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domingo, 12 de janeiro de 2014

[Filme aos domingos] Namorada de Aluguel


Nos anos 80 ainda sabiam fazer teen movies ou high school films com categoria. Não eram como Ela é o Cara e outras bombas atuais. Namorada de Aluguel, apesar da trama previsível e de todos os clichês (repetidos à exaustão em filmes do gênero), é bem simpático e divertido, apesar de datado. 

Estrelado por Patrick Dempsey - que, diga-se de passagem, está muito mais charmoso e interessante agora do que no auge dos seus 20 e tantos anos - a comédia narra as desventuras de Ronald Miller (constantemente chamado de Donald ao longo do filme), que trabalha, em seu tempo livre, cortando a grama de Cindy Mancini (a cheerleader e garota mais popular da escola) a fim de juntar dinheiro para comprar um telescópio que está em promoção. Porém, ele desiste de seu sonho de consumo ao ver que Cindy entrou em uma enrascada. A moça precisa de dinheiro para comprar uma roupa nova de camurça para sua mãe - que substitua o traje original que um de seus amigos acidentalmente manchou de vinho numa festa. Dessa forma, Ronald e Cindy entram em um acordo: ele a aluga, isto é, empresta a grana e, em troca, ela deve sair com ele durante um mês, pois assim ele irá se tornar popular. No começo, Ronald  faz tudo errado, mas, com o tempo, ele vai conquistando os amigos acéfalos de Cindy e adentrando o cruel mundo da popularidade adolescente. Ele não demora a se acostumar com a nova vida, porém, vai deixando para trás sua verdadeira identidade e se tornando tudo aquilo que ele e seus companheiros nerds costumavam detestar, passando de um oprimido a um opressor.

Um dos maiores trunfos do longa, é contar com sequencias antológicas. A primeira delas é o Ritual do Tamanduá Africano. Hilária. A segunda é o discurso no refeitório, no qual Ronald fala a respeito das mudanças ruins que a popularidade trouxe para sua vida, como o fato de destruir amizades em prol unicamente de estar do lado top ao invés do lado perdedor da lanchonete. E conclui dizendo "já é difícil a gente ser a gente mesmo". Emocionante.

É possível perceber referências à Namorada de Aluguel em comédias românticas teenagers dos anos 90, como Ela é Demais (nerds que se tornam populares e começam a frequentar um universo no qual se sentem deslocados em troca de um favor ou aposta) e Nunca Fui Beijada (a mesma história da fracassada que chega ao topo; e o discurso edificante seguido dos aplausos no clímax do filme). Mas muitos outros filmes beberam dessa fonte, de forma mais ou menos escancarada e mais ou menos bem-sucedida.

De qualquer forma, Namorada de Aluguel continua sendo um bom passatempo para os domingos ociosos. E a trilha sonora que inclui a clássica Can't Buy Me Love dos Beatles (que inclusive dá título ao filme, no original, em inglês) e Dancing With Myself do Billy Idol, é mais um item delicioso que faz este filme valer a pena.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

[Listas] Filmes Favoritos de 2013

Como prometido, abaixo estão listados os meus filmes favoritos de 2013. Há filmes de 2012 integrando o meu top 10, como vocês irão perceber, porém, a lista compreende filmes que estrearam no Brasil no ano passado. Vi a maioria em cabines de imprensa, alguns em sessões de arte e outros em sessões convencionais. Então tem longas exibidos tanto no circuito comercial, quanto no alternativo. Clicando nos títulos dos filmes, vocês podem conferir minhas resenhas dos respectivos para o site que colaboro ou para o meu outro blog sobre cultura pop. Confesso que os filmes que ocupam a primeira e segunda posições me deixaram em uma encruzilhada, isto é, tive dificuldade em escolher qual dos dois ocuparia o primeiro lugar. Creio, no entanto, que fui justa - mais racional do que passional. No mais, posso dizer que esse foi um bom ano em se tratando de cinema. Não foi ótimo, espetacular. Mas ano que tem novos filmes de Paul Thomas Anderson, Guillermo Del Toro e Alfonso Cuarón sendo exibidos na salas de projeção, não pode ser considerado um ano ruim. Sem mais falatório, aí está:

(Thor - The Dark World, Alan Taylor, EUA, 2013)

(Pacific Rim, Guillermo Del Toro, EUA, 2013)

8 Azul É a Cor Mais Quente
(La Vie d'Adéle, Abdellatif Kechiche, França , 2013)

(Bling Ring, Sofia Coppola, EUA, 2013)

(Hunger Games - Catching Fire, Francis Lawrence, EUA, 2013)

(The Master, Paul Thomas Anderson, EUA, 2012)

(Django Unchained, Quentin Tarantino, EUA, 2012)
 
3 O Som Ao Redor
(Kleber Mendonça Filho, Brasil, 2012)

2 Frances Ha 
(Noah Baumbach, EUA, Brasil, 2012)

(Gravity, Alfonso Cuarón, EUA, Inglaterra, 2013)

Menções honrosas: O Lado Bom da Vida; Amor; A Hora Mais Escura; Indomável Sonhadora; Homem de Ferro 3.


Os piores: Os Miseráveis; Jack - O Caçador de Gigantes; Obsessão.

O que eu não vi (infelizmente), mas pretendo conferir assim que possível: O Grande Gatsby; Além da Escuridão - Star Trek; A Caça; Tatuagem.

domingo, 5 de janeiro de 2014

[Filme aos domingos] Voo Noturno


Olá! Eis o primeiro post do ano e eu não poderia falar de outra coisa que não fosse filmes para começar bem 2014. Aliás, logo mais, postarei por aqui a minha singela listinha de filmes favoritos de 2013. Mas, por hoje, fiquem com Voo Noturno abrindo a seção filme aos domingos em 2014.

Quando se fala em Wes Craven, a primeira coisa que vem à mente é terror. E, por conta da trilogia Pânico (isto é, das duas sequências do filme original), o nome do cineasta deixou de inspirar confiança aos amantes do gênero (do qual ele sempre foi considerado um dos mestres). Depois de tropeçar com a já citada trilogia e o esquálido Amaldiçoados, o diretor apostou em um suspense mais psicológico que impacta pela tensão, não pela violência gráfica. O resultado é um thriller competente, cujo o maior trunfo é o elenco bem escolhido.

A trama acompanha uma jovem que está embarcando em um avião com destino à Miami onde reside e trabalha como gerente de um hotel. O passageiro da poltrona ao lado da sua, a princípio charmoso e gentil (e que ela conheceu durante o check-in), logo se revela um terrorista que ordena a ela que o ajude em um plano de assassinato ao Secretário de Segurança Nacional que costuma se hospedar no hotel em que a moça trabalha. Se ela se recusar, seu pai é quem será morto.

O duo principal, composto por Rachel McAdams e Cillian Murphy, é um dos grandes méritos do longa. Não são apenas dois atores competentes, como possuem carisma de sobra. A boa interação e dinâmica entre o casal é o que dá ritmo e movimento ao filme. Seus personagens passam longe de estereótipos bidimensionais comuns ao gênero. Muito pelo contrário, são bem construídos e apresentam uma evolução notável ao longo da trama. Ela é muito mais do que a mocinha assustada. Ele, mais do que um psicopata charmoso.

O cineasta acerta no nível de tensão e na sensação de pânico e claustrofobia que transmite ao espectador, ao explorar magistralmente o espaço restrito que a personagem de McAdams é obrigada  a dividir com um psicótico Murphy.

Wes Craven realiza aqui um ótimo e consistente trabalho. Voo Noturno, provoca uma aflição genuína e faz o espectador torcer com afinco pela protagonista. O roteiro é bem sacado, apesar de alguns lugares-comuns e do final dispensável. Mas nada que desmereça o andamento do bom filme.

Vale a sessão!