Páginas

domingo, 30 de março de 2014

[Filme aos domingos] Donnie Darko


Um dos meus prediletos. A história, a princípio, pode soar um pouco bizarra, mas para quem se deixa levar pelo enredo, certamente vai se sentir tocado ao final desta pequena pérola dirigida por Richard Kelly e que se tornou um celebrado cult ao longo dos anos.

Donnie Darko, em muitos aspectos, é uma ficção científica, pois trabalha com o conceito de viagem no tempo, que é o que dá fundamento e rumo à história. Mas também é um suspense, vide o sinistro e profético coelho gigante que desenvolve uma estranha relação de amizade com Darko. Em muitos momentos, o tom bem-humorado faz do longa uma comédia de situação, com diálogos inteligentes e afiados. Também é uma história de amor terna entre dois desajustados e misteriosos personagens. Ao mesmo tempo, parece ser um exercício de nostalgia que presta um tributo aos filmes dos anos 80, com seu estilo e temática.

Donnie é um garoto inteligente, mas problemático.  Para falar bem a verdade, ele é esquizofrênico, possui um temperamento agressivo, tem poucos amigos, é estranho e quieto na escola. Certo dia, em um de seus costumeiros ataques de sonambulismo, ele sai da cama e, já fora de sua casa, se depara com um coelho gigante chamado Frank que o avisa que o mundo vai acabar em 28 dias. Graças a esta intervenção do bizarro coelho, Donnie escapa da morte, pois bem neste momento, uma turbina de um avião vinda não se sabe de onde, despenca sobre seu quarto, o destruindo. A partir daí, começa uma contagem regressiva para o fim do mundo e Donnie se envolve em uma série de estranhos eventos influenciado pelo seu novo e incomum amigo.

A história é ambientada nos anos 80 e a reconstituição da época é perfeita, amparada pela trilha sonora que inclui clássicos daquela década (Duran Duran, INXS e Tears For Fears), torna tudo ainda mais autêntico. Darko é um personagem extremamente bem construído, complexo e cativante. Em muitos sentidos, lembra um herói de histórias em quadrinhos (até por conta das iniciais de seu nome) que possui um alterego sombrio. Interpretado por Jake Gyllenhaal, talvez seja o melhor papel da carreira do ator, e que a definiu durante um longo tempo.

O apanhado de referências espalhadas ao longo do filme vai de De Volta Para o Futuro E.T. – O Extraterrestre a Stephen King,  David Lynch (as pistas escondidas pela narrativa e o fato de que tudo está conectado) e o cinema que John Hughes realizava há três décadas.

O filme termina com uma sequência maravilhosa embalada por um cover que Gary Jules fez de Mad World da banda Tears For Fears. Eis um caso de cover que ficou melhor (bem superior, aliás) do que o original. Dá até para acreditar que o roteiro foi escrito com base na música. Este é apenas mais um dos itens deliciosos e memoráveis do longa. Com uma premissa instigante, uma narrativa repleta de reviravoltas, um ritmo fluido e agradável e personagens encantadores que conquistam nossa simpatia de imediato, Donnie Darko merece o status de cult ao qual foi alçado. 

sexta-feira, 7 de março de 2014

[78 Rotações] Dezesseis anos de melancolia britânica


Desde pequena eu ouvia The Smiths na rádio. E é bem possível que eu tenha conhecido Blur e Oasis antes disso. Mas costumo dizer que, oficialmente, meu primeiro contato com o melancólico britpop data de 1998, quando ouvi pela primeira vez a música "Fake Plastic Trees" do Radiohead que, para mim, representa a essência do gênero. Foi na voz deprimida e perturbada de Thom York que eu descobri que poderia ouvir aquilo para o resto da vida sem jamais enjoar ou reclamar.

Há poucos dias, resolvi fazer maratona da série britânica My Mad Fat Diary, aconselhada por duas amigas muito queridas que, inclusive, compõem o pequeno time de membros deste blog, Lilian Alipio (do Radioactive) e a multifandômica Márcia "Maah" Campelo. Não foi difícil, uma vez que ela está em sua segunda temporada e a primeira é constituída apenas de seis episódios. Preciso dizer que vale muito a pena. Em maior ou menor grau, creio que todo mundo se identifica de alguma forma com a protagonista e sua trupe de amigos.

O mais legal: a série é ambientada nos anos 90. A década em que eu cresci e que tinha tantas coisas boas... Por mais que os oitentistas teimem que os 80 foram muito mais incríveis e que não há nada nos anos 90 que valha a pena lembrar, pois foi uma década ultra sem graça...

Vejamos... Os desenhos de super-heróis eram melhores nos anos 90, vide Batman e X-Men (visual ruim, mas roteiro bacana). Aliás, tinha uma enxurrada de desenhos animados maravilhosos nessa época: Doug, O Fantástico Mundo de Bobby, Daria, Tintin, Cavaleiros do Zodíaco Yu Yu Hakusho... O que me faz lembrar que mangás e animes se tornaram um verdadeiro hit aqui no Brasil exatamente nessa década. Surgiu Arquivo X, a melhor série de todos os tempos, nos anos 90. Quentin Tarantino despontou com Cães de Aluguel e Pulp Fiction. Bryan Singer dirigiu Os Suspeitos. David Fincher, Clube da Luta e Seven. A música dessa época era muito boa: Smashing Pumpkins, Nirvana. The Verve, PJ Harvey, Supergrass, Foo Fighters, Pavement... bandas como Mamonas Assassinas, Skank, Pato Fu, Raimundos e Charlie Brown Jr. iniciando suas carreiras. As boybands eram uma verdadeira febre...

Qual é? As boybands dos anos 90 eram legais, sim! Backstreet Boys é muito mais audível do que One Direction. E tenho dito!

Ok, eu posso estar me deixando levar pela nostalgia, admito...


O mais importante é que na década de 1990, o rock britânico radiofônico depressivo e pessimista estava no auge, com bandas que eu já mencionei pelo texto, e cujos principais expoentes foram Oasis e Blur. Inimigos naturais desde sempre. Preciso dizer que prefiro Blur.

Diz-se por aí que o british pop foi a resposta dos ingleses ao grunge americano.

Bem, outro dia eu faço um texto melhor sobre My Mad Fat Diary e outro sobre a década de 90. Afinal, ela merece ser enaltecida tanto quanto os anos 80. Porém, o assunto de hoje são as bandas britânicas, inclusive boa parte das que compõem a trilha sonora da série My Mad Fat Diary.

Abaixo, eu listei alguns dos videoclipes das músicas que fazem parte da soundtrack do supramencionado seriado:

Radiohead- "Fake Plastic Trees"

Oasis -"Champagne Supernova

Blur - "To the End"

Blur - "The Universal"

PJ Harvey - "Down by the Water"

The Verve - "So It Goes"

Suede - "The Chemistry Between Us"

Suede - "Beautiful Ones"

Pulp - "Sorted out for E's and Whizz"

Radiohead - "High & Dry"


Prometo fazer um post sobre a trilha sonora de Girls, da HBO, em breve.

Até!