticamente um espelho das ideias do mais brincalhão e razoável do clã dos Bento. 

Não posso dizer que não me orgulho disso porque, de fato, me orgulho muito. 

Muitas vezes a ironia dele me machucou quando foi dirigida a mim. Até eu descobrir que a ironia era o melhor, mais inteligente e eficiente método de defesa e não de ataque, como sempre pensei. Percebi isso da primeira vez em que usei esse artifício de modo consciente. E, vejam só as voltas que o mundo dá, esse momento ocorreu quando usei a ironia com ele, meu pai.

A festa de debutante da minha irmã mais velha. As fotos são tortas mesmo
porque, dentre as várias atividades em que sou um fracasso total,
escanear é uma delas
Voltando à música, Pais e Filhos é uma canção intimista, narrada predominantemente do ponto de vista dos filhos. Esses seres que costumam ser ingratos, às vezes, e não ouvir os conselhos de seus pais porque eles são velhos (como já dizia Bom de Punho, o anti-herói do desenho animado Juniper Lee).

Ser mais razoável, mais justo, admitir os erros, reconhecer os acertos, tentar ser menos intransigente. Estes são conselhos valiosos para se manter um relacionamento bom, saudável e feliz. Qualquer relacionamento, inclusive o que existe entre pais e filhos.

Como diz Renato em um dos versos mais executados da história dos karaokês e das rádios AM e FM:

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.

Pois o amanhã pode não existir. Ou podemos não estar mais aqui. Ou pode ser que o amanhã de amanhã não seja o mesmo amanhã para todos nós. Quem sabe do futuro? Quem sabe o que virá? Pode ser que amanhã, as pessoas que estão do seu lado agora, não estejam mais.

Ninguém me disse isso antes de meu pai morrer.

E eu gostaria que tivessem me dito. Pois, partindo daquela ideia ingênua e egoísta que cultivei desde criança, os pais dos outros é que morriam. O meu não morria. Nunca

E depois que ele morreu, eu finalmente aprendi que as pessoas próximas de mim não estavam imunes à morte. E outras perdas no decorrer dos anos foram me mostrando isso ainda mais nitidamente e de uma maneira até cruel. Por isso é importante aprender a valorizar os momentos em que estamos ao lado daqueles que são importantes para nós. Eu aprendi da maneira mais dolorosa.

E, por mais que os conflitos e divergências existam (eles tem que existir, no final das contas), seus pais talvez venham a ser as únicas pessoas que realmente vão te apoiar, ainda que te critiquem. Que vão sentir sua falta, mesmo que digam "eu não quero ver você na minha frente" em alguns momentos. Que vão sempre te amar, mesmo que te odeiem de vez em quando.

Que outra criatura, por exemplo, pegaria as suas fotos 3x4 horrendas da carteira de identidade e de trabalho, as abraçaria, beijaria e diria "que amorzinho"? Só mesmo as mães para achar um amorzinho o seu rosto deformado e irreconhecível naquelas fotos. Esse episódio ocorreu ainda ontem aqui em casa.

Pai e mãe, eu posso não ter passado ainda pela experiência, mas pelos anos que os observei, percebi que as suas são as ocupações mais difíceis, trabalhosas, exaustivas e menos reconhecidas de todas.

É certo que os pais precisam entender que os filhos necessitam de seu próprio espaço, de cometer seus próprios erros de modo a aprenderem importantes lições, que não podem ser perfeitos, e que é injusto compará-los aos filhos do vizinho. Pois garanto que o vizinho também compara os seus aos filhos perfeitos dos outros.

Ainda assim, os nossos pais precisam ser mais valorizados por nós, os filhos. Mesmo que eles sejam impertinentes em alguns momentos. Não é necessário e nem justo culpar os pais por tudo. Isso é absurdo.

No final das contas, eles são crianças como você. E são exatamente o que você vai ser quando você crescer.



 *Salut*

terça-feira, 24 de março de 2015

[Fashionismo nerd] O estilo noventista de Kelly Bundy



Married... with Children, conhecida no Brasil como Um Amor de Família, foi exibida pela emissora norte-americana Fox e permaneceu no ar entre 1987 e 1997, totalizando onze temporadas. A famosa sitcom narrava o cotidiano de uma família fracassada e disfuncional, passando bem longe do modelo de família feliz dos comerciais de margarina. Os Bundy fizeram parte do imaginário popular, conquistando e divertindo o público com as situações tresloucadas em que se metiam. A série se tornou pioneira ao retratar uma família nada perfeita e serviu de influência para várias outras produções do gênero que surgiram posteriormente.

