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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

[A vida, o universo e tudo mais] Oscar do Sonhos...




Não, eu não errei no título da postagem. Eu quis dizer Oscar do Sonhos Empoeirados. Vamos ao texto e às divagações de hoje:

Oscar 2015 já passou. Mas aparentemente eu ainda não cansei de falar sobre isso. 

Todo ano é a mesma ladainha: "que injustiça esse filme ganhar" ou "que injustiça esse filme perder"

Não dá pra falar de injustiça quando se trata da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (quando se trata de 90% das premiações, na verdade). O Oscar premia a melhor campanha no final das contas. Não é um prêmio artístico, mas político. De qualquer modo já falei sobre isso neste post e não quero me repetir. 

Mas, se você ainda acredita que Oscar celebra a arte, que é um prêmio realmente entregue aos melhores do ano, passou da hora de rever seus conceitos. Na melhor das hipóteses, você é um tolo. Só para citar alguns exemplos: Gwyneth Paltrow, uma atriz limitadíssima, tem um Oscar no currículo. Gary Oldman não tem nenhum. E quando finalmente foi indicado, perdeu. E sabem o que é pior? Sua performance em O Espião Que Sabia Demais havia sido a melhor não só dentre os indicados, como a melhor do ano. E não falo isso apenas por ser fã do ator. 

Vamos a um exemplo mais gritante de como Oscar não é parâmetro de qualidade: Tom Who... isto é, Tom Hooper, o diretor de O Discurso do Rei, com seus ângulos amadores, enquadramentos esquizofrênicos e muita parede e teto, ganhou um Oscar de melhor diretor. Enquanto Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock morreram sem ganhar uma estatueta da Academia. Poxa, estamos falando dos homens por trás de obras-primas da sétima arte como 2001: Uma Odisséia no Espaço e PsicoseLaranja Mecânica e Os PássarosBarry Lyndon e Vertigo. Kubrick e Hitchcock entraram para a história. Assim como David Fincher, que perdeu para Hooper, também vai entrar futuramente por ser um cineasta fantástico. Agora o Tom Who... Duvido que alguém vá lembrar dele daqui a alguns anos. Talvez ele seja recordado como o cineasta que nos fez dormir mais rápido com seus filmes.

Eddie Murphy perdeu o Oscar de ator coadjuvante por Dreamgirls em 2007 por cometer a estupidez de lançar Norbit pouco tempo antes da premiação. Quer dizer que a comédia escatológica e desnecessária que ele estrelou, por acaso, estragou sua interpretação em Dreamgirls? Não na verdade. A performance dele continuava ótima, mas a Academia sentiu vergonha em premiar o ator de Norbit.

Eddie Redmayne, que sorte você teve da Academia não ficar sabendo de O Destino de Júpiter :)

Para ganhar um Careca Dourado, é necessário se comportar durante o ano. Sua imagem está em jogo. Para assegurar a campanha, a reputação precisa ser impecável (não importa os vexames e escândalos dos anos anteriores, eles já foram esquecidos). É necessário comparecer a todos os jantares, festinhas, screenings, fazer um social filha da mãe. Tem que fazer o bom moço ou boa moça. A Academia premia os filmes para a família. Aqueles que não incomodam, mas também não causam comoção. Aqueles corretos que não dividem o público entre ama-se e odeia-se. Não é bem o caso do vencedor deste ano, mas em 97% dos casos, é exatamente assim.

Como eu falei, não tem nada de injustiça. Mas como muita gente insiste nesta palavra, decidi reparar algumas injustiças do Oscar só na brincadeira. Estou em boa companhia pra fazer isso. Chamei a Meryl Streep, a Emma Stone, o Miles Teller, a vice-Miss Amazonas e o Kanye West... Well, nem tão boa companhia assim. Mas chega de conversa e vamos lá!

Olhando em retrospecto os vencedores do Oscar de Melhor Filme...

