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quinta-feira, 30 de abril de 2015

[Bibliovideoteca] Filmes, séries, livros e HQs conferidos - Abril (2015)


FILMES VISTOS PELA PRIMEIRA VEZ:
Cinderella (Kenneth Branagh, 2015) ★★★
Mapas para as Estrelas (David Cronenberg, 2014) ★★★

REVISÕES:
Closer - Perto Demais (Mike Nichols, 2004) ★★★½
E Se Fosse Verdade (Mark Waters, 2005) ★★★½ 
Confiar (David Schwimmer, 2010) 
Os Vingadores (Joss Whedon, 2012) ★★★
Superman - O Retorno (Bryan Singer, 2006) ★★★

SÉRIES:
Demolidor (1ª temporada) ★★★½
Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D (1ª temporada - revisão) ★★★½ 
Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D (2ª temporada - retorno do hiatus/em andamento) ★★★½ 

LIVROS & HQs:
X-Men: Deus Ama, o Homem Mata (Chris Claremont, Brent Anderson) [Releitura] ★★★
SHIELD (2014) #1 (Mark Waid, Carlos Pacheco) ½

sábado, 25 de abril de 2015

[Fashionismo nerd] O estilo geek-chic de Jemma Simmons


Como não amar FitzSimmons?

A dupla (casal?) de cientistas/nerds/gênios precoces mais fofa da história dos seriados. Concordam?


Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D, produzida pela emissora norte-americana ABC, é centrada na equipe de agentes reunida por Phil Coulson, o braço direito de Nick Fury, e que teve uma breve morte (isso mesmo) no primeiro filme dos Vingadores. Retornou à vida para estrelar esta série e formar um improvável, mas altamente treinado time que, a bordo de um estiloso avião, se dedica a resolver os casos mais misteriosos e combater inimigos como a HYDRA.

FitzSimmons foram criados, primeiramente, para servirem de alívio cômico da trama, mas os personagens foram evoluindo, tornando-se mais complexos, seu plot cada vez mais dramático até viverem cenas de puro angst. Depois de serem traídos e quase assassinados pelo ex-companheiro de S.H.I.E.L.D, ambos tiveram de aprender a lidar com o trauma consequente da experiência de quase-morte e o step back em sua relação de amizade. Aos poucos, estão reconstruindo sua relação, recuperando a dinâmica do início da série e voltando a ser os melhores amigos de sempre.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

[78 Rotações] Para ouvir lendo... Sleeping At Last


O álbum Atlas: Year One do alternativo Sleeping at Last (projeto do multi-instrumentista Ryan O'Neal) é uma viagem pelas galáxias. Não somente pelo fato de boa parte das 30 faixas que o compõem terem como títulos nomes de planetas. Mas é um disco que parece te transportar realmente para outro lugar, para locais remotos do espaço, da sua alma e imaginação. É lindo e delicioso de se ouvir. Experimente não chorar ouvindo Saturn, a canção mais bela de que já tive notícia. É impossível ser indiferente à bela sonoridade, às melodias melancólicas e letras poéticas e reflexivas. O Sleeping at Last mescla o típico indie rock com pop barroco, influências discretas de folk music e algum experimentalismo.

Embora seja um álbum bastante sentimental, é bacana ouvir lendo O Guia do Mochileiro das Galáxias. Afinal trata-se de uma série literária que esmiúça mistérios do universo e tenta compreender o sentido da vida de um modo cômico. Uma sátira política e social disfarçada de ficção científica e cuja narrativa é centrada em viagens de Arthur Dent e Ford Prefect pelos lugares mais distantes e inacreditáveis do universo. Mas por que exatamente indico um álbum tão triste para se ouvir lendo uma obra tão irônica e bem-humorada? Bem, assim evita que você morra desidratado de tanto chorar escutando Atlas; ou se engasgue durante uma crise de risos enquanto lê O Guia, balanceando duas emoções antagônicas. Ouvir o álbum e ler os livros compreende realmente uma viagem pelo espaço sem sair do conforto de seu quarto.

terça-feira, 14 de abril de 2015

[A vida, o universo e tudo mais] Por que os vizinhos nunca tem bom gosto musical?


Da série dividida em quatro fascículos As grandes questões da humanidade. No primeiro volume: Por que os vizinhos nunca tem bom gosto musical? Eis uma questão que intriga, perturba e inquieta a humanidade desde que a música ruim foi criada. Creio sinceramente que no dia em que obtivermos uma resposta para esta pergunta, estaremos diante do sentido da vida, do universo e tudo mais. Sem exagero.

Afinal, o que leva os vizinhos a ouvirem Arrocha, Anitta e Banda Malta no último volume às oito da manhã de um domingo belo e ensolarado? Você pode ter inúmeras teorias acerca da existência de Deus; de vida em outros planetas; do porquê de estarmos aqui e para onde vamos depois que morremos. Mas nenhum de vocês tem nem mesmo uma vaga ideia a respeito do que leva os vizinhos a ouvirem música ruim altíssima em plena manhã de domingo.