Christina Applegate interpretava Kelly Bundy, a filha alienada e pouco inteligente do casal, que só estava mesmo interessada em curtir e aproveitar a sua adolescência, longe das neuroses de sua família.  


Mas o foco do post é, na verdade, a variedade de looks vibrantes de sua personagem. Extremamente noventista, com um guarda-roupa repleto de peças de couro e jeans, Kelly apostava em tops, mini blusas, jaquetas, saias cintura alta, calças jeans de cós alto, blusas e vestidos justíssimos, botas de cano alto e muitos acessórios, especialmente correntes e brincos enormes, que a deixavam com um estilo de estrela do rock. Kelly raramente usava estampas, mas quando as usava, tratavam-se geralmente de florais ou listras. Às vezes, xadrez.

Um encontro entre Madonna e Axl Rose?
 







Adepta de cores vivas. o preto e o vermelho predominavam em seu figurino, mas também cediam espaço para o roxo, rosa e verde. Embora eu não tenha selecionado muitas fotos dela com a barriga de fora, é necessário ressaltar que, em grande parte dos episódios, o top cropped era imperativo para Kelly.



Adoro esse episódio
 

Suas belas e longas madeixas loiras refletiam o estilo de ícones musicais da época: as bandas de metal farofa, cujo alguns expoentes eram o Whitesnake e o Guns N’ Roses. A personagem é considerada por muitos "a rainha do trash fashion" (sic). Não acho uma afirmação muito justa, afinal mesmo seguindo à risca a moda dos cafoníssimos 80's e 90's, ela sempre parecia elegante. Fosse adotando o estilo girlie, ou se rendendo ao glam rock style.

Se quiser conferir mais do estilo desta marcante personagem, basta dar uma olhada neste painel do Pinterest.

segunda-feira, 16 de março de 2015

[Café com páginas] Procurando Amy e mochilando pelas galáxias



Garota Exemplar

Sou da opinião que não é estritamente necessário ler o livro antes de conferir a adaptação cinematográfica. O filme deve funcionar como obra isolada e independente do material de origem, afinal são duas mídias diferentes. Contudo, eu gostaria de ter lido Garota Exemplar antes de conferir a transposição para as telas assinada por David Fincher. O ponto positivo, porém, é que pude analisá-la como cinema, sem me preocupar com o que foi ou não bem adaptado. Agora será interessante rever o filme e analisá-lo como adaptação. Mas esta resenha trata-se exclusivamente da obra literária. Garota Exemplar é um suspense envolvente e bem elaborado, uma trama extremamente bem arquitetada, repleta de quotes marcantes e que cativa o leitor instantaneamente. É aquele tipo de livro que você não consegue largar enquanto não chega à última página. Você não lê e, sim, devora a história. Na manhã do quinto aniversário de casamento do aparentemente perfeito casal Dunne, Amy, a esposa ideal, simplesmente desaparece. Na residência do casal há indícios de violência e todas as pistas levam a concluir que ela não apenas sumiu, como foi assassinada. As suspeitas do crime recaem sobre Nick que, desorientado, acaba dando cada vez mais motivos para que a polícia duvide de sua inocência.  Aos poucos, a história do casal vai sendo contada. A princípio, Amy é a esposa perfeita e Nick é o homem de seus sonhos. Ao longo da trama vamos desvendando os mistérios que cercam o casal. A história dos Dunne vai sendo desconstruída, evidenciando aquilo que está além da superfície e das aparências. Nick é um homem pedante, vaidoso e ostenta orgulhosamente seu complexo de superioridade. Amy é manipuladora, calculista e que evita demonstrar o que realmente sente e pensa ao marido. O livro traz críticas sociais afiadas e divagações acerca do poder que a mídia exerce sobre a opinião pública. Gillian Flynn brinca com os arquétipos determinados pela sociedade patriarcal, apontando para a hipocrisia da sociedade e colocando o dedo na ferida do conservadorismo americano. Dessa forma, constrói uma narrativa inteligente e fascinante que te deixa preso àquele universo mesmo depois que você fecha o livro. Leitura eletrizante.

