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[Febre das listas] Primeiros erros e acertos de 2018

Geralmente, eu faço minhas listas com bastante antecedência, mas não tem me sobrado muito tempo para equilibrar uma rotina de postagens no blog com os dois (na verdade, três) empregos e outros afazeres, como ler, assistir filmes e séries e dar atenção à minha vida pessoal porque ninguém é de ferro. Mas pretendo fazer minhas listas de filmes e livros favoritos de 2017 ainda este mês. 

Não que alguém se importe, na verdade...

A habitual lista de momentos em séries, eu ficarei devendo por conta do fato de que deixei minhas séries meio de lado este ano. Revi Twin Peaks e alguns dos meus episódios favoritos de Marvel's Agents of SHIELD. Finalmente assisti Jessica Jones e não sobrou muito tempo para ver os hits de 2017.

Sem falar na depressão, no quadro clínico de bipolaridade, nos breakdowns, no constante desânimo e frustração. 

Mas vamos falar de coisas boas (ou nem tão boas): meus primeiros erros e acertos de 2018! Bora lá!


[78 rotações] Aquela dos 29


Hoje eu completo 29 anos. Os trinta já batem à porta e parece que foi na semana passada que meu melhor amigo estava me mandando um e-mail me parabenizando pelos vinte anos recém-completados. Sim, e-mail. Afinal, ele estava sem créditos para me mandar uma mensagem sms pelo seu celular Nokia. Aquele que tinha o jogo da cobrinha... Eu não havia me rendido aos encantos do Orkut; o Facebook ainda engatinhava e era utilizado apenas por um grupo seleto que, provavelmente, pensava que Brasil era uma selva; a breve vida do MySpace estava só começando; e Twitter, WhatsApp, bem como smartphones e seus aplicativos, ainda soavam como delírios de roteiristas dos Jetsons.

As pessoas ainda sabiam o que era Jetsons naquela época.


[Febre das listas] Primeiro erros (e acertos) de 2017

Ao contrário do ano passado, este post encerra a série Febre das Listas. Mas, assim como em 2016, creio que cometi mais acertos do que erros. Vamos a eles:

Primeiras músicas:
"Tempos Modernos" - Lulu Santos
"Like a Prayer" - Madonna
"The Animal Song" - Savage Garden (!!)
"Try" - Pink
"Saturn" - Sleeping at Last (novamente)


Eu não vejo melhor forma de começar um ano do que ouvindo Tempos Modernos. Enquanto existe esperanças, existe motivos para levantar da cama todos os dias e seguir em frente. Like a Prayer da Madonna continua poderosa mesmo quase trinta anos após seu lançamento. Por incrível que pareça a música do Savage Garden traz alguma perspectiva e uma sensação de leveza e liberdade. Pink diz sabiamente que temos de levantar e continuar tentando. E, pelo visto, já se tornou tradição inaugurar o ano com a música mais linda da face da Terra, Saturn.


[Espaço criativo] Decoração com discos de vinil

 

Lá pelos idos dos anos 1990, os velhos vinis foram substituídos pelos CDs. Compactos, práticos e facilmente pirateáveis, a principal diferença entre os CDs e os bolachões é que os primeiros não tinham lado B, então você não precisava se preocupar em "virar o disco na vitrola". E os pequenos CDs também não ficavam tão bonitos na estante. 

Os anos passaram, veio o século XXI e, com ele, a descoberta óbvia: vinis são muito melhores do que CDs.

Discos de vinil são, hoje, itens de colecionador. Se antes, no auge dos compact discs, você podia adquirir LPs dos Beatles, Raul Seixas, Rolling Stones e Pink Floyd por uma bagatela de 50 centavos no sebo mais próximo (afinal, eram velharias sem valor para muita gente), atualmente, tem de desembolsar uma pequena fortuna para ter estes exemplares em sua estante. 

Ninguém mais compra CDs. Mas discos de vinil, sim. Nem que não se tenha onde tocar (os preços das vitrolas variam de R$300, que é o custo daquelas mais simples, até R$1.000 para as mais sofisticadas), nem que seja apenas para postar em seu instagram e ganhar dezenas de likes. Nem que seja só para pagar de vintage

Eu ainda ouço os meus discos em um velho aparelho que está aqui em casa desde meus tenros anos. E isso é ser vintage de verdade: ter um toca discos que sobreviveu às décadas.

