[Filme aos domingos] Caché


Para quem está habituado ao cinema de Michael Haneke, sabe que ele é fiel ao estilo que o consagrou. É um cineasta com uma identidade bem definida. Longos planos estáticos, cortes abruptos, câmeras subjetivas, ausência de trilha sonora, narrativa seca e crua são elementos recorrentes em suas obras. Em Caché, não é diferente. Todos estes itens corroboram a sensação de aflição que permeia o filme e acompanha personagens e espectadores durante toda a trama. E assim como em outros títulos que compõem sua filmografia, Caché também retrata personagens da classe média em situações de desespero e paranóia, à beira do abismo. Inicialmente temos acesso à rotina frívola de um prestigiado apresentador de televisão ao lado de sua família, que começa a receber telefonemas anônimos e desenhos perturbadores, além de fitas de vídeo cujo conteúdo são fatos corriqueiros de sua vida. Tudo de um caráter doentio. Seu perseguidor, parece acompanhá-lo em cada um dos espaços que ele frequenta. A trivialidade cede lugar a um fato trágico após o confronto com o passado e uma realidade inesperada. O protagonista se sente coagido por ter culpa e por carregá-la durante anos, tentando enterrá-la de alguma forma em seu íntimo. Haneke utiliza o choque e a violência como mecanismos que orientam seus personagens e conduzem sua trama produzindo um impacto gráfico que contrasta com a constante sutileza e elegância de sua câmera. Também explora espaços fechados tirando bom proveito de seus cenários, atentando para a riqueza dos detalhes e transmitindo ao espectador uma sensação inevitável de claustrofobia. Como de praxe, o diretor nos faz voyeurs, espiando a interação entre os personagens de longe, sempre à distância. Em dado momento, nos fazendo sentir intrusos e um tanto constrangidos ao adentrar um universo de segredos tão aterradores. Outro dos achados deste longa, é mostrar diferentes ângulos de uma mesma sequência, não só apresentando uma outra perspectiva da cena, como tornando mais claro o seu objetivo com este filme. O final inconclusivo pode soar frustrante para aqueles que não compreendem aonde Haneke quis chegar. Muito mais do que apontar culpados, o cineasta quis mostrar a consequência da causa, a ação da reação. O que ocorre quando somos confrontados com o passado e o sentimento de culpa. Quais são os nossos limites e como podemos perder o controle sobre nossas próprias atitudes e mesmo sobre nossas próprias vidas. 

[A vida, o universo e tudo mais] A arte do spoiler

Hitchcock não via graça ou emoção em whodunit 
Alfred Hitchcock não gostava de whodunit - um recurso narrativo cuja tradução livre para o português pode ser "quem matou?" - consiste em fazer com que o público tente desvendar quem é o assassino da obra, tendo como base pistas espalhadas no decorrer da trama. O mestre do suspense achava que o público se envolvia mais se compactuasse da identidade do assassino. Que o espectador deveria ser onisciente, saber de todos os fatos, estar informado de toda a situação, que nada lhes deveria ser omitido. Segundo o próprio: "whodunit suscita uma curiosidade destituída de emoção; ora, as emoções são um ingrediente necessário ao suspense".

Longe de mim querer discordar de Hitchcock (quem sou eu?), mas creio que ler um livro ou ver um filme não tendo conhecimento da identidade do assassino é uma experiência tão enriquecedora em termos de entretenimento quanto consumir obras de ficção informado sobre a situação em sua totalidade, isto é, sabendo de todos os pormenores da trama, inclusive quem é o assassino.

Os suspeitos de Bryan Singer: Qual deles é Keyser Söze?
Obviamente serão duas experiências diferentes. Tomemos como exemplo o filme Os Suspeitos de Bryan Singer. Na primeira vez em que você o assiste, a revelação de quem é Keyser Söze só chega nos derradeiros momentos. Durante toda a sessão, a preocupação foi tentar desvendar o enigma, atentando para os detalhes. Se for assisti-lo uma segunda vez, de forma alguma seus méritos terão se reduzido. O filme continua ótimo. A diferença é que agora já sabemos quem é  Keyser Söze, então fica mais fácil se concentrar neste personagem, reparar em nuances que tínhamos deixado passar da primeira vez, atentar para sua sagacidade,  nos impressionarmos com sua frieza e calculismo e percebermos o quão bem construído o personagem é.  As coisas farão mais sentido da segunda vez. Isto porque estaremos mais concentrados em estudar o personagem e suas ações, ao invés de procurar pistas que nos levem a descobrir quem é Keyser Söze.

Talvez o exemplo não seja, assim, tão feliz, porque para espectador atento, metade deste filme basta para já se ter uma forte suspeita de quem é Söze. É um filme que funciona melhor da primeira vez por conta do escopo do roteiro e da estrutura narrativa, mas uma segunda, como eu disse, serve para examinarmos melhor o personagem - brilhante, diga-se de passagem - que é o que move a trama.

E eu vou aqui lhes revelar quem é Söze:

Alerta de spoiler! Fechem os olhos, cubram os ouvidos, fujam!
É o Kevin Spacey, pronto! E se você não sabia disso, o que está fazendo da vida que ainda não viu Os Suspeitos? Garanto que é bem melhor do que ler este blog.

Acabei de dar um spoiler...

