[Espaço Criativo] Hotéis no cinema

Para ler ouvindo: Hotel by Moby

Nem eu mesma conheço a procedência do meu fascínio por hotéis. Mas deve vir da cultura pop. O Mistério do Cinco Estrelas de Marcos Rey era um dos meus livros favoritos na infância e, confesso, era fã daquele segmento criado por Roberto Gómez Bolaños (o Chaves) que se passava em um hotel, o Chompiras :)

O hotel onde vou me instalar, seja por um fim de semana ou por um pouco mais do que isso, é um dos itens fundamentais e que requer maior atenção nos meus roteiros de viagem. Eu sou uma pessoa bem incomum, admito. Eu prefiro a viagem em si do que o destino final. Me preocupo mais com o hotel em que vou me hospedar do que desbravar o lugar que estou conhecendo.


[Café com páginas] Simulacron 3



Daniel F. Galouye não figura na lista de autores aclamados do gênero ficção científica como Arthur C. Clarke ou Isaac Asimov. Nem mesmo teve sua obra reconhecida postumamente como Philip K. Dick. E, infelizmente, nem parece correr o risco de vir a ser redescoberto por uma nova safra de leitores aficionados por sci-fi. Talvez seja pelo fato de não possuir a mesma energia narrativa transformadora, o texto denso e complexo dos demais citados. Mas, ainda assim, vale a pena dar uma oportunidade e descobrir sua obra. O conceito de simulacro - de um universo simulado e artificial que imita a realidade - já é interessante por si só. Soma-se a isso uma boa construção de enredo que fisga o leitor de imediato, deixando-o curioso desde as primeiras páginas para conhecer o desdobramento dessa intrigante história, e temos um livro digno de se ter na estante. A narrativa acompanha o protagonista Douglas Hall que se vê confuso e aterrorizado diante da descoberta de que vive em um mundo virtual, falso, que apenas reproduz a realidade, criado artificialmente com o propósito de se estudar a natureza humana. Ainda mais curioso é o fato de a população deste universo simulado ter desenvolvido seu próprio simulador de ambiente. Isto é: um mundo virtual dentro de outro mundo virtual. E isso anos antes de Christopher Nolan lançar seu Inception. Paralelamente, há uma interessante trama política - fator que aciona as suspeitas do protagonista a respeito de seu mundo fake. O conceito de simulacro, aliado ao mote político, levanta questionamentos de ordem moral, filosófica, religiosa e social, alertando para os terrores de um regime ditatorial; o perigo de divergir do senso comum, da opinião estabelecida e imposta por poderosos (mencionando a tortura contra rebeldes); e da ganância que leva um ser humano a querer brincar de Deus. Em suma, reflexões que todo e qualquer bom sci-fi deve proporcionar ao leitor. Um filme baseado no livro foi lançado em 1999 com o título de 13º Andar. Por ter sido lançado no mesmo ano (poucos meses antes) e abordar a mesma temática de Matrix - entretanto, sem o orçamento milionário do filme da Warner Studios - acabou ofuscado e passando despercebido pela maioria do público, tendo chegado diretamente ao mercado de home video no Brasil. Pelo visto, Galouye, mesmo depois de sua morte, permanece sendo um sujeito sem sorte.

[Tag] Livros & blá blá blá


Vi a tag no blog Incriativos há muito tempo e decidi respondê-la por aqui :) 


[Escritora de quinta] Dando um jeito na bagunça


Somos um bando de procrastinadores irremediáveis. Uma geração que não acredita em estabilidade, que pula de uma faculdade para outra, ou se forma, mas deixa o diploma de lado para se aventurar por outra área, que detesta rotina e, portanto, não aguenta permanecer muito tempo em um mesmo emprego, quer e exige novidades, anseia por novas experiências, por inovações e experimentações, nunca está satisfeita. Porém, diante da crise financeira, da deterioração do mercado de trabalho, das expectativas desanimadoras, e do fato de sermos imediatistas, constantemente nos frustramos e adiamos sonhos, deixamos para lá, procrastinamos - nem tanto pela preguiça, mas pela falta de motivação diante de um cenário desalentador. Ora, se o futuro não me parece muito promissor, por que me preocupar em tocar um projeto agora? Em fazer algo interessante neste momento? Deixa pra depois...

Dar um jeito na nossa bagunça interna é bem complicado. E foi tentando dar um jeito na bagunça do meu quarto que parei para colocar as coisas em perspectiva e analisá-las. Organização e empenho eram o que me faltava para arrumar meu quarto. E, frequentemente, é o que falta para arrumar a vida.

Essa introdução, contudo, não faz diferença. É só um capricho de autora, a mania de florear um texto, começar de um jeito e terminar de outro... Pois, na verdade, esse post tem a intenção de oferecer dicas de como faxinar o quarto.


[Fashionismo nerd] Karen Page


Se você é fã de uma boa adaptação de quadrinhos, certamente já conferiu a produção da Netflix Marvel's Daredevil baseada nas páginas do herói homônimo da Marvel Comics, conhecido por estas bandas como Demolidor. Nota-se de longe que a principal referência para a composição do personagem e de sua trama na telinha é a obra de Frank Miller. A série se destaca como um dos melhores produtos derivados de quadrinhos até agora. Sobre a produção em si, eu já falei lá no Bloggallerya. Neste post eu destaco o estilo da personagem Karen Page. Uma das figuras mais bem construídas da série, a assistente jurídica mostra força, coragem e determinação, mesmo não possuindo os sentidos super aguçados de Matt Murdock ou sendo perita em combate como a Elektra. Ela é mais cerebral e sempre segue as pistas certas, confiando em seu sexto sentido.

Além de ganhar um dos melhores textos da segunda temporada de Demolidor (ao lado de Foggy Nelson), a personagem interpretada pela atriz americana Deborah Ann Woll, também tem um dos melhores guarda-roupas.


[Screencap] O Hotel de Um Milhão de Dólares

Dirigido pelo cineasta alemão Wim Wenders, o belo O Hotel de Um Milhão de Dólares, longa de 2000, é centrado na misteriosa morte do filho de um bilionário que teria, supostamente, se jogado do alto do decadente hotel no qual residia. Um detetive é contratado para investigar se sua morte se trata realmente de suicídio ou de assassinato. Ao chegar ao Hotel de Um Milhão de Dólares do título - um projeto de hotel abandonado - se depara com as mais estranhas figuras. Todos os hóspedes, em sua maioria doentes mentais e dependentes químicos, são suspeitos. Cabe ao agente federal Skinner descobrir o que, de fato, aconteceu naquele excêntrico hotel. O filme é baseado em argumento de Bono Vox, o líder da banda irlandesa U2, que também assina a inspiradíssima trilha sonora. Inclusive, Bono faz um cameo em uma das cenas.

Dotado de poesia na composição dos frames, pródigo de belas imagens, foi bastante difícil escolher quais ilustrariam este post. Mas optei por um dos fotogramas iniciais e outro do final do filme.


[Quotes] O Último Reino (Série Crônicas Saxônicas)


O Último Reino (The Last Kingdom, no original, em inglês) é o primeiro volume da consagrada série literária As Crônicas Saxônicas, escrita por Bernard Cornwell, lançado no Brasil pela editora Record e traduzido por Alves Calado. O livro, em suas 364 páginas, retrata a Grã-Bretanha durante o período que compreende os séculos IX e X e o nascimento da Inglaterra como nação. A série de televisão, baseada no romance, estreou em 10 de outubro de 2015, transmitida pela BBC America dos Estados Unidos e BBC Two do Reino Unido.

O quote abaixo é do último capítulo, mas não apresenta spoilers.