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sexta-feira, 25 de julho de 2014

[Guilty Pleasures] Saved by the Bell

Cá estou novamente! Eu sempre prometo que vou aumentar a frequência de posts e nunca cumpro com a minha promessa. Tive muitas coisas importantes pra fazer nos últimos dias, inclusive arrumar a minha coleção de quadrinhos, o que me impediu de aparecer por aqui :) 

Pra começar, gostaria de agradecer pelas visitas! Muita gente passou por aqui por conta do texto que escrevi sobre a Copa do Mundo e eu sou muito grata a todos que leram, divulgaram, concordaram e discordaram de alguns ou vários pontos (como me disseram no facebook e twitter). 

E vamos para mais um guilty pleasure!


Conhecido no Brasil como Uma Galera do Barulho (título altamente criativo e com o selo "narrador da sessão da tarde" de aprovação), a série foi transmitida no Brasil pela sensacional emissora de Silvio Santos, o SBT, no início da década de 1990. Zack Morris, o protagonista, foi um dos meus heróis de infância. Pois é. 

Bem, creio que a série dispensa apresentações. Não exatamente por ser boa (hey, pra mim era excelente! Um marco da minha infância), mas porque basta dar uma olhada na abertura que você se dá conta de que se tratava essa sitcom. Era mais uma dessas séries protagonizadas por adolescentes que não gostam de estudar, aprontam todas na escola, com muitas risadas ao fundo, personagens sem grande profundidade e poucos conflitos. Era um seriado cômico (muito melhor do que iCarly e outras porcarias similares da Nickelodeon), com alguns raros momentos mais sérios. Na verdade, quando Saved by the Bell tentava ser séria, ela ficava um tanto constrangedora. Digitem Saved by the Bell I'm so excited no youtube para descobrirem do que estou falando. E, sim, a intérprete de Jessie Spano é aquela mesma que atuou em Showgirls do Paul Verhoeven (também conhecido como o filme que arruinou sua carreira), ilustre vencedor do Framboesa de Ouro.

Sim, marcou época!

sábado, 12 de julho de 2014

[A vida, o universo e tudo mais] Na alegria e na tristeza, na vitória e na derrota


Meu pai costumava dizer que o humor brasileiro é incomparável. Ele era muito bem-humorado. E supersticioso quando o assunto era futebol. Viu o Brasil ser cinco vezes campeão em Copas do Mundo; em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Sempre vestindo sua jaqueta da sorte nas finais que o país disputou - a qual ele não tirava enquanto o capitão da seleção não erguesse a taça. Às vezes penso que o fato de nossa seleção nunca mais ter ganho o Mundial, tem a ver com a ausência de meu pai e sua jaqueta da sorte... Brincadeiras à parte, ele também viu o Brasil perder para o Uruguai  dentro de casa em 1950, e ser derrotado na final contra a França em 1998. Ao longo dos anos, viu o Brasil ser consagrado como o país do futebol; o país com o maior número de títulos em Copas do Mundo. E até imagino como ele receberia esse placar de 7x1; a derrota mais humilhante que sofremos na história do torneio. Primeiro, ele ficaria revoltado com a inércia dos jogadores em campo, criticaria a falta de atitude, de preparo, de concentração. Depois, como o bom brasileiro que era, certamente iria rir de cada piadinha feita nos meios de comunicação nacionais acerca do histórico vexame da Seleção Brasileira.

Ele estava certo quando dizia que o brasileiro é dono de um humor incomparável. Podemos rir dos outros, mas rimos muito mais de nós mesmos. Mas não é aquele humor autodepreciativo dos britânicos. A gente ri da nossa desgraça e dos nossos fracassos como uma forma de superação. Sabemos que nunca adiantou sentar e chorar. Então vemos o lado engraçado da coisa. Não nos colocamos para baixo. Apenas mantemos em mente que só seria trágico se não fosse cômico. E que sempre tem uma próxima vez. Primeiro rimos, depois tentamos de novo.


Chorar não vai nos trazer o hexa. Nem se revoltar, protestar queimando bandeiras ou culpar o governo pela derrota em campo. 