Bem, spoiler é o assunto de hoje. De acordo com Henry Jenkins, naquele livro maravilhoso Cultura da Convergência (que todos os aficionados em cultura pop DEVERIAM ler):
A palavra spoiling começa lá atrás - ou pelo menos até onde se consegue ir para trás - na história da Internet. O spoiling surgiu do desencontro entre as temporalidades e geografias dos velhos e novos meios de comunicação. Para começar, as pessoas da Costa Leste viam uma série de TV três horas antes das pessoas da Costa Oeste. Algumas séries eram exibidas em noites diferentes, em mercados diferentes. Séries americanas eram exibidas nos EUA seis meses ou mais antes de estrear no mercado internacional . Enquanto as pessoas de diferentes lugares não conversavam entre si, cada uma delas tinha uma experiência em primeira mão. Mas, uma vez que os fãs passaram a se encontrar on-line, essas diferenças de fuso horário se avultaram. Alguém da Costa Leste entrava on-line e postava tudo sobre um episódio. E alguém na Califórnia ficava irritado porque o episódio tinha sido "estragado" ("spoiled"). Então, quem postava uma mensagem começava escrevendo a palavra "spoiler" na linha do assunto, para que as pessoas pudessem decidir se iriam lê-la ou não.
Segundo Amer (deste blog sensacional que todos deveriam conhecer):
A molecada de hoje reclama quando UM PÔSTER revela um personagem novo para a nova temporada de uma série, tudo é spoiler pros badernistas de hoje. Nenhum desses putos ia sobreviver nos anos 1990!
Concordo plenamente. Basta analisarmos os comentários no Orangotag, uma rede social que permite que marquemos os episódios que já assistimos de uma série para termos controle do que vemos e não nos perdermos no meio de tantos seriados que acompanhamos ao mesmo tempo.

Sempre que vou lá, fico impressionada com a falta de conhecimento das pessoas sobre o que é spoiler.

Spoiler caracteriza revelações surpreendentes do enredo, fatos drásticos que podem vir a modificar de maneira significativa o nosso entendimento sobre a narrativa, ou o rumo do episódio ou da trama. Revelar quem é o assassino de um "whodunit" é um spoiler terrível para quem não quer saber deste fato, para quem pretende desvendar sozinho, para quem quer se impactar com a surpresa. Dizer quais personagens morrem e como morrem em episódios futuros é um puta spoiler. Abrir a matraca para contar o rumo infeliz que os personagens vão tomar no decorrer de uma série ou de um livro é um spoiler tremendo.

Batman me representa.
Robin representa os engraçadinhos do facebook
Eu, por exemplo, fugi o máximo que pude das redes sociais no dia da series finale de Breaking Bad ou da regeneração do Eleventh Doctor para o Twelfth em Doctor Who. Isto porque eu, que possuo capacidade mental suficiente para ligar um computador, sei que redes sociais são redutos de spoilers. Especialmente o twitter e o tumblr. Eu havia decidido começar Breaking Bad apenas quando a série chegasse ao fim. Desta forma, escapei de spoilers como Michael Bay escapa do bom senso. Todo mundo sabe que o ambíguo protagonista, Walter White, morre no final de BrBa. Mas "como ele morre" é a grande questão. Eu não queria saber se ele ia morrer pelas mãos da polícia, ou de outros traficantes, ou se ia se suicidar (havia essa possibilidade), ou se morreria em decorrência do câncer. Se alguém ousasse me contar, poderia se declarar uma pessoa tão morta quanto Walter White. Por vezes eu fazia uma publicação a respeito da série no meu facebook, e surgiam sabe Deus de que buraco os inconvenientes comentar coisas como "essa série é foda, mas o melhor é o final quando ele morre, você precisa ver, ele morre depois que..." e eu parava de ler por aí e deletava o comentário.

Eu tenho um login e uma senha. Estou no meu direito de apagar comentários das minhas publicações no facebook.

O que eu gostaria de saber é por que essas pessoas acham que lançar spoiler do final de uma série para quem ainda está na metade, é tão legal? Elas estão bancando as engraçadinhas? (tem um no meu fb que realmente acha que está sendo engraçado e que é a coisa mais legal do mundo ser estraga-prazeres). Tem outra que acha que estará sendo mais inteligente se soltar spoiler nos comentários dos meus posts, que isso faz dela uma pessoa mais culta porque ela soube dos fatos da série antes de mim.

Mas é claro que você sabe, meu amor! Você assistiu a série antes de mim. Não precisa spoilar para provar isso.

Coleção de spoilers!
Eu acho que nos posts dos outros e nos groups do FB, deve-se respeitar o desejo e o pedido de quem não quer spoiler. É uma falta de educação tremenda você soltar uma revelação importante da trama, quando é sabido que a maior parte das pessoas não gosta e não quer. Que acha que isto é tão sem graça quanto revelar um truque de mágica. Perde o encanto, perde a magia. Em um grupo de séries, você deve estar ciente de que a maior parte dos membros não quer saber de revelações chocantes da trama sem antes assistir. Não custa nada avisar com uma tag e recorrer aos pontinhos
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Pronto. Resolvido. Lê quem quer. 

Mas é muito chato quando você está no meio de uma discussão sobre a série, comentando um episódio, e vem alguém e diz o que vai acontecer nos próximos quando você não perguntou nada. 