Mas, se você não tem mais onde ouvi-los, não está nem aí para coleções, acha que eles estão ocupando espaço na sua estante e, tampouco, pensa em vendê-los, de repente, pode usá-los como itens de decoração. Agora, se você os aprecia demais para isso, mas mesmo assim quer decorar sua casa com bolachões como nos exemplos abaixo, então resta dar uma fuçada na sua coleção e verificar se não há alguns discos de que você não gosta ou que estão riscados demais, ou arriscar dando uma passadinha no sebo e comprando, por um punhado de centavos, LPs de bandas e artistas desconhecidos, de pouco ou nenhum sucesso, que não fariam diferença na sua coleção. Você ainda pode fazer vinis utilizando cartolina, tinta e papel laminado.

Aí é só exercitar a criatividade e imaginação e fazer como os nossos amigos abaixo:

[Playlist + Personagem] As favoritas de Jesse Custer (Preacher)


E a série do pastor alcoólatra que apronta altas confusões ao lado de seus amigos Tulip e o vampiro irlandês, Cassidy, estreou na AMC e fez a alegria dos fãs da série oriunda dos quadrinhos.

Criada por Garth Ennis e fastasticamente ilustrada por Steve Dillon (que nos deixou recentemente), Preacher é uma road story que mescla elementos de western a uma vibe tarantinesca e acompanha Jesse Custer, o pastor, e sua jornada atrás de Deus que, curiosamente, abandonou seu posto. Para completar, é possuído por uma entidade que lhe confere o poder de ser obedecido por todos, como se sua voz fosse a própria palavra de Deus.. Publicada pelo selo Vertigo, divisão da DC Comics, entre 1995 e 2000, a série é dividida em sessenta e seis revistas - que foram lançadas mensalmente - e mais seis edições especiais, formando o número 666.

A série em live action respeita o canône, mas apresenta mudanças pontuais compreensíveis em relação à obra original - o produto final mantém a essência, mas é funcional enquanto televisão exatamente por conta dessas alterações. Desse modo traz um equilíbrio entre o gore e o caráter bizarro da HQ e uma visão mais realista dos acontecimentos, condizente com o meio ao qual foi adaptada.


[78 Rotações] Dublê de Corpo


"Eu não reconheço mais olhando as fotos do passado
O habitante do meu corpo
Esse estranho dublê de retratos"


Não lembro quando foi que me julguei adulta pela primeira vez. Recordo-me agora de ler um post de um amigo no facebook, dizendo que ficava chateado por não poder fazer mais determinadas coisas, exclusivamente por ser adulto. Foi então que me dei conta que temos quase a mesma idade e, bem... Eu relutei em aceitar, mas se ele é um adulto, eu também sou.

Pelo menos por fora, isto é, aparentemente... Mentalmente, não. Não mesmo.

Eu tenho um imóvel em meu nome, pago a maior parte das contas, me importo demais com o preço das coisas e me preocupo absurdamente com o futuro próximo. Ser adulto significa, muitas vezes, fazer o que não se gosta, infelizmente. Por ser necessário, por dependermos, de certa forma, exatamente daquilo de que não gostamos.

Devo mesmo ser adulta. Já que adultos costumam, via de regra, ser muito chatos e preocupados. E eu faço muitas coisas de que não gosto também.

Acho estranho me referir a mim mesma como adulta quando ainda sou cheia de manias infantis; faço contagem regressiva para estreias de filmes da Marvel (que nem existiam na minha infância, na verdade); choro com animações da Pixar e rio com as piadas saturadas e repetidas de Chaves.

Eu completei 28 anos no último dia 24 de setembro. Assim como no aniversário anterior, o desespero por estar me aproximando dos 30 e ainda não ter um rumo definido, me assaltou. Percebi também a que encaro aniversários de uma forma bem diferente do que encarava há dez anos.


[Espaço Criativo] Hotéis no cinema

Para ler ouvindo: Hotel by Moby

Nem eu mesma conheço a procedência do meu fascínio por hotéis. Mas deve vir da cultura pop. O Mistério do Cinco Estrelas de Marcos Rey era um dos meus livros favoritos na infância e, confesso, era fã daquele segmento criado por Roberto Gómez Bolaños (o Chaves) que se passava em um hotel, o Chompiras :)

O hotel onde vou me instalar, seja por um fim de semana ou por um pouco mais do que isso, é um dos itens fundamentais e que requer maior atenção nos meus roteiros de viagem. Eu sou uma pessoa bem incomum, admito. Eu prefiro a viagem em si do que o destino final. Me preocupo mais com o hotel em que vou me hospedar do que desbravar o lugar que estou conhecendo.