É muito mais divertido e saudável exorcizar nossos fantasmas desabafando do nosso jeito irreverente nas redes sociais. Obviamente, ignorando os conservadores do facebook que acham que tudo é culpa do PT e curtindo a liberdade que o twitter nos oferece, rindo com os companheiros virtuais e encarando tudo com bom humor. Rir é o melhor remédio. Espanta aquilo que nos assombra e também faz bem à saúde. E o melhor é que o povo das redes sociais não perde tempo. Vou repetir aqui o que eu disse no meu mural do FB: 

Orgulho de ser brasileira! Única nação que perde de 7x1 e faz as melhores piadas das redes sociais. Os alemães não pensariam em sacadas tão geniais quanto as nossas! #ChupaMundo

Tenho certeza que nenhum outro povo tem a agilidade e criatividade que o brasileiro tem na hora de tirar sarro de si mesmo. E isso que nos faz únicos. Nosso timing cômico, o improviso, as sacadas rápidas e inspiradas. Podem dizer o que quiserem de nós, mas somos  um povo espirituoso.


Afinal de contas, são tantos problemas, um leão por hora e um dragão por dia para matar, que não dá para levar as coisas tão a sério, nem se frustrar por qualquer motivo ou desistir diante de qualquer adversidade que apareça em nosso caminho. Temos mais é que levantar a cabeça e seguir em frente dando uma boa gargalhada.

Claro que não há como generalizar, pois sempre tem aqueles que partem para a ignorância, como eu já citei. Por exemplo, os que colocam a culpa na Dilma, que nem estava em campo. O governo tem muitos problemas. Tanto o atual quanto os anteriores. E ouso dizer que os anteriores tinham muito mais problemas do que o atual. E esta afirmação é baseada em fatos, estudo e pesquisa e não achismos ou preconceito. Mas o governo não tem nada a ver com Copa do Mundo. 

Quanto a queimar bandeiras como forma de protesto, não me surpreendo, mas não deixa de ser uma estupidez tamanha. Não me surpreendo porque a maioria das pessoas só enfeita suas casas e automóveis com bandeiras do Brasil em época de Copa, passando a impressão de que apenas são brasileiros quando a seleção está em campo e, claro, vence a partida. Porém, vexame maior do que perder de 7x1 para a Alemanha em uma semifinal do evento esportivo mais assistido do mundo, é queimar a bandeira do país quando esta nada tem a ver com futebol. A bandeira representa a nação, não a seleção. A bandeira é o símbolo do nosso país, não de uma empresa.


Entretanto, ano passado vi casos de falso patriotismo ainda piores e mais graves. Nunca vou esquecer das manifestações de junho de 2013 por uma série de fatores. E, infelizmente, um deles é o falso patriotismo. Eu não sabia se ria ou lamentava a participação de tantos que, antes da onda de protestos, só sabiam criticar o Brasil; aqueles que diziam que nada prestava neste país, que queriam mais é que afundasse mesmo, que não se importavam com a própria terra em que nasceram, tornando claro - e com muito orgulho - seu complexo de vira-lata. Muitos que nunca sequer estiveram fora do Brasil, ou que o máximo que fizeram foi visitar a Disney e, mesmo assim, achavam que tinham autoridade e conhecimento suficiente para dizer que qualquer outro país era melhor, e como era "muito melhor viver nos Estados Unidos", quando não viram quase nada além de Mickey, Pateta e fogos de artifício por lá. O discurso mudou repentinamente durante as manifestações. Por conta da atenção que o assunto recebeu da mídia e de toda a repercussão que gerou, estas mesmas pessoas que passaram a vida desancando o país em que nasceram, começaram a comprar cartolinas e fazer cartazes para protestar. O motivo? O amor à pátria e a preocupação que sentiam com o amado e idolatrado Brasil. Pior ainda, participaram dos protestos mais vazios, sem sentido e sem propósito. Aqueles contra a corrupção, organizados por fascistas pró-armamento, nos quais cantaram a plenos pulmões o Hino Nacional e se autoproclamaram antipartidaristas... Tamanha a alienação destas pessoas.

Mas nem me espanto - depois de passarem a vida afirmando e reafirmando na internet que eram americanizadas mesmo e se posicionando sempre contra o Brasil, participar das manifestações para estas pessoas nem tinha a ver com ser brasileiro com muito orgulho, com muito amor. Elas apenas queriam se sentir parte de algo, tentar entrar para a história, poderem dizer no futuro para seus filhos e netos "eu estava lá". Em suma, queriam apenas aparecer, se mostrar, fazer exposição de suas patéticas figuras.