Não importa se a série é derivada de livros ou HQ's. Eu não sou obrigada a correr atrás dos materiais originais antes de ver as séries. De Game of Thrones, eu procuro spoilers. Não li os livros, ainda pretendo, mas sempre recorro a fóruns ou amigos que leram para saber qual é o destino dos personagens na obra literária, de forma que eu não sofra muito quando eles morrerem, já que costumo me apegar demais. Mas de The Walking Dead, eu não quero saber. Eu gosto da surpresa. Eu gosto da tensão de não saber quem é a próxima vítima.

Poderia ser tanto um spoiler de Game of Thrones quanto
de The Walking Dead 
Respeito no mural dos outros. Respeito nos groups.

É diferente, por exemplo, de quando as pessoas postam spoilers em seus respectivos twitters e murais do facebook. Aí não tem como reclamar. Ninguém tem controle sobre o que os outros postam em suas redes e eles podem fazer o que bem entenderem. O máximo que se pode fazer para fugir disso é dar unfollow.

Eu já fiz publicações engraçadinhas no facebook dizendo, por exemplo, que estava passando na Sessão da Tarde um determinado filme, cujo(a) protagonista morre no final. Mas estamos falando de filmes que todo mundo assistiu ou, se não, já conhece a história de trás para frente de tanto ouvir os outros falarem. Spoilers inofensivos.

E, sendo bem radical, acho que quem não quer correr o risco iminente de ler spoilers, não deveria ter tumblr e nem twitter. Ou pelo menos, aprender a utilizar recursos de filtragem para evitar esses inconvenientes. Afinal, não existe lei que proíba as pessoas de postarem spoilers. E não há maneira de você mandar mention para cada um dos usuários de rede sociais, pedindo encarecidamente que não soltem spoiler na timeline. É impossível.

Precisando urgentemente que alguém solte um spoiler
desses da minha vida
Fui alvo de indiretas por conta deste assunto duas vezes pela mesma pessoa no twitter. Da primeira vez, eu estava conversando com uma amiga acerca de uma série. E óbvio que não tinha como não dar spoilers no meio deste colóquio. Mas estávamos falando entre nós, por mention, no NOSSO twitter. Veio um ser que sofre de síndrome de velha ranzinza aguda precoce (visto que ela nem chegou aos 40 ainda), nos criticar por meio de indiretas dizendo que não adiantava ela assistir à série se já tinha spoiler de graça no twitter. Que tal se você parasse de dar atenção às conversas dos outros, querida? Se bem me lembro essa era a mesma que dizia que não lia a timeline porque achava desagradável pessoas que "conversavam" por mention como se twitter fosse msn. O dia da crítica foi, então, uma exceção à regra?

Noutra ocasião, eu sequer sabia que a criatura estava on e comentei um spoiler revoltante no MEU twitter. Isto porque quase ninguém via a série, a maioria não se interessava muito. E todos os que eu conhecia que a acompanhavam, já haviam assistido ao episódio. 

Veio a velha ranzinza com rompantes adolescentes me ameaçar por indiretas novamente. A pessoa estava quieta, sem usar o twitter há dias. COMO EU PODERIA ADIVINHAR QUE ELA ESTAVA ON NO PRECISO MOMENTO EM QUE EU DEI UM SPOILER DE UMA SÉRIE QUE QUASE NINGUÉM ASSISTIA OU SE IMPORTAVA?

Né, Cersei?
Tem sempre esses fulaninhos no twitter, os típicos que acham que todos devem pedir "permissão" a eles antes de tweetar qualquer coisa. Sim, eu acho que devemos ter bom senso. Não sou a favor dessa história de "o twitter/facebook é meu, eu posto o que quiser", pois isso vira justificativa para baderna, para gente sem educação fazer comentários desrespeitosos, ofensivos e preconceituosos sem nenhuma consciência de que está agindo errado. Pior, acham que estão certos porque "é MEU espaço, eu falo o que eu quiser". Não é bem assim. Você posta o que quiser, mas respeite o espaço dos outros. Qualquer dia desses eu falo melhor sobre isto, até porque pretendo escrever um texto sobre o comportamento de usuários de redes sociais. Mas, de fato, é por isso que o twitter vem decaindo. A gente segue as pessoas por respeito, mas não tem nenhum interesse no que elas tweetam. Não é como o facebook, que você pode simplesmente tirar as pessoas do seu feed sem precisar exclui-las de sua lista de amigos. E, sinceramente, porque a gente usa twitter mesmo? Pra ficar falando que vai tomar banho, jantar, trocar de roupa, ver um filme, enfim... dar spoilers desinteressantes de nossas vidas desinteressantes...

A questão é, não quer ler spoiler? Então não tenha twitter. Ou tenha, mas use o global filter. Melhor invenção da história das redes sociais. E o melhor conselho que eu posso dar para os anti-spoilers: NÃO TENHAM TUMBLR! 

Nunca vou entender quem odeia spoiler e tem tumblr. Sinceramente!

É como se eu, hater assumida do Ashton Kutcher, começasse a comprar os DVDs dos filmes dele. Não tem cabimento. 

Mas o tumblr também conta com recursos de filtragem, então não reclamem!

Eu falei do orangotag mais acima, e como é incrível que lá tudo é spoiler. Se alguém aparece comentando que no começo de um episódio de uma determinada série, o personagem X deu "oi" pra personagem Y, já vem a galera marcar o comentário como spoiler, dar lição de moral e iniciar a Terceira Guerra Mundial.