Viram? Essa é a questão mais perturbadora da humanidade. Algo que nem a ciência e nem a religião se mostraram capazes de explicar.

Por que diabos os vizinhos acham que todos do prédio, da rua, do bairro, da cidade tem a obrigação de saber o que eles estão ouvindo? Ou será que acreditam genuinamente que todos gostam das mesmas músicas ruins que eles costumam ouvir?

A pergunta não precisa ser exatamente por que os vizinhos nunca tem bom gosto musical? pode ser também por que os vizinhos são desprovidos de bom senso? ou por que os vizinhos não tomam chá de semancol.

Mas a verdade é que eu também sou vizinha (#TodosSomosVizinhos). E garanto que os meus vizinhos também repudiam o meu gosto musical. Pelo menos eu tenho o bom senso de ouvir música através de fones de ouvido. Aliás, é uma experiência muito mais aprazível ouvir música com fone. É algo mais subjetivo, mais íntimo, mais seu. Pelo menos pra mim a música tem muito mais força e impacto no fone de ouvido do que no talo. Teve apenas uma vez em que ouvi música alta e incomodei os vizinhos. E foi Far From Any Road. Isto porque eu estava assistindo True Detective no último volume e esta é a música de abertura.

Eu não consigo acreditar que algum ser humano normal (na medida do possível) se sinta incomodado com Far From Any Road. Pior: que alguém ache esta música ruim... Está além da minha capacidade de compreensão. 

Bem, enquanto não descobrimos uma explicação satisfatória para o gosto musical duvidoso dos vizinhos, só nos resta aguardar que, no futuro, todos possamos morar em casas com paredes à prova de som. 

Lembrando também que com a primeira edição da série dividida em quatro fascículos, As grandes questões da humanidade: Por que os vizinhos nunca tem bom gosto musical, você leva de brinde um protetor de orelhas ou um fone de ouvido - à sua escolha - para utilizá-lo em casos de emergência, isto é, quando os vizinhos decidirem ouvir Anitta no talo.

Salut!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

[Café com páginas] Cartas para os mortos e o coração da tempestade...



Cartas de Amor aos Mortos

Tentando superar a morte trágica e prematura  da irmã apenas alguns anos mais velha, Laurel faz de sua primeira tarefa de inglês um projeto pessoal. Trata-se de escrever uma carta para alguém que já morreu. A protagonista passa, então, a escrever diversas cartas para ídolos mortos como um meio de desabafo e tentando compreender as razões que os levaram tão cedo à morte. O projeto torna-se praticamente um diário no qual ela tenta desesperadamente se comunicar com aqueles que já se foram. Vi diversas críticas negativas ao livro que ressaltavam o fato de trazer uma visão pueril da adolescência e apontando a protagonista como uma rebelde sem causa, autodestrutiva e que se recusa a crescer. Eu concordaria se a abordagem da narrativa não fosse tão interessante e criativa. Obviamente que uma garota de 15 anos tem uma visão mais romântica e sonhadora da vida. E tendo passado por experiências tão traumatizantes, incluindo a separação dos pais e a morte da irmã, em instantes de fragilidade emocional não é incomum que ela se comporte de maneira autodestrutiva. Ouvimos e conhecemos casos assim  diariamente. Isto se dá por conta não apenas da idade, mas da imaturidade, falta de comunicação com aqueles que ama, o sentimento de culpa por achar que poderia ter feito algo para impedir a morte da pessoa com quem mais se importava, e que são despertados pela sensação de fracasso em tudo o que faz, além do receio de não conseguir manter uma amizade ou um relacionamento amoroso. É como se os únicos que lhe entendessem fossem realmente seus saudosos ídolos. Seria estranho se a autora optasse por mostrar uma adolescente que soubesse lidar com todas essas experiências de maneira adulta e madura; se Laurel não fosse ingênua, solitária e deslocada como é, ainda mais em um livro narrado em primeira pessoa. E Cartas de Amor aos Mortos seria uma história extremamente manjada, repleta de lugares-comuns se Ava Dellaira optasse por uma narrativa mais convencional. Os dramas da protagonista são apresentados de maneira singela e melancólica. O livro aborda experiências típicas da adolescência e temas pesados como suicídio e abuso sexual infantil, ao mesmo tempo em que narra o poder da amizade, do amor e da família. Mas a grande sacada é o fato de a trama ser contada inteiramente por meio de cartas tocantes que Laurel escreve para Kurt Cobain, Janis Joplin, Jim Morrison River Phoenix, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, dentre outros. Isso faz o livro valer a pena. 