O Guia do Mochileiro das Galáxias

Sempre acreditei e defendi o pensamento de que o bom humor é uma das características mais proeminentes das pessoas verdadeiramente brilhantes. E O Guia do Mochileiro das Galáxias só serviu para reafirmar essa ideia. Eu comprei a coleção inteira (a trilogia de cinco livros, como diz na capa) há uns cinco anos. Sempre que dava início à leitura do primeiro volume, era obrigada a interrompê-la ainda nas primeiras páginas por motivos de força maior (entenda por isso: leituras obrigatórias da faculdade ou da pós). Enquanto isso, a série ficava ali, me encarando da estante, aguardando o momento em que finalmente seria lida. E, ah, se arrependimento matasse! Ah, se eu não tivesse passado outros títulos na frente deste na minha eterna e enorme fila de livros. Teria conferido a genialidade de Adams muito antes e descoberto que O Guia do Mochileiro das Galáxias não só é um fascinante sci-fi com um texto afiado, cuja ironia dá o tom à narrativa, como também é um ótimo antídoto para o baixo astral e a depressão. Em um dia como outro qualquer, Arthur Dent acorda e recebe a notícia de que sua casa está prestes a ser demolida. Mas seu amigo, Ford Prefect (um ser de outro planeta que viveu durante anos disfarçado de um ator desempregado na Terra, a fim de colher informações para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias), não poderia estar menos preocupado, afinal a Terra será demolida. Contudo, antes da destruição, ambos conseguem escapar pegando carona em uma nave alienígena. Ford leva Arthur consigo para uma aventura surreal pelo espaço exterior, na qual se deparam com figuras bizarras e se metem em situações perigosas, absurdas e hilariantes. Viajando pelos lugares mais remotos do espaço ao lado de Ford, Arthur vai parar, literalmente, nos confins do universo. Dentre toalhas, golfinhos e esferográficas (leia pra poder entender) e um bocado de personagens carismáticos, Adams satiriza, de maneira inteligente, as instituições sociais, bem como o próprio comportamento humano (e descobrimos que o sistema e a população são falhos em qualquer lugar do universo). Política, arte, burocracia, ganância, consumo, indústria, mídia, publicidade são alguns dos temas contemplados, por meio de metáforas geniais, nesta narrativa leve, bem-humorada e deliciosa. O talento de Douglas Adams para contar uma história era impressionante (o escritor faleceu em 2001). Talvez seja um dos livros mais inventivos que já tive o prazer de ter em mãos. A imaginação e criatividade do autor são, na falta de outra palavra menos hiperbólica, transcendentais. Jornada fantástica.

quinta-feira, 12 de março de 2015

[A vida, o universo e tudo mais] Sobre religião, ateísmo e a busca do paraíso

"Esse mesmo Deus foi morto por vocês, é só maldade então deixar um Deus tão triste" (Renato Russo) 

Eu corro o risco de parecer intolerante perante alguns com a minha próxima sentença, mas como não sou de guardar nada para mim mesma, ainda mais em um espaço que reservei justamente para expor minhas ideias e opiniões, vamos lá:

A maior parte (e quando digo isso, deve ser em torno de 97%) dos religiosos fervorosos que conheci pela vida, estavam constantemente infelizes e insatisfeitos. Reclamavam de tudo, não tinham dias 100% bons. Alguma coisa sempre atrapalhava, incomodava, dava errado, estava fora de lugar.

Creio que muitas destas pessoas acreditavam que, por meio da oração extensiva, iriam alcançar mais rapidamente o paraíso. Pior ainda: acho que elas sentiam que eram mais merecedoras e que Deus tinha a obrigação de lhes ofertar o paraíso na Terra, exatamente por rezarem mais do que outros.

Ora, se elas rezam tanto e são tão devotadas a Deus, o mínimo que Este pode fazer para lhes recompensar é lhes oferecer a felicidade plena em todos os setores de suas vidas.