Pode ser um spoiler. Mas também pode ser só alguém dizendo que o Tyrion
espirrou nesse episódio de Game of Thrones
Vamos deixar uma coisa bem clara: você não querer saber NADA a respeito de um episódio, nem quem deu "boa tarde" para quem, não classifica automaticamente os fatos triviais da trama como spoilers, ainda mais quando estão sendo comentados em uma rede social na qual um dos objetivos é justamente conversar sobre séries. E se você não quer saber NADA sobre o episódio, ASSISTA antes de entrar no site. Quem está sendo tolo (olha que estou procurando ser gentil) é você mesmo que sabe que pode se deparar com um spoiler (ou mesmo com um fato trivial que você não quer saber) sendo comentado ou debatido, e comete a bobagem de ler a discussão de outros espectadores por lá.

De novo: spoiler designa revelações impactantes sobre o enredo. Fatos que podem alterar todo o curso da trama. Coisas chocantes cujo objetivo é exatamente o espectador assistir para descobrir.

Um personagem dar "bom dia" para outro, ou almoçar com ele, ou tropeçar na rua, ou aparecer com roupa amarela, ou com tênis Nike, ou acessar o google durante a trama NÃO é spoiler.

Como uma imagem diz mais do que mil palavras, eu aderi ao conceito de que um gif deve valer mais do que mil imagens. Portanto, darei exemplos em gifs do que é spoiler e o que não é, uma vez que somos parte de uma cultura extremamente visual, cujo grafismo torna tudo mais fácil de assimilar, vamos lá:

Isso é spoiler:



Isso não é:



Entendidos?

*Salut!*


[A vida, o universo e tudo mais] O beijo

Eu esperei passar todo o frisson em torno do polêmico beijo gay da novela Amor à Vida para finalmente fazer este post...

... Mentira, eu sou preguiçosa e fico protelando as coisas. Já era pra eu ter escrito este artigo há semanas, mas eu sou assim e creio que não vou mudar.

Mas como esse beijo não vai soar anacrônico tão cedo, vamos lá!

A cena



O ator Mateus Solano, que protagonizou o momento já considerado histórico da televisão brasileira, chamou de "beijo Tarcísio Meira", que é aquele de boca fechada, porém longo. Não houve nada de arrebatador, além do que o beijo representava. Foi uma cena simples, esteticamente bonita, inocente até, uma demonstração pura de afeto. 

Reações (ou "fecha todas as internet")

A geração twitter vibrou. Não só o público homossexual, como a galera mente aberta, desprovida de preconceitos, acostumada com os beijos entre pessoas do mesmo sexo nas séries americanas e que lê fanfics slash há quase uma década. O gayjo bay representou o respeito à diversidade sexual, além de que a televisão brasileira parou de ignorar o fato de que gays se beijam na boca sim, e que não devem ser reduzidos a simples e bizarros estereótipos que tanto nos acostumamos a ver em lixo televisivos como Zorra Total - no qual o homossexual é alvo de piadas maldosas e de péssimo gosto - que só servem para fomentar ainda mais o preconceito existente e a falta de respeito a seres humanos que se relacionam com pessoas do mesmo sexo. Os gays deixaram de ser figuras caricatas e foram mostrados de maneira humana. E o mais importante, se beijando. Afinal, gays tem contato físico, Rede Globo. Quem já viu esse vídeo sabe o motivo de eu estar falando isso.

Outra coisa: para além de fatores políticos e sociais, está o fato de que as pessoas torceram genuinamente pelo casal. Eles tinham química, combinavam, eram o par mais bonitinho da novela. Bem, com uma sonsa como protagonista e um galã que não sabe atuar como seu par romântico, não era difícil que as atenções fossem todas desviadas para outro casal, não é mesmo? Diante da dinâmica e interação entre os personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso, não tinha como não torcer por eles e pela sua felicidade como casal.

Mas o pessoal do facebook...


O facebook te dá a liberdade de se expressar em muito mais do que 140 ectares. Talvez pela falta de compreensão de como manusear uma ferramenta como o twitter (ainda considerado confuso por essas pessoas), os retrógrados estão todos espalhados pelo facebook, com seus discursos enfadonhos, ultrapassados e, obviamente, preconceituosos. Algo que eles chamam de "conservador", apenas pra enfeitar o pavão. Não vou mentir que no twitter não tenha pessoas dessa estirpe. Mas é mais comum vê-las no facebook. Pelos trending topics (os assuntos mais comentados do microblog), percebemos que a maioria era a favor do beijo, subiram tag e ela foi tweetada à exaustão. Mas no facebook, era tanta gente contrária. se opondo, dizendo que se sentiu ofendido e desrespeitado. Sem perceber, no entanto, que com seu discurso opressivo e de ataque aos homossexuais, quem estava agindo de maneira desrespeitosa eram eles mesmos.

Como são contraditórios esses "conservadores".

A justificativa de que uma cena de beijo entre dois homens "destruiria as famílias brasileiras" é tão absurda que não merece nem uma linha de comentários...

Mas vou fazê-los do mesmo jeito.

Após o beijo da novela, não vi nenhuma família se desfazer. Todas as que eu conheço permanecem intactas. Não ouvi nenhum caso de pai de família que abandonou mulher e filhos por conta de um beijo entre dois homens em uma novela. Nem mesmo que algum filho abandonou os pais e irmãos por conta da tal cena. E duvido que algum homem que fez o pedido de casamento semanas antes à namorada, tenha voltado atrás em sua decisão e dito a ela: "depois do beijo gay na novela, decidi que não quero me casar com você, querida. Pode dizer a todos para apagarem a data do nosso casamento de suas agendas. Agora eu to a fim de pegar aquele seu primo sarado".