No Coração da Tempestade

Uma jornada muda uma pessoa, diz o pai do protagonista em uma certa passagem da história. Não consigo apontar nenhuma sentença mais certeira do que esta. Olhando pela janela do trem, a caminho da Segunda Guerra Mundial, o jovem soldado Willie confronta seu passado. É como se a janela se convertesse em um telão onde são projetadas as memórias de sua infância e adolescência. No Coração da Tempestade, do mestre dos quadrinhos Will Eisner (criador de Spirit), é uma verdadeira aula de história que apresenta ao leitor as principais transformações sociais e econômicas pelas quais passaram Europa e América durante a primeira metade do século XX, através do olhar de um jovem e carismático protagonista. Recorrendo ao recurso do flashback durante toda a trama, a graphic novel versa sobre o preconceito e o antissemitismo do qual Willie e sua família de imigrantes judeus foram alvos durante toda a vida. Bem como a luta deles para sobreviver em meio à depressão econômica. A arte primorosa se destaca pela qualidade e elegância do traço e, somada à uma narrativa densa e inteligente, delineiam precisamente o cenário histórico. O preto e branco bem trabalhado e o ótimo jogo de luz e sombras conferem um contraste que ressalta a melancolia da trama e a crueldade dos personagens. Outro item que não posso deixar de citar é a preocupação com os detalhes, especialmente no tocante às manchetes de jornais que sempre aparecem fazendo figurações necessárias e ilustres. O quote e o quadro que encerram a história apenas confirmam que o leitor está diante de uma obra-prima. Se equilibrando em uma tênue linha entre a ficção e a autobiografia, tendo sido baseada nas memórias do próprio Eisner (ele mesmo a descreve na introdução como uma mal-disfarçada autobiografia), No Coração da Tempestade é indispensável na coleção de qualquer amante dos quadrinhos 

domingo, 5 de abril de 2015

[Filme aos domingos] Tangerines / Leviathan

Há quanto tempo eu não fazia um Filme aos Domingos! Geralmente, nesta seção, eu indico um filme por vez. Porém, hoje será diferente. Há algum tempo eu venho curtindo mais os indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro do que os que concorrem na categoria principal, de melhor filme. Por mais que eu não tenha visto Timbuktu, da Mauritânia, e nem o argentino Relatos Selvagens, me atrevo a dizer que o estoniano Tangerines e o russo Leviathan, juntamente com o polonês Ida que levou a estatueta, foram os melhores filmes dentre os indicados à premiação deste ano. Tratam-se realmente de pequenas obras-primas. Abaixo algumas palavrinhas sobre os belos e surpreendentes Tangerines e Leviathan:


Situado em um povoado estoniano da Abecásia, Tangerines é um belíssimo longa sobre companheirismo, honra e respeito. Valores que estão acima das diferenças ideológicas, religiosas, raciais, etc. Em meio à guerra de 1992, as histórias de Ivo (Lembit Ulfsak) e seu amigo produtor de tangerinas, Margus (Elmo Nüganen), se cruzam com a do checheno Ahmed (Giorgi Nakashidze) e do georgiano Niko (Misha Meskhi). A abordagem é excelente. O cineasta Zaza Urushadze acerta ao fazer da guerra o plano de fundo de uma trama intimista que se concentra mesmo na humanidade de seus personagens e nas relações que se desenvolvem entre eles por conta das circunstâncias, apesar da tensão étnica que há entre Ahmed e Niko. Mesmo assim, a guerra não deixa de ser um elemento vital e que move o longa, estando sempre presente mesmo que de maneira subliminar. É pelo olhar de Ivo que compreendemos os meandros da situação. A interação do elenco é um dos principais trunfos, bem como o final tocante. ★★★★


Leviathan versa sobre o abuso de poder, seja político ou religioso. Todo o conflito se dá por conta de um terreno que fica ao lado da casa em que Kolia (Aleksey Serebryakov) vive com a mulher e o filho de um casamento anterior, na cidade de Barents que fica à beira do mar. O desejo veemente do prefeito em apropriar-se destas terras bate de frente com a decisão irredutível de Kolia de não abrir mão delas, o que desencadeia uma série de desafortunados eventos envolvendo o protagonista e sua família, mostrando até onde o poderoso político pode ir para conseguir o que quer. Algumas metáforas, tanto narrativas quanto visuais, soam um pouco óbvias em determinadas passagens, mas este é o único demérito que consigo apontar. A fotografia corrobora o clima melancólico, cruel e sombrio intrínseco ao enredo. Tem uma visão bem pessimista e fatalista também, mas é exatamente essa a intenção no diretor Andrei Zvyagintsev: apresentar de maneira crua e dolorosa a realidade do país. A revolta e o impacto que o desfecho causa ao espectador só acentuam a força dessa obra. ★★★★

Bons filmes e Feliz Páscoa! :)