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terça-feira, 15 de novembro de 2016

[Meus Escritos] Os seus, os vivos. Os meus, os mortos - Introdução


Vagueando por entre os sepulcros do cemitério municipal, parei para refletir sobre a vida.

A ironia de se pensar sobre a vida em um lugar repleto de morte...

Meio sem querer, consultei meu repertório de referências literárias e lembrei-me de um poema de Elisa Lucinda que dizia:
A lista de mortos da gente vai aumentando com o tempo. Quando eu era pequena não tinha noção desse morre, nasce… Mesmo porque ninguém meu morria.
Ao mesmo tempo em que me lembrei de um conto de Fernando Sabino: O Homem e o Menino sobre o encontro do escritor com ele mesmo, ainda menino.

Fiquei pensando o que faria se encontrasse, ali no cemitério, a versão mais jovem de mim que adorava correr por entre as sepulturas enquanto os outros acompanhavam o funeral (ainda muito jovem para entender toda a solenidade daquela cerimônia de despedida). Meu olhar foi dos presentes naquele enterro do passado para os túmulos, hoje abandonados, e, então, conclui melancolicamente:

“Os seus, os vivos. Os meus, os mortos. Eles são os mesmos. A única coisa que os difere [e eventualmente os transforma] é o tempo”.

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