Queimar bandeiras após uma partida de futebol constrangedora foi ridículo e estúpido, mas não é a única demonstração de falso patriotismo que podemos apontar.


De qualquer maneira, minha crença no ser humano se fortalece quando percebo que, nas redes sociais, especialmente no twitter (reduto de brasileiros donos de dedinhos inquietos, muitos chamados de ativistas de sofá), as pessoas procuram rir da derrota, mas se sentem envergonhadas mesmo de atitudes como esta, destes "protestos" vazios e sem sentido. E se expressam com muita dignidade, afirmando que são Brasil na vitória e na derrota. E que estarão lá torcendo por um terceiro lugar. Não há mais nada que possamos fazer, afinal.

Fazendo um balanço geral daquela terça-feira cinzenta, podemos resumi-la em uma palavra: decepção. E são inúmeros os motivos. Perdemos em casa, de goleada. Nunca sofremos uma derrota tão dura quanto esta. Mas poderia ser pior; poderíamos não ter feito aquele único gol quase no fim da partida e perdido de 0. O jogador alemão, Miroslav Klose, ultrapassou Ronaldo e agora é o maior artilheiro de todas as Copas, com 16 gols. Mas poderia ser pior; poderia ser um argentino, nossos eternos inimigos no futebol. E o recorde dos recordes: a seleção da Alemanha fez os cinco gols mais rápidos da história do Mundial - em apenas 29 minutos de partida.

...

Bem, estou encontrando dificuldades em pensar em algo que seja pior do que isso, mas vejam o lado cômico: se é pra ser derrotado e humilhado, que seja registrado no Guinness Book. E tem isso também:


Eram tantos gols, que se fez necessária a barrinha de rolagem. Preciso de uma imagem para ilustrar o que senti quando vi isso:


E, convenhamos, eles podiam ter dado um jeitinho de forma a não precisar da constrangedora barra de rolagem:


No terceiro gol da Alemanha, eu já estava chorando. De rir. Gargalhando mesmo, porque parecia brincadeira. 

Este pode ter sido o nosso maior vexame em Copas, mas não foi o primeiro e nem o único que passamos.

Como eu mencionei anteriormente, o Brasil já perdeu em casa, em 1950, quando sediamos o Mundial pela primeira vez. E na final, contra o Uruguai.

Em 1998, perdemos outra final. Desta vez, para os donos da casa, a França. A palavra "amarelou" ficou na boca do povo durante muitos e muitos meses. E que gosto amargo aquela derrota deixou. Um telejornal até fez um clipe dos momentos vexatórios com o tema musical de Titanic.

Na Copa de 2006, a vergonha pode não ter sido, assim, tão grande. Mas a nossa seleção, que havia conquistado o penta quatro anos antes, só chegou até às quartas de final e com Roberto Carlos arrumando a meia enquanto a bola rolava no gramado em direção ao gol. Esse fato rendeu piadas para o ano todo. E olha que, naquela época, twitter nem existia. Mas os programas humorísticos e chargistas de plantão não perderam tempo.


Em 2010, as redes sociais já bombavam. E a virada da Holanda contra o Brasil nas quartas de final foi um dos assuntos mais comentados. O Brasil estava ganhando de 1x0 no primeiro tempo. No segundo, os dois gols da Holanda nos eliminaram do Mundial.

E eu jurando que o Brasil podia fazer o mesmo com a Alemanha desta vez. Mas no terceiro gol, eu perdi totalmente as esperanças e fui para o twitter e facebook, rir e tirar um sarro com a galera.

Uma hora ou outra, mais dia menos dia, o trágico placar do jogo de terça deixará de ser o tópico principal, de ser meme do facebook, de ser piada em 140 caracteres no twitter. Não vai ser totalmente esquecido, mas teremos outros assuntos para comentar e zoar.


