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| Interpol |
O que ouviam os adolescentes da minha geração, isto é, do início deste século?
Bem, a maioria deles ouvia
new metal (
Linkin Park),
emo (
Evanescence) e
pseudo-punk cor-de-rosa (
Avril Lavigne). Na verdade, eu também ouvi todos esses. Primeiramente por ser inevitável - as músicas deles estavam por todas as rádios, seus clipes espalhados pela programação da MTV, a gente ouvia seus refrões grudentos em todos os lugares: nos supermercados, no carro, na rua, na chuva, na fazenda e nas casinhas de sapê. E também porque eu gostava a princípio, quando ainda se tratavam de novidade. Mas, como foi com todos os expoentes desses subgêneros e seus herdeiros, enjoei rapidamente. Eram músicas que a gente ouvia numa semana e noutra já não suportávamos mais. Tanto pelo excesso de execuções radiofônicas e televisivas, quanto pelo fato de que elas tinham bem pouco a oferecer em termos de letras, arranjos e melodias.
Mas havia muita coisa bacana no início dos anos 2000, quando eu estava no auge dos meus 15, 16 anos...


O chilique do Caetano Veloso no VMB 2004 entrou para a história, meio sem querer, por culpa de um técnico da banda do próprio artista que deixou um microfone aberto atrás do palco. Essa e outras histórias são relatadas no livro de Zico Goes cujo título é uma referência explícita ao episódio protagonizado pelo músico. A opção acertada e hilária de Zico (diretor de programação da MTV durante boa parte da trajetória da emissora) em nomear seu livro de Bota Essa Porra Pra Funcionar, deixa evidente uma das características mais marcantes da MTV Brasil: a autossátira. Como disse a ex-VJ Astrid Fontenelle no discurso de encerramento do canal em 30 de setembro de 2013: "foram 23 anos tirando sarro da gente mesmo". Foram 23 anos também de muita música, rebeldia, quebra de tabus e engajamento social. Com uma linguagem despojada, descontraída, em um tom de livro de memórias, e contando com prefácio do jornalista e ex-VJ Zeca Camargo, Zico faz um apanhado da história de uma das emissoras mais simpáticas que já tive o prazer de sintonizar na minha televisão. Mas vai ainda além, dando uma verdadeira aula de como fazer televisão e apresentando uma análise competentíssima da publicidade no país e do comportamento do jovem brasileiro.