Conhece algum caso do tipo? É, eu também não.


Outra coisa ilógica e usada exaustivamente como justificativa pelos conservadores é a tal da influência. Creio que foi no programa Encontro com Fátima Bernardes que ouvi jornalista dizer que crianças não deveriam ver esse tipo de coisa na TV, na rua ou em qualquer outro lugar, porque eles não tem discernimento e isso pode afetar e influenciar suas "escolhas". Nem preciso dizer que ela usou o famigerado "opção sexual".

No mesmo programa, ouvi um comentário interessante e engraçado, "falam muito em tendência a ser gay. Gente, não é Fashion Week".

Não.É.Fashion.Week.

Melhor comentário ever!

Engraçado que crescemos com o modelo familiar tradicional representado nas novelas por um pai trabalhador, uma mãe dona de casa e seus filhinhos perfeitos que, quando crescem, viram machos reprodutores que pegam todas as meninas da novela em altas cenas picantes e impróprias para o horário. E esse clichê da teledramaturgia jamais impediu que muitas pessoas que cresceram assistindo isso, descobrissem sua homossexualidade.

Não é uma obra de teledramaturgia que vai definir sua sexualidade. Se as pessoas fossem viver em função de telenovelas, basear suas vidas nelas, agora estariam todas morando no Leblon, mudando seus nomes para Helena e ouvindo bossa nova no iPod enquanto caminham pelo calçadão em plena tarde ensolarada de quarta-feira.

A teledramaturgia não reflete a nossa realidade. Muito pelo contrário. A realidade representada neste tipo de ficção está muito distante da nossa. Dificilmente o público consegue se identificar com os personagens, pois são extremamente limitados, estereotipados, bidimensionais, que passam por situações muito distintas do que as que vivemos em nosso cotidiano. Ninguém na vida real é tão oco e pouco complexo. De modo que é impossível condicionar nossas vidas de acordo com telenovelas.

Falando bem a verdade, todo mundo sabe disso. As pessoas apenas não assumem. Usam o argumento infundado de que "beijo gay" não pode, pois confunde a cabeça das crianças que assistem  e pode influenciá-las a fazer o mesmo e optarem por ser gays (como se fosse realmente uma escolha) unicamente como um meio de tentar justificar seu preconceito de alguma maneira que, na cabeça dessas pessoas, é perfeitamente cabível.

Só que não é.

Violência pode. Uma cena de afeto e respeito entre duas pessoas do mesmo sexo, não!

Esse caso de Amor à Vida foi particularmente engraçado. Vimos, ao longo da novela, um mesmo homem trair sua mulher um sem-número de vezes; uma psicopata tentar matar o amante de várias maneiras possíveis; uma mulher ser vítima de bullying por estar acima do peso; criança recém-nascida sendo jogada em caçamba; cenas de chantagem, humilhação, golpes, facadas, ...


Mas tudo isso passou despercebido pelos olhos do público. De forma alguma essas cenas poderiam incitar a violência no público telespectador.

E eu concordo. Não é por conta de filmes, telenovelas, seriados, videogames que as pessoas desenvolvem seu lado psicopata. Acho que esta é uma justificativa banal, que só existe mesmo para eximir o real culpado de qualquer culpa e jogá-la toda na cultura de entretenimento. Assim, se eu por acaso achasse de sair cortando as cabeças das pessoas com espadas por aí, a culpa não seria minha, do meu desequilíbrio mental, e sim do Quentin Tarantino! Prendam ele agora!!!

Eu, por exemplo, costumava descarregar a raiva que sentia de um professor em um jogo de computador, no qual eu fazia as vezes de um franco-atirador e saia baleando homens de terno e gravata que saiam de carrões de último tipo. Como fazia bem. 

Mas nunca encomendei armas e cheguei na faculdade disposta a assassinar meu professor.

Abro um parênteses aqui para dizer que, sim, acho que obras de entretenimento são capazes de passar mensagens que, nós, leitores ou espectadores, levamos conosco pelo resto da vida. Que contribuem sim para a nossa aprendizagem especialmente quando somos crianças ou adolescentes. E que existem mensagens perigosas sendo transmitidas por inúmeras obras. Mas não creio de forma alguma que uma cena de filme, série ou novela, ou uma passagem de um livro, possa moldar totalmente a nossa personalidade. Nós podemos até imitar ações de nossos personagens favoritos quando somos pequenos. Contudo, não vamos crescer acreditando que somos aquele determinado personagem. Uma hora ou outra, mais cedo ou mais tarde, vamos descobrir quem realmente somos e não influenciados por um produto da cultura pop. Se estamos projetando nossas vidas em alguma ficção, em alguma fábula, então deve haver algum problema conosco. Muitas vezes o que falta mesmo é viver um pouco mais a realidade. Em outros casos, uma ajuda psicológica cai bem (falo, pois já vi casos problemáticos em fandoms que precisavam de uma coisa ou outra). Mas não há quem possa me convencer de que uma obra vai orientar sua sexualidade ou aflorar no público um instinto violento.

Portanto, essa questão de obras de entretenimento escapista exercerem influência sobre nossas personalidades, nosso comportamento, de modo tão determinante, eu dispenso.