Em contrapartida, as pessoas que conheci que não se ligavam muito em religião, oravam pouco ou nada - algumas que acreditavam em Deus apenas, outras que sequer acreditavam - eram mais tranquilas, encaravam as coisas com parcimônia e procuravam resolver os problemas com calma e da melhor maneira possível. Jamais soltavam o famigerado "por que Deus está me castigando?" não somente por não acreditarem que os problemas corriqueiros, e que todos enfrentam em algum ponto da vida, se tratam de castigo divino, mas também porque não achavam que Deus estava sendo injusto com elas após passarem a vida indo à igreja todo domingo

Não é porque você ora mais do que qualquer outro que isso te faz mais merecedor de paz e justiça. Não é porque você reza mais do que os seus vizinhos que a árdua tarefa de levantar cedo para trabalhar com colegas pouco interessados e produtivos, sob pressão de um chefe mala, vai deixar de ser uma obrigação cotidiana. Ou que você não vai mais encontrar pessoas mal-humoradas e mal-educadas no ônibus lotado e sem assentos disponíveis logo pela manhã. Ou que você vai ganhar uma promoção e todos os seus problemas financeiros irão se resolver milagrosamente.

Sem brincadeira: já ouvi da boca de uma mulher extremamente papa-hóstia que ela não merecia essa vida de acordar cedo todo dia pra trabalhar, e ainda receber um salário péssimo, depois de passar os últimos 20 anos comparecendo à missa pelo menos três vezes por semana.

O que me leva a concluir tristemente que boa parte dos religiosos fervorosos que conheci devotavam suas vidas a Deus exclusivamente pela recompensa de uma vida melhor. Aliás, de uma vida perfeita. Sem problemas. Sem injustiças. 

E, para completar, muitas vezes tratam-se de objetivos egoístas. A pessoa ora obsessivamente para ter o paraíso para si. Não para todos. Ela é quem rezou, afinal. Se os outros quiserem também, que rezem tanto quanto ela.



Ótima frase!

Dizem por aí que os ateus estão entre as minorias mais odiadas e desprezadas no Brasil ao lado dos gays. Ser ateu em um país católico e conservador (sim, o Brasil é conservador pra caramba, não venham me dizer que não é) é um crime. Aliás, todos os criminosos só podem ser ateus

Tenho um sem-número de amigos ateus, assim como muitos que acreditam em Deus e alguns outros que são moderadamente religiosos. Todos gente boa, pessoas incríveis. E não digo isso por serem meus amigos. Mas se não os achasse incríveis, sequer estariam no meu círculo de amizades. 

Os ateus que conheço fazem sua parte todos os dias: estudando, trabalhando, ajudando ao próximo sem esperar uma recompensa divina por isso. Eles realmente não fazem nada esperando o reconhecimento de Deus, aguardando uma retribuição. Fazem por fazer; por gostarem de fazer.

Por que exatamente eles são pessoas más, então?

Talvez um tanto tardiamente (isto é, a esta altura do texto, alguns de vocês já me julgaram pela minha posição, obviamente), quero esclarecer que não estou generalizando. Falei apenas das pessoas que conheci. E as pessoas que conheci não representam nem 0,00001% da população. Mas tenho certa confiança em pesquisas empíricas. 

Saí a meu pai, Ele chegou a esta constatação primeiro 

"Eu acredito em Deus, mas compreendo os ateus e gosto da filosofia de vida deles. Pelo menos daqueles que conheci. Sabe por quê? Porque eles não fazem nada esperando serem recompensados. Diferentemente de certas pessoas que conheço que só fazem o bem ao próximo porque querem ganhar seu pedacinho de céu".

Vou preservar a identidade e o grau de parentesco que a pessoa que proferiu a pérola do pedacinho de céu (na televisão, inclusive) tinha conosco. Mas meu pai fez uma excelente comparação.

Eu acredito em Deus. Rezo pouco. Não rezo, na verdade. Converso com Deus do meu modo. Há muito tempo não vou à missa. Creio que a última vez que compareci a uma foi há quase dois anos e se tratava da missa de sétimo dia do meu cunhado. Acho um absurdo paróquias tão imponentes. Não vejo motivos para comparecer à igreja quando, desde crianças, ouvimos repetidas vezes a frase: Deus está em todo lugar. Assim sendo, se você quiser bater um papo com Deus sentado em um banco da praça, tudo bem. Ele vai te ouvir de qualquer jeito. Embora os circunstantes vão, inevitavelmente, te chamar de maluco. Acho que a bíblia é uma literatura fantástica interessante (oh, a blasfêmia) repleta de personagens fictícios e figuras de linguagem que jamais deveriam ser traduzidos ao pé da letra. 

Não julgueis para não serdes julgados

Mas, pra muita gente, ele é um tirano que odeia minorias
O mais curioso é que vejo diariamente no facebook que os mais fieis leitores da bíblia são os que mais julgam. Julgam as pessoas pela orientação sexual, pela posição política, pelo fato de irem pouco à igreja ou por serem ateus...