[Playlist + Personagem] As favoritas do Quicksilver de X-Men


Essa nova seção é mais uma das ideias loucas que invadiu minha mente em uma madrugada insone. Inspirada pelas cenas emblemáticas do personagem Mercúrio (Quicksilver no original, em inglês), interpretado pelo ator Evan Peters em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido e no recente X-Men: Apocalypse, decidi dar início a uma série de posts apresentando as músicas prediletas dos meus personagens favoritos da ficção. 

Vai funcionar da seguinte maneira: analisando o perfil psicológico dos personagens, seus costumes, hábitos, hobbies e quotes em séries e filmes, eu vou tentar montar playlists contendo aquelas que poderiam ser suas músicas prediletas, mas que o cânone [ainda] não comprovou. Como o nosso gosto musical diz muito sobre nossas personalidades, vou me basear exatamente nisso para criar as tais playlists. Sei que o negócio vai parecer um tanto quanto fanfiction, porque predileções musicais de personagens raramente são discutidas na dramaturgia (ora, qual é? música é importante na vida de todos, esse tópico deveria ser mais abordado). Todavia aquele que inaugura nossa seção já deixou bem claro que curte Jim Croce e Eurythmics, como pudemos conferir nos filmes.


[78 rotações] Desafio das bandas


É um desafio de facebook na verdade que eu decidi fazer em formato de tag/lista no meu antro particular de idiossincrasias. E, como sou extremamente indecisa, vai ter mais de uma opção para cada item, sim! Dizem que é uma característica de todo libriano ter dificuldade em tomar decisões. E como a boa libriana que sou, ainda não decidi se acredito ou desacredito de horóscopo. Enfim, chega de papo e bora lá!


[A vida, o universo e tudo mais] O que eu aprendi com os anos 90

Que o Quentin Tarantino passou um ano inteiro fazendo campanha para o Oscar, para perder para o Forrest Gump. Então, ele decidiu ir ao MTV Movie Awards.


Que década maravilhosa, não é? Época em que Pulp Fiction ganhava de Melhor Filme na premiação de cinema da MTV. E os outros indicados também eram maravilhosos. 

Que Pimpolho era um cara bem legal, pena que não podia ver mulher.


Que toda vez que o pessoal do Só Pra Contrariar chegava em casa, a barata da vizinha estava na cama deles

E que o Alexandre comprou uma bombinha pra se defender.

Que o cameraman dos programas do Gugu se jogava no chão para conseguir filmar embaixo das saias das meninas do Banana Split e quase levava um chute delas por causa disso.


Atrevido!


[Febre das listas] Primeiros erros (e acertos) de 2016

Olá :)

Este é o primeiro post de 2016 e o título nada mais é do que uma brincadeira, aludindo à clássica balada oitentista de Kiko Zambianchi (posteriormente gravada pelo Capital Inicial e até pela Simony!), pois, a verdade é que, nesses primeiros dez dias do ano, cometi mais acertos do que erros, felizmente. Muita coisa boa aconteceu nesse início de 2016 e não estamos nem na segunda semana de janeiro...

Por isso mesmo, por ser tão cedo, é que não posso me dar ao luxo de começar a celebrar. Muitas águas ainda vão rolar, mas, por hora, posso dizer que estou bem e contente. Bem diferente do final do ano passado, como os três leitores deste obscuro blog devem se lembrar...

Mas vamos dar início à febre das listas, com esse post no qual elenquei os meus primeiros passos em 2016: a primeira música, o primeiro filme, o primeiro disco, e por aí vai...


[78 rotações] Kid Abelha

Olá! Depois de um pequeno hiatus devido a viagens, preguiça e a extrema necessidade de ficar em dia com todas as séries que assisto, estou de volta ao Sonhos Empoeirados e, desta vez, para falar um pouco sobre uma das minhas bandas nacionais favoritas: Kid Abelha.


Acredito que todos tem uma ou mais músicas do Kid Abelha que serviram de trilha sonora para algum momento marcante da vida. E uma ou mais músicas do Lulu Santos também, mas falo disso em outro post. 