Voltando ao assunto, houve uma overdose de cenas violentas e personagens mau-caráter na trama de Walcyr Carrasco que passaram completamente despercebidos pela maioria dos "conservadores" ao longo de toda a sua exibição. No entanto, bastou chegar o último capítulo da novela e acontecer o tão aguardado beijo entre dois homens e pronto! Tudo o que foi ignorado ao longo de quase um ano em que a trama esteve no ar, veio à tona.


Daí você faz uma postagem no facebook dizendo que adorou o beijo gay e o que acontece? Surgem pessoas vindas de todos os cantos e buracos, que já nem falavam mais com você na rede social, e começam a vomitar seus discursos vazios, falando que beijo gay é o cume da depravação na TV, acostumada a alienar pessoas com cenas de violência e sexo. Ou, pior, o foco do post é o beijo, e as pessoas fazem comentários dizendo que a novela foi um péssimo exemplo para o público pelas cenas de violência, degradação da sociedade, chantagem, traição e... beijo gay. Este último com grifo e em caixa alta. Como se fosse a pior coisa da novela.

Engraçado que daí lembraram de criticar outros aspectos, como as cenas violentas? Algo que não fizeram durante toda a exibição da trama. Pior: colocam beijo entre dois homens no mesmo patamar de crimes como assassinato, roubo e agressão física e moral. A cereja no topo do bolo foi me acusaram de estar fazendo apologia ao crime.

Sim, porque eu dizer que gostei do beijo gay, automaticamente me faz ser conivente e apoiadora do assassinato, do adultério, da extorsão.

Sim, porque se eu apoio uma cena que simboliza a degradação da sociedade, a falta de moral, o desrespeito à família brasileira, então eu também apoio corrupção, sequestro e violência.

Faz todo o sentido do mundo.

Não faz?

Cê tem certeza que o nome é homofobia?



Fobia vem do grego e significa medo. Mas as reações extremas e negativas e de repúdio ao beijo gay, me provaram mais uma vez que o negócio não é medo. É raiva, é ódio.

Nunca vou ser capaz de compreender como as mesmas pessoas que fazem discursos inflamados de que está faltando amor entre os seres humanos, paz e Cristo no coração de todos, são os mesmos que estão manifestando opiniões de ódio e intolerância aos gays. 

Mas comassim? 

Pregam o amor, falam excessivamente de Deus misericordioso e são os mesmos que desejam que os gays morram no fogo do inferno como castigo de Deus Todo Poderoso por suas práticas pederastas e depravadas? 

Mas que Deus tirânico  é esse, e que só ama os filhos hétero? Que amor é esse? Amor seletivo, destinado apenas aos heterossexuais, pois gays não merecem ser amados? 

Falta coerência a essas pessoas. Gays são tão ou mais humanos do que quem busca o paraíso desejando o inferno para os "filhos depravados", os donos da verdade que creem ser porta-vozes de Deus, que não tem o mínimo entendimento do que são os princípios básicos do respeito ao espaço e liberdade do outro. 

Mas até compreendo de certa forma o nome "homofobia". Afinal, as pessoas não querem beijo gay na novela por conta da tal influência. Homossexualidade é contagiosa, pega em um simples toque ou se você dividir o mesmo banheiro com um gay. Beijos gays na novela vão provocar uma revolução homossexual, é o início da ditadura da viadagem, quando vão encorajar todos a liberarem a bicha que existe dentro de nós e os meios de comunicação vão nos hipnotizar e fazer com que todo mundo vire gay. O mundo será gay! O medo destas pessoas é serem contaminadas com o vírus da homossexualidade. 

Nossa! E eu achando que elas eram seguras de sua heterossexualidade... Quer dizer que elas tem células gays que podem começar a se alastrar por todo seu organismo se um beijo gay de repente acontecer na novela?

Parei!

Só vou dizer mais uma coisa para os homofóbicos de plantão: Você não precisa gostar dos gays e, tampouco, dividir sua cama com eles. Basta respeitá-los. Não é tão difícil, é? Se os conservadores querem tanto a paz e felicidade, comecem a conviver em paz com seus semelhantes independente de raça, credo ou sexualidade.  Se soubermos respeitar a todos e prezar pela convivência pacífica, estaremos caminhando rumo a um mundo melhor. 

Ensinar nossos filhos de que o que importa não é a sexualidade da pessoa e, sim, o seu caráter, é a verdadeira revolução.


O beijo gay não deveria ser chamado de beijo gay. Deveria ser visto apenas como um beijo.

É novidade no horário nobre da Rede Globo. Nunca antes na história da teledramaturgia da emissora houve uma cena dessas. É comum que, para distingui-la dos beijos entre casais héteros que existem deste a primeira novela da televisão brasileira, exibida em 1951, classifiquem-no como beijo gay. Mas espero que, com o passar do tempo, quando essa cena se tornará uma constante e não venha a chocar mais ninguém, nem cause mais comoção nacional e frisson nas redes sociais, se torne tão comum que seja visto apenas o beijo entre este e aquele personagem. Simples assim.


É claro que eu participei do surto no twitter e no facebook, mas foi um momento de conquista e realização para tantos amigos queridos que vem lutando há anos para que a mídia (especialmente uma emissora tão popular e assistida) os veja como seres humanos e não como aliens, anormais, aberrações, ou sua sexualidade como patologia, ou pior, motivo para zombaria em plena rede nacional. Sim, isso me comoveu. Ver um casal homossexual ser tratado com dignidade, como seres humanos. Isso foi maravilhoso. Apesar de toda a falta de coerência e das verdadeiras crateras no texto de Amor à Vida, dou esse mérito a Walcyr Carrasco que soube construir, aos poucos, esse casal que caiu nas graças do público e, claro, aos atores carismáticos que levaram a sério e defenderam seus personagens com paixão e dignidade. 

