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[A vida, o universo e tudo mais] Oscar do Sonhos...




Não, eu não errei no título da postagem. Eu quis dizer Oscar do Sonhos Empoeirados. Vamos ao texto e às divagações de hoje:

Oscar 2015 já passou. Mas aparentemente eu ainda não cansei de falar sobre isso. 

Todo ano é a mesma ladainha: "que injustiça esse filme ganhar" ou "que injustiça esse filme perder"

Não dá pra falar de injustiça quando se trata da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (quando se trata de 90% das premiações, na verdade). O Oscar premia a melhor campanha no final das contas. Não é um prêmio artístico, mas político. De qualquer modo já falei sobre isso neste post e não quero me repetir. 

Mas, se você ainda acredita que Oscar celebra a arte, que é um prêmio realmente entregue aos melhores do ano, passou da hora de rever seus conceitos. Na melhor das hipóteses, você é um tolo. Só para citar alguns exemplos: Gwyneth Paltrow, uma atriz limitadíssima, tem um Oscar no currículo. Gary Oldman não tem nenhum. E quando finalmente foi indicado, perdeu. E sabem o que é pior? Sua performance em O Espião Que Sabia Demais havia sido a melhor não só dentre os indicados, como a melhor do ano. E não falo isso apenas por ser fã do ator. 

Vamos a um exemplo mais gritante de como Oscar não é parâmetro de qualidade: Tom Who... isto é, Tom Hooper, o diretor de O Discurso do Rei, com seus ângulos amadores, enquadramentos esquizofrênicos e muita parede e teto, ganhou um Oscar de melhor diretor. Enquanto Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock morreram sem ganhar uma estatueta da Academia. Poxa, estamos falando dos homens por trás de obras-primas da sétima arte como 2001: Uma Odisséia no Espaço e PsicoseLaranja Mecânica e Os PássarosBarry Lyndon e Vertigo. Kubrick e Hitchcock entraram para a história. Assim como David Fincher, que perdeu para Hooper, também vai entrar futuramente por ser um cineasta fantástico. Agora o Tom Who... Duvido que alguém vá lembrar dele daqui a alguns anos. Talvez ele seja recordado como o cineasta que nos fez dormir mais rápido com seus filmes.

Eddie Murphy perdeu o Oscar de ator coadjuvante por Dreamgirls em 2007 por cometer a estupidez de lançar Norbit pouco tempo antes da premiação. Quer dizer que a comédia escatológica e desnecessária que ele estrelou, por acaso, estragou sua interpretação em Dreamgirls? Não na verdade. A performance dele continuava ótima, mas a Academia sentiu vergonha em premiar o ator de Norbit.

Eddie Redmayne, que sorte você teve da Academia não ficar sabendo de O Destino de Júpiter :)

Para ganhar um Careca Dourado, é necessário se comportar durante o ano. Sua imagem está em jogo. Para assegurar a campanha, a reputação precisa ser impecável (não importa os vexames e escândalos dos anos anteriores, eles já foram esquecidos). É necessário comparecer a todos os jantares, festinhas, screenings, fazer um social filha da mãe. Tem que fazer o bom moço ou boa moça. A Academia premia os filmes para a família. Aqueles que não incomodam, mas também não causam comoção. Aqueles corretos que não dividem o público entre ama-se e odeia-se. Não é bem o caso do vencedor deste ano, mas em 97% dos casos, é exatamente assim.

Como eu falei, não tem nada de injustiça. Mas como muita gente insiste nesta palavra, decidi reparar algumas injustiças do Oscar só na brincadeira. Estou em boa companhia pra fazer isso. Chamei a Meryl Streep, a Emma Stone, o Miles Teller, a vice-Miss Amazonas e o Kanye West... Well, nem tão boa companhia assim. Mas chega de conversa e vamos lá!

Olhando em retrospecto os vencedores do Oscar de Melhor Filme...