Respeito a religiosidade de cada um, mas jamais deixarei de ficar intrigada com as contradições da religião e dos religiosos. Existem leis que, de certa forma, parecem contrariar outras leis. Isto em qualquer constituição, inclusive na constituição divina. 

Também jamais vou me conformar que tantas pessoas utilizem a religião para justificar discursos de ódio (sendo que qualquer discurso de ódio é infundado por natureza). E Deus realmente aprovaria tantas pessoas matando em Seu nome? Não sou a maior especialista em Deus, mas estou convicta de que Ele abominaria esta atitude.

E enquanto nos valermos de discursos de ódio, guerras por conta de posição religiosa, julgamentos desnecessários, sinto muito, mas estaremos cada vez mais distantes de um paraíso na Terra. Ainda que os religiosos fervorosos rezem mais do que você. Ou eu. 

sexta-feira, 6 de março de 2015

[Screencap] Trainspotting

Tenho pensado muito neste filme por esses dias. Provavelmente vou acabar revendo em algum momento deste mês. 

Baseado no livro homônimo de Irvine WelshTrainspotting - dirigido por Danny Boyle e protagonizado por Ewan McGregor - estreou nos cinemas em 1996, sendo imediatamente alçado ao patamar de cult-movie, tornando-se um dos filmes indies mais representativos da década e um dos favoritos de muita gente.


A trama se passa em Edimburgo, na Escócia, e narra as desventuras de Renton (McGregor), um usuário de heroína, ao lado de seus amigos também viciados. Bem pop, violento e repleto de personagens marcantes, Trainspotting é um retrato da cultura clubber no Reino Unido e causou controvérsia na ocasião de seu lançamento.

Vencedor de um Bafta na categoria de roteiro adaptado, ainda recebeu a indicação de melhor filme britânico na mesma premiação. Foi indicado ao Oscar também na categoria de roteiro adaptado, porém, não saiu vencedor. Concorreu ao prêmio de melhor filme estrangeiro no Independent Spirit Awards e venceu na categoria de melhor trilha sonora no Brit Awards. Merecidamente, aliás. Afinal, a trilha deste filme é uma das mais extraordinárias da história do cinema, tendo sido, inclusive, apontada pela cultuada revista Rolling Stone como uma das vinte e cinco melhores de todos os tempos. Além disso, ficou na sétima posição no ranking dos editores da revista Vanity Fair e na 17ª colocação na lista de 100 melhores trilhas sonoras da Entertainment Weekly.

Já a cena abaixo é  a mais WTF? de que já se teve notícia.


segunda-feira, 2 de março de 2015

[Bibliovideoteca] Filmes, séries, livros e HQs conferidos - Fevereiro (2015)


Aí estão os itens que fizeram parte da segunda edição da Bibliovideoteca de 2015. Filmes, séries, livros e HQs conferidos durante o mês de fevereiro e suas respectivas cotações em estrelas:

FILMES VISTOS PELA PRIMEIRA VEZ: 
Paraísos Artificiais (Marcos Prado, 2012) ★★½
Sniper Americano (Clint Eastwood, 2015) ★★½ 
Foxcatcher (Bennett Miller, 2014) ★★★½ 
Ida (Paweł Pawlikowski, 2013) ★★★★½ 
Dois Dias, Uma Noite (Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2014) ★★★★ 
Selma (Ava DuVernay, 2014) ★★★★ 
Leviathan (Andrey Zvyagintsev, 2014) ★★★½ 
Tangerines (Zaza Urushadze, 2013) ★★★★½ 

REVISÕES: 
Vestida Para Casar (Anne Fletcher, 2007) ★★½ 
O Iluminado (Stanley Kubrick, 1980) ★★★★½ 

SÉRIES: 
How to Get Away With Muder (1ª temporada - retorno do hiatus) ★★★½ 

LIVROS & HQs: 
Garota Exemplar (Gillian Flyn) ★★★★ 
O Guia do Mochileiro das Galáxias (Douglas Adams) ★★★★★ 
Gotham Academy Vol. 2 (Brenden Fletcher, Becky Cloonan e Karl Kerschl) ★★★ 
Gotham Academy Vol. 3 (Brenden Fletcher, Becky Cloonan e Karl Kerschl) ★★★½