E vocês sabiam que tem fanfics e fanvideos deles por aí? Pois é.


Não perca, em um próximo post perto de você, um texto sobre a evolução do tema "homossexualidade na teledramaturgia brasileira". Mas não, eu não sei quando eu vou postar. Todavia, já estou trabalhando nele ;)

Até lá!

*Salut*


[Filme aos domingos] Donnie Darko


Um dos meus prediletos. A história, a princípio, pode soar um pouco bizarra, mas para quem se deixa levar pelo enredo, certamente vai se sentir tocado ao final desta pequena pérola dirigida por Richard Kelly e que se tornou um celebrado cult ao longo dos anos.

Donnie Darko, em muitos aspectos, é uma ficção científica, pois trabalha com o conceito de viagem no tempo, que é o que dá fundamento e rumo à história. Mas também é um suspense, vide o sinistro e profético coelho gigante que desenvolve uma estranha relação de amizade com Darko. Em muitos momentos, o tom bem-humorado faz do longa uma comédia de situação, com diálogos inteligentes e afiados. Também é uma história de amor terna entre dois desajustados e misteriosos personagens. Ao mesmo tempo, parece ser um exercício de nostalgia que presta um tributo aos filmes dos anos 80, com seu estilo e temática.

Donnie é um garoto inteligente, mas problemático.  Para falar bem a verdade, ele é esquizofrênico, possui um temperamento agressivo, tem poucos amigos, é estranho e quieto na escola. Certo dia, em um de seus costumeiros ataques de sonambulismo, ele sai da cama e, já fora de sua casa, se depara com um coelho gigante chamado Frank que o avisa que o mundo vai acabar em 28 dias. Graças a esta intervenção do bizarro coelho, Donnie escapa da morte, pois bem neste momento, uma turbina de um avião vinda não se sabe de onde, despenca sobre seu quarto, o destruindo. A partir daí, começa uma contagem regressiva para o fim do mundo e Donnie se envolve em uma série de estranhos eventos influenciado pelo seu novo e incomum amigo.

A história é ambientada nos anos 80 e a reconstituição da época é perfeita, amparada pela trilha sonora que inclui clássicos daquela década (Duran Duran, INXS e Tears For Fears), torna tudo ainda mais autêntico. Darko é um personagem extremamente bem construído, complexo e cativante. Em muitos sentidos, lembra um herói de histórias em quadrinhos (até por conta das iniciais de seu nome) que possui um alterego sombrio. Interpretado por Jake Gyllenhaal, talvez seja o melhor papel da carreira do ator, e que a definiu durante um longo tempo.

O apanhado de referências espalhadas ao longo do filme vai de De Volta Para o Futuro E.T. – O Extraterrestre a Stephen King,  David Lynch (as pistas escondidas pela narrativa e o fato de que tudo está conectado) e o cinema que John Hughes realizava há três décadas.

O filme termina com uma sequência maravilhosa embalada por um cover que Gary Jules fez de Mad World da banda Tears For Fears. Eis um caso de cover que ficou melhor (bem superior, aliás) do que o original. Dá até para acreditar que o roteiro foi escrito com base na música. Este é apenas mais um dos itens deliciosos e memoráveis do longa. Com uma premissa instigante, uma narrativa repleta de reviravoltas, um ritmo fluido e agradável e personagens encantadores que conquistam nossa simpatia de imediato, Donnie Darko merece o status de cult ao qual foi alçado. 

[78 Rotações] Dezesseis anos de melancolia britânica


Desde pequena eu ouvia The Smiths na rádio. E é bem possível que eu tenha conhecido Blur e Oasis antes disso. Mas costumo dizer que, oficialmente, meu primeiro contato com o melancólico britpop data de 1998, quando ouvi pela primeira vez a música "Fake Plastic Trees" do Radiohead que, para mim, representa a essência do gênero. Foi na voz deprimida e perturbada de Thom York que eu descobri que poderia ouvir aquilo para o resto da vida sem jamais enjoar ou reclamar.

Há poucos dias, resolvi fazer maratona da série britânica My Mad Fat Diary, aconselhada por duas amigas muito queridas que, inclusive, compõem o pequeno time de membros deste blog, Lilian Alipio (do Radioactive) e a multifandômica Márcia "Maah" Campelo. Não foi difícil, uma vez que ela está em sua segunda temporada e a primeira é constituída apenas de seis episódios. Preciso dizer que vale muito a pena. Em maior ou menor grau, creio que todo mundo se identifica de alguma forma com a protagonista e sua trupe de amigos.

O mais legal: a série é ambientada nos anos 90. A década em que eu cresci e que tinha tantas coisas boas... Por mais que os oitentistas teimem que os 80 foram muito mais incríveis e que não há nada nos anos 90 que valha a pena lembrar, pois foi uma década ultra sem graça...