[Bibliovideoteca] Filmes, séries, livros e HQs conferidos - Outubro (2015)


FILMES 
Que Horas Ela Volta (Anna Muylaert, 2015) ★★★★½
O Amor É Estranho (Ira Sachs, 2014) ★★★★
Divertida Mente (Pete Docter, Ronaldo Del Carmen, 2015) ★★★★
007 - Operação Skyfall (Sam Mendes, 2012) ★★★½
Vidas Sem Rumo (Francis Ford Coppola, 1983) Revisão ★★★½

SÉRIES 
Agents of SHIELD (3ª temporada - em andamento) ★★★★
The Walking Dead (6ª temporada - season premiere) ★★★½
The Big Bang Theory (9ª temporada - em andamento) ★★★
Gotham (2ª temporada - em andamento) ★★½
Quantico (1ª temporada - season premiere) ★★★★

LIVROS & HQs 
[Os Novos 52] Batgirl (Gail Simone; ilustradores diversos) - Edições #1 a #23 ★★★★

Nas caixas de som: Gabrielle Aplin - "Please Don't Say You Love Me"

[78 Rotações] As brigas que ganhei, as brigas que perdi...

No Coração da Tempestade de Will Eisner (Clique na imagem)
Pouco adiantou

Acender cigarro

Falar palavrão

Perder a razão
Perder a a razão nunca adiantou nada. Nunca valeu a pena. Causava mais mal a mim do que aos outros, portanto passei a ignorar. Especialmente os passivo-agressivos que são uma das piores espécies. Aquelas pessoas que tentam, a todo custo, arrancar uma reação extrema sua recorrendo às famigeradas indiretas, partindo para a provocação, para as agressões verbais camufladas, cutucando insistentemente, atacando de maneira velada . E, quando finalmente atingem o objetivo, ou melhor, acertam no alvo, vem com a clássica:  Nossa, por que você se ofendeu? não era de você que eu estava falando... a crítica não era direcionada a ninguém especificamente.

É muito difícil não perder a paciência com os passivo-agressivos, mas recentemente aprendi (enfim!) que tudo o que eles querem é atenção. E, talvez, a psicologia explique melhor, mas creio que devem ser pessoas que sofrem de profunda carência...

Já me envolvi em algumas brigas, sim. Nunca envolvendo violência física, mas verbal. Não sei qual das duas é a pior. A primeira deixa marcas, escoriações e ferimentos graves. A segunda também deixa feridas, mágoas, também causa dor... e, às vezes, mais profunda do que um tabefe. Num instante de raiva, não adianta querer falar alguma coisa. Até porque não falamos quando estamos enfurecidos. Gritamos. Perdemos a linha e proferimos palavras das quais nos arrependemos quase que imediatamente. Dizemos o que não gostaríamos de ter dito. Não há forma de se resolver as coisas de cabeça fervendo.

Ensinamentos antigos...


[Bibliovideoteca] Filmes, séries, livros e HQs conferidos - Setembro (2015)


FILMES 
A Gangue (Miroslav Slaboshpitsky, 2015) ★★★★
O Conto da Princesa Kaguya (Isao Takahata, 2013) ★★★★½
Blade Runner (Ridley Scott, 1982) Revisão ★★★★★
Os Vingadores: A Era de Ultron (Joss Whedon, 2015) Revisão ★★★½
Watchmen (Zack Snyder, 2009) Revisão ★★★
Cosmopolis (David Cronenberg, 2012)  Revisão ★★★★
Batman Begins (Christopher Nolan, 2005) Revisão ★★★★

SÉRIES 
Mr. Robot (1ª temporada) ★★★★★
Agent Carter (1ª temporada) ★★★★½
Gotham (2ª temporada - season premiere) ★★½
The Big Bang Theory (9ª temporada - season premiere) ★★★½
Agents of SHIELD (3ª temporada - season premiere) ★★★★

LIVROS & HQs 
O Guia do Mochileiro das Galáxias: Praticamente Inofensiva (Douglas Adams) ★★★½
Ex Machina Vol. 01: Estado de Emergência (Brian K. Vaughan, Tony Harris, Tom Feister) ★★★★★
Watchmen (Alan Moore, Dave Gibbons)  Revisão ★★★★½

Nas caixas de som: Vertical Horizon - "Everything you want"

[Tag] Todo mundo gosta... menos eu

Não fui indicada por ninguém e, na verdade, nem sei se essa tag existe. Mas decidi respondê-la mesmo assim. Quem me conhece, sabe que eu sou meio do contra. Às vezes, muito raras vezes, é proposital. Mas, na maioria dos casos, eu realmente não gosto de coisas legais (ou não) que quase todos os outros gostam. Estes itens amados por todos, menos por mim, estão elencados abaixo:

Bob Esponja


De que se trata? Um desenho animado sobre uma esponja-do-mar falante, amarela, chatíssima e bem lesada. 
Por que não gosto? Não vejo graça, não vejo carisma, não vejo nada de nada e a risada dele me irrita profundamente.


[78 Rotações] O que eu ouvia na adolescência...