Eu só espero que tenhamos aprendido a lição. Afinal, se a nossa seleção chegou aonde chegou, foi por uma questão de sorte. E, para aqueles que não acreditam nesta palavra, tudo bem. Posso usar outra: vantagens. Tivemos várias. Com aquela seleção, eu acho impressionante termos conquistado um lugar entre os quatro primeiros. E não é questão de antipatriotismo, mas não merecíamos o título desta vez. Tínhamos dois bons jogadores: Neymar e Thiago Silva. O primeiro fazia gols, e também é habilidoso, fez boas jogadas individuais. Já o segundo é realmente um bom zagueiro e não há como contestar. David Luiz tem seus méritos também. E Júlio César fez o que podia. Se destacou quando defendeu dois pênaltis na partida contra o Chile nas oitavas de final. Porém, não pôde fazer muito no jogo contra a Alemanha, ficando sem muitas oportunidades de defesa. Tínhamos alguns talentos, é verdade. Mas era uma equipe que não funcionava em conjunto. Não havia entrosamento. O que víamos em campo era uma total ausência de sintonia entre os jogadores e nenhuma boa tática, nenhum preparo. Se eu passei a Copa inteira reclamando de erros bobos  da nossa seleção (como toques de bola que nem eu erraria), nessa semifinal, então... os jogadores brasileiros pareciam baratas tontas que, após o primeiro gol dos adversários, entraram em desespero, se desestruturaram de vez. Eles simplesmente não sabiam jogar juntos.

[E olha que entendo pouquíssimo de futebol. Meu interesse pelo esporte só desperta de quatro em quatro anos. E quando desperta, até porque, depois do penta, eu não liguei muito para as Copas de 2006 e 2010. E atribuo o meu escasso conhecimento ao meu pai. Este, sim, passava horas falando de futebol como um especialista. Mas posso dizer que tenho experiência em vexames esportivos. Minha dupla de vôlei, no colégio, ficou em último lugar e já joguei uma partida de tetris na qual eu não fiz nenhum ponto... Tetris conta como esporte? Whateva, mesmo assim nada se iguala ao 7x1].

Havia outras opções para se assistir na hora do jogo...

O país do futebol apresentou um futebol muito feio. E não acho que teria sido assim tão diferente se Thiago e Neymar estivessem em campo. Provavelmente perderíamos de 4x2. E, convenhamos, uma seleção não pode se resumir a apenas dois jogadores. Todos ali são profissionais e tinham o dever de jogar bem. Mas não jogaram. Ficou claro o quão dependente este time era dos dois citados. E esse foi o grande erro.

Também não vejo motivo para crucificá-los em praça pública. Os meninos desapontaram em todos as partidas, mas, no fundo, parece que estavam cientes disso. Até onde vi, os piás eram todos simpáticos, humildes e gente boa. E o fato de perderem feio não me fez mudar meu pensamento sobre eles. Especialmente o David Luiz que é um cara legal e que eu acho que ainda tem muito a mostrar.


No entanto, isto não significa que não podemos rir. Não acho que demonstrar senso de humor diante desta tragédia esportiva é desrespeitar os jogadores. Não acho que tirar sarro seja sinônimo de antipatriotismo. Bora superar, galera. E nada melhor do que superar com bom humor.

Esta pode não ter sido a Copa das Copas. Pelo menos não para o povo brasileiro. Mas foi a Copa das zoeras. Como meu pai dizia, do "incomparável humor brasileiro". Rimos muito, nos divertimos bastante. E agradeço, sem sombra de dúvidas, ao pessoal que faz parte das minhas redes sociais. Vocês trouxeram frescor, opiniões respeitosas e um cômico show de criatividade para minhas timelines. Por essas e outras que essa Copa foi tão legal ;)

Os Simpsons previram...
E sempre tem a próxima, uma nova chance. A verdade é que aprendemos muito com cada fracasso. As derrotas são necessárias. Se apenas vencêssemos sempre, nos julgaríamos por cima da carne seca e nos acomodaríamos. E é na acomodação que reside o perigo. Vencer sempre nos torna arrogantes, mesquinhos e seres humanos repelentes com um pavoroso complexo de superioridade. Pelo contrário, as derrotas nos fazem perceber nossos erros, o que e como podemos melhorar.

Quem sabe, da próxima, para reparar o supracitado vexame desta Copa, não nos tornamos, enfim, hexacampeões? Não foi o que aconteceu depois da derrota para a França em 1998? Não conquistamos o penta em 2002? Quem sabe?


Não há razões para entristecer. O Brasil é o único país que participou de todas as 20 edições da Copas do Mundo realizadas até agora. Também é o maior vencedor do torneio, com cinco títulos. Isso, ninguém tira de nós.

E aposto que enquanto eu escrevia este post, a Alemanha fez mais 7 gols.


Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

*Salut*

Fonte das imagens: twitter / youpix