Vejamos... Os desenhos de super-heróis eram melhores nos anos 90, vide Batman e X-Men (visual ruim, mas roteiro bacana). Aliás, tinha uma enxurrada de desenhos animados maravilhosos nessa época: Doug, O Fantástico Mundo de Bobby, Daria, Tintin, Cavaleiros do Zodíaco Yu Yu Hakusho... O que me faz lembrar que mangás e animes se tornaram um verdadeiro hit aqui no Brasil exatamente nessa década. Surgiu Arquivo X, a melhor série de todos os tempos, nos anos 90. Quentin Tarantino despontou com Cães de Aluguel e Pulp Fiction. Bryan Singer dirigiu Os Suspeitos. David Fincher, Clube da Luta e Seven. A música dessa época era muito boa: Smashing Pumpkins, Nirvana. The Verve, PJ Harvey, Supergrass, Foo Fighters, Pavement... bandas como Mamonas Assassinas, Skank, Pato Fu, Raimundos e Charlie Brown Jr. iniciando suas carreiras. As boybands eram uma verdadeira febre...

Qual é? As boybands dos anos 90 eram legais, sim! Backstreet Boys é muito mais audível do que One Direction. E tenho dito!

Ok, eu posso estar me deixando levar pela nostalgia, admito...


O mais importante é que na década de 1990, o rock britânico radiofônico depressivo e pessimista estava no auge, com bandas que eu já mencionei pelo texto, e cujos principais expoentes foram Oasis e Blur. Inimigos naturais desde sempre. Preciso dizer que prefiro Blur.

Diz-se por aí que o british pop foi a resposta dos ingleses ao grunge americano.

Bem, outro dia eu faço um texto melhor sobre My Mad Fat Diary e outro sobre a década de 90. Afinal, ela merece ser enaltecida tanto quanto os anos 80. Porém, o assunto de hoje são as bandas britânicas, inclusive boa parte das que compõem a trilha sonora da série My Mad Fat Diary.

Abaixo, eu listei alguns dos videoclipes das músicas que fazem parte da soundtrack do supramencionado seriado:

Radiohead- "Fake Plastic Trees"

Oasis -"Champagne Supernova

Blur - "To the End"

Blur - "The Universal"

PJ Harvey - "Down by the Water"

The Verve - "So It Goes"

Suede - "The Chemistry Between Us"

Suede - "Beautiful Ones"

Pulp - "Sorted out for E's and Whizz"

Radiohead - "High & Dry"


Prometo fazer um post sobre a trilha sonora de Girls, da HBO, em breve.

Até!

[Filme aos domingos] Caçadores de Obras-Primas


Baseado no livro de Robert M. Edsel, The Monuments Men: Allied Heroes, Nazi Thieves, and the Greatest Treasure Hunt in History, o quinto longa da carreira de George Clooney como cineasta, narra a operação de uma unidade militar especial designada pelo governo dos EUA a recuperar obras de arte roubadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

O longa parte de uma premissa que, se bem explorada, poderia render uma história interessante. Ainda conta com o carisma e talento de um bem selecionado elenco que traz nomes como Matt Damon, Cate Blanchett, Bill Murray, Hugh Bonneville, Jean Dujardin além do próprio Clooney. Sem contar os méritos da direção de arte que presenteia o espectador com um primoroso trabalho de reconstituição de época.

É uma pena que todos esses elementos sejam desperdiçados em um narrativa arrastada e com um senso equivocado de auto-importância que fazem o filme parecer longo demais e até desnecessário. É lamentável como Caçadores de Obras-Primas não acerta no tom. Falha tanto quando a história requer dramaticidade e emoção quanto no timing cômico. Não há equilíbrio, não empolga e diverte pouco. Pra completar, o comumente ótimo Alexander Desplat erra a mão na partitura com temas pouco inspirados, que apelam para o sentimentalismo barato, e acabam por dar um ar demagógico e manipulador ao enredo.

É no mínimo estranho, pois estamos falando de um filme de um diretor deveras competente, mesmo que com uma filmografia irregular. E o charmoso elenco bem que poderia sustentar a história, mesmo não sendo bem conduzida. Mas não é o caso. O pior é o fato de que durante a projeção, aqui e ali, a vontade de dar mais uma chance (pensando que em algum momento ele vai encontrar o tom adequado) é grande. É um filme que a gente quer gostar, mas nem toda boa vontade do mundo faz com que ele seja funcional. Prometendo demais e cumprindo de menos, a impressão que prevalece após a última sequência (clichê e melodramática) é a de puro desperdício.

O filme se encontra em cartaz nos cinemas.

[A vida, o universo e tudo mais] Destrua Este Diário - Parte 1

Ganhei de uma amiga muito especial, a Monique Lima - que inclusive está ali na lateral direita, dentre os membros do blog :)

Foram poucas as destruições por enquanto, mas o processo tem sido bem divertido. Não só é um retorno delicioso à infância, como uma boa forma de aprender a exercitar o desapego (que é algo que eu preciso muito!). Afinal, imagina o livro chegar lindo pelo correio, um presente de uma amiga tão querida, e você ser obrigado a destrui-lo? manchá-lo com tinta, terra, saliva, cola e outras substâncias improváveis? costurá-lo, rabiscá-lo, molhá-lo, arrancar páginas, etc... Mas, depois da primeira tarefa escolhida, a destruição flui que é uma maravilha. 

Abaixo, algumas das tarefas colocadas em prática:

Tarefa #1: Marcas de mão ou impressões digitais


Tarefa #2:  Escrever de trás para a frente

(O texto é uma passagem clássica do livro O Encontro Marcado de Fernando Sabino)


Tarefa #3: Desenhar linhas e borrá-las

(Breaking Bad domina minha mente)


 Tarefa #4: Costurar a página


Outro dia eu volto com mais destruições ;)

*Cheers*