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domingo, 29 de maio de 2016

[A vida, o universo e tudo mais] O corpo é meu, a escolha é minha


2004, eu estava no segundo ano do ensino médio e tinha um professor de história babaca, machista, racista, homofóbico, disfarçado de esquerda socialista e ex-militante político (uma baboseira que eu nunca acreditei de fato). Jamais aprendi uma linha sequer de história com ele, isto porque o fulano preferia dedicar os cinquenta minutos da aula a contar causos de sua vida (muitos duvidosos) e a vomitar um discurso preconceituoso. Denegrir a mulher era com ele mesmo. Não vou repetir as idiotices que ele dizia, porque já estou poluindo este espaço o suficiente ao fazer esse breve resumo de quem foi meu professor de história, mas tem um episódio que eu gostaria de relatar aqui. 

Houve uma vez em que ele se manifestou fervorosamente (até demais) contra o aborto, usando o infame argumento: 

- Na hora de fazer foi bom. Quando abriu as pernas, sabia o que estava fazendo, por que não se cuidou? Daí vai lá, a assassina, e mata o bebê. 

Indignada, esperei que soasse a campainha sinalizando o fim da aula e, respeitosamente, o chamei até minha carteira. Meio desconfiado, pois sabia que eu era uma das muitas alunas que o odiava (mas uma das poucas que o odiava abertamente), ele veio até mim. Fiz uma pergunta a ele, já sabendo a resposta, mas a intenção era outra: 

sábado, 21 de maio de 2016

[Fashionismo nerd] Curtas madeixas

Durante muito tempo tive não apenas resistência, mas aversão a cortes de cabelo muito curtos. Creio que é porque meu pai cortava meu cabelo muito curto na infância e isso me traumatizou. Aliás, pais adoram tanto destruir o cabelo dos filhos [não intencionalmente, eu sei] que eu até acredito que esse seja um dos pré-requisitos para ser pai. Enfim, mais tarde, quando eu tinha mais ou menos 11 ou 12 anos, uma leve desatenção de minha irmã mais velha culminou em um grave incidente: ela passou a tesoura no meu cabelo que estava amarrado em um rabo de cavalo. Meu lindo cabelão que batia na cintura, agora batia, quando muito, no meu pescoço. E ele demorou exatos DOIS anos para crescer. Quando finalmente cresceu, eu prezei pelos meus cabelos longos. Não deixava que tocassem nele. Sempre pedia que cortassem no máximo dois dedos. Ele estava quase sempre pela cintura.  

Demorei até arriscar um corte curto novamente. Com 16 tive coragem de cortá-lo de modo que ficou um pouco abaixo dos ombros. Mas apenas com 25 tomei a decisão de cortá-lo na altura do pescoço. E foi uma sábia decisão. Passei a ser defensora do corte feminino curto. Acho um charme, passa uma impressão maior de confiança, força e independência.

Por mais aversão que eu tivesse às madeixas curtas na adolescência, sempre admirei nas outras mulheres [aquela velha história: fica bom nos outros, não em mim].  É claro que precisa combinar com seu formato de rosto. Em algumas mulheres o cabelo curtíssimo fica melhor do que as longas madeixas. 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

[Escritora de quinta] Boas maneiras em situações embaraçosas

"Vamos sair?"
"Não dá, tenho compromisso. Vários nadas pra fazer nesse fds"
É quase automático. Se um velho conhecido bate palma em frente ao seu portão, você o convida para entrar, sentar-se no sofá, tomar um café e prosear durante toda a tarde. Quando chega a hora de a visita ir embora, você não hesita em proferir os clássicos é cedo! e fica um pouco mais, o papo tá bom! Ainda que internamente, você esteja dando pulinhos de alegria e festejando. Não porque a visita seja desagradável... Bem, às vezes é. Mas você comemora secretamente mais pelo fato de que tudo o que quer em um resto de sábado preguiçoso, é colocar seu pijama favorito e ver um filme ou maratonar um seriado na Netflix. É claro que você não vai dizer isso para as visitas, ainda que elas suspeitem que o "fica mais um pouco" esteja impregnado de falsidade, essas frases e boas maneiras foram criadas com o objetivo de transmitir conforto tanto para o visitante quanto para o visitado, para dar aquela sensação de que a visita é bem-vinda e o anfitrião parecer a mais educada, gentil e simpática das criaturas.

domingo, 8 de maio de 2016

[A vida, o universo e tudo mais] Feliz Dia das Mães

Mãe é mãe. É incrível como todas elas tem algo em comum. Mas falo das mães de verdade, aquelas que criam seus filhos, que se importam com a educação, bem-estar e sucesso dos mesmos. Elas podem ser do tipo tradicionais ou modernas, rigorosas ou mais liberais. Podem ser do tipo que iam pra rua antes de ser modinha, em plena década de 1980, um ano após a reabertura democrática, protestar grávidas como a minha. Pois é. Que orgulho, não? Mas não importa, elas sempre vão carregar suas similaridades. Frases de mãe. Quem nunca escutou? Se não da mãe biológica, pelo menos daquela que representou o papel de mãe em sua vida. 

Aí está a caneca que dei de presente de Dia das Mães para a minha mãe no ano passado [Este ano, eu dei o último filme do James Bond, uma vez que ela é fã confessa e este era o único que faltava em sua coleção]. Enfim, foi um presente bem apropriado. Repleto de frases que cansei de ouvir da minha mãe ao longo de 27 anos de vida.