Interpol
O que ouviam os adolescentes da minha geração, isto é, do início deste século?

Bem, a maioria deles ouvia new metal (Linkin Park), emo (Evanescence) e pseudo-punk cor-de-rosa (Avril Lavigne). Na verdade, eu também ouvi todos esses. Primeiramente por ser inevitável - as músicas deles estavam por todas as rádios, seus clipes espalhados pela programação da MTV, a gente ouvia seus refrões grudentos em todos os lugares: nos supermercados, no carro, na rua, na chuva, na fazenda e nas casinhas de sapê. E também porque eu gostava a princípio, quando ainda se tratavam de novidade. Mas, como foi com todos os expoentes desses subgêneros e seus herdeiros, enjoei rapidamente. Eram músicas que a gente ouvia numa semana e noutra já não suportávamos mais. Tanto pelo excesso de execuções radiofônicas e televisivas, quanto pelo fato de que elas tinham bem pouco a oferecer em termos de letras, arranjos e melodias.

Mas havia muita coisa bacana no início dos anos 2000, quando eu estava no auge dos meus 15, 16 anos...


[Café com páginas] Videoclipes, VJs e Vinhetas Malucas



O chilique do Caetano Veloso no VMB 2004 entrou para a história, meio sem querer, por culpa de um técnico da banda do próprio artista que deixou um microfone aberto atrás do palco. Essa e outras histórias são relatadas no livro de Zico Goes cujo título é uma referência explícita ao episódio protagonizado pelo músico. A opção acertada e hilária de Zico (diretor de programação da MTV durante boa parte da trajetória da emissora) em nomear seu livro de Bota Essa Porra Pra Funcionar, deixa evidente uma das características mais marcantes da MTV Brasil: a autossátira. Como disse a ex-VJ Astrid Fontenelle no discurso de encerramento do canal em 30 de setembro de 2013: "foram 23 anos tirando sarro da gente mesmo". Foram 23 anos também de muita música, rebeldia, quebra de tabus e engajamento social. Com uma linguagem despojada, descontraída, em um tom de livro de memórias, e contando com prefácio do jornalista e ex-VJ Zeca Camargo, Zico faz um apanhado da história de uma das emissoras mais simpáticas que já tive o prazer de sintonizar na minha televisão. Mas vai ainda além, dando uma verdadeira aula de como fazer televisão e apresentando uma análise competentíssima da publicidade no país e do comportamento do jovem brasileiro. 


[78 Rotações] What's Up


Fui pega de surpresa com o momento musical do quarto episódio da primeira temporada de Sense8 (série original da Netflix), quando os oito protagonistas, cada um em um canto do mundo, entoam os versos da canção What's Up, clássico dos anos 90 do 4 Non Blondes. Banda que teve esse único hit para contar a história.

A metáfora da cena é simples, mas brilhante: a música une as pessoas. E quer uma música melhor para unir a todos do que What's Up?

[78 Rotações] Para ouvir lendo... Sleeping At Last


O álbum Atlas: Year One do alternativo Sleeping at Last (projeto do multi-instrumentista Ryan O'Neal) é uma viagem pelas galáxias. Não somente pelo fato de boa parte das 30 faixas que o compõem terem como títulos nomes de planetas. Mas é um disco que parece te transportar realmente para outro lugar, para locais remotos do espaço, da sua alma e imaginação. É lindo e delicioso de se ouvir. Experimente não chorar ouvindo Saturn, a canção mais bela de que já tive notícia. É impossível ser indiferente à bela sonoridade, às melodias melancólicas e letras poéticas e reflexivas. O Sleeping at Last mescla o típico indie rock com pop barroco, influências discretas de folk music e algum experimentalismo.

Embora seja um álbum bastante sentimental, é bacana ouvir lendo O Guia do Mochileiro das Galáxias. Afinal trata-se de uma série literária que esmiúça mistérios do universo e tenta compreender o sentido da vida de um modo cômico. Uma sátira política e social disfarçada de ficção científica e cuja narrativa é centrada em viagens de Arthur Dent e Ford Prefect pelos lugares mais distantes e inacreditáveis do universo. Mas por que exatamente indico um álbum tão triste para se ouvir lendo uma obra tão irônica e bem-humorada? Bem, assim evita que você morra desidratado de tanto chorar escutando Atlas; ou se engasgue durante uma crise de risos enquanto lê O Guia, balanceando duas emoções antagônicas. Ouvir o álbum e ler os livros compreende realmente uma viagem pelo espaço sem sair do conforto de seu quarto.