sábado, 14 de fevereiro de 2015

[Café com páginas] Orfanato, vampiros e Gotham


O Orfanato da Senhorita Peregrine Para Crianças Peculiares 


A concepção do livro já é interessante por si só. A partir de registros fotográficos valiosíssimos, colhidos diretamente com colecionadores, o autor Ranson Riggs foi convencido por seu editor a criar uma história de ficção a partir deles (ao invés de publicar um livro de fotografias antigas que era a sua intenção originalmente). Algumas das imagens são curiosas, outras bizarras e todas, sem exceção, intrigantes. Bem como a narrativa desenvolvida por Riggs. O livro acompanha Jacob em uma jornada para tentar desvendar o passado nebuloso de seu avô. Tudo que Jacob sabe a seu respeito é que ele sobreviveu aos horrores da Segunda Guerra Mundial, tendo sido separado da família ainda criança por conta de sua origem judaica. Em seguida, foi parar em um orfanato em uma ilha com crianças sobrenaturais. Ou melhor: peculiares. Anos mais tarde, vivia de relembrar e contar as histórias fantásticas de sua infância para o neto até o momento em que Jacob cresceu e passou a não acreditar mais nelas. Intrigado, porém, diante de acontecimentos misteriosos que rondam a morte de seu avô, Jacob decide ir à tal ilha pra saber o quanto de verdade existia nas histórias que ele lhe contava e nas fotos que lhe mostrava. Apesar de guardar semelhanças com outras obras já conhecidas do grande público como Harry Potter e X-Men (as similaridades com esta última são ainda mais evidentes), Riggs consegue construir uma trama inventiva e que envolve o leitor de modo a deixá-lo cada vez mais curioso para o que virá no capítulo seguinte. Um demérito é o fato de certas passagens e eventos soarem convenientes demais para fundamentar o uso de algumas das fotografias. Mas, felizmente, a maioria das imagens é utilizada de maneira inteligente. Uma excelente mescla de literatura fantástica com suspense e que ainda reserva um espaço (mesmo que eu o julgue desnecessário) para o romance. Boa leitura.

A Caçada 


Se eu reclamei de algumas conveniências narrativas em O Orfanato, este A Caçada é um prato cheio delas. Não diria nem se tratarem apenas de conveniências, mas de coincidências esdrúxulas,  além de graves incoerências e contradições que resultam em uma trama, no mínimo, grotesca e nonsense. A premissa é até interessante e o prólogo promete uma história muito boa. Mas fica só na promessa. Gene é um dos poucos humanos (no livro a designação correta é eper) que restaram em um mundo agora governado por vampiros. O desafio que ele enfrenta diariamente é passar despercebido por aquela sociedade e, quando não é possível, tentar se encaixar da melhor maneira que puder. Ele só não pode ser descoberto, por isso passa por rituais rigorosos todos os dias antes de sair de casa para ir à escola (apara as unhas, raspa todos os pelos do corpo, usa presas falsas, faz o possível para disfarçar seu cheiro), pois, do contrário, será alvo de esfomeados vampiros. As coisas complicam quando seu nome é sorteado para A Caçada Eper, cujo objetivo é caçar os humanos que eram mantidos sob a proteção do governo - alimentados e treinados - especialmente para esse momento. Em um jogo cruel e sangrento, os epers são soltos na floresta, à sua própria sorte, para serem aniquilados um a um pelos vampiros selecionados. Em seu íntimo, Gene digladia consigo mesmo ante a decisão de ser a caça ou o caçador. Eu sempre aplaudo autores que, mesmo se apropriando de lendas e figuras míticas já existentes, procuram alterá-las em alguns pontos e criar suas próprias mitologias. Porém, quando isso é feito de modo criativo e inteligente. Andrew Fukuda, contudo, forçou a barra. Que história é essa de que quando os vampiros do universo ficcional de A Caçada acham graça em alguma coisa, ao invés de rirem, eles coçam os pulsos? E o ato que equivale ao beijo dos humanos nesse bizarro universo vampírico? Confesso que fiquei com vergonha alheia em vários momentos durante a leitura. Mas o pior, sem dúvida, é tentar fazer deste um Jogos Vorazes com vampiros. Nem preciso dizer que a tentativa é um fracasso, certo? Se há alguma coisa boa no livro, é a fluidez da narrativa. Mesmo sendo uma história muito ruim, Fukuda consegue prender o leitor por conta do texto leve, objetivo, sem enrolações e do ritmo agradável. Felizmente, você consegue ler em um dia e se livrar rapidinho dele. Péssimo.

Gotham Academy

Este título (escrito por Brenden Fletcher, Becky Cloonan e ilustrado por Karl Kerschl) foi criado com a finalidade de ser uma HQ feita na medida para jovens fãs e não-iniciados no universo de Batman. Uma leitura leve mais destinada ao público infanto-juvenil, com uma louvável diversidade de personagens, uma narrativa claramente anti-estereótipos. Há uma boa dose de referências às histórias e personagens clássicos de Batman, mas não é realmente necessário ser versado na mitologia do morcego para ler Gotham Academy. Aliás, não é necessário. Ponto. Os easter-eggs são um aperitivo mesmo para os aficionados se divertirem ao pescá-los. Para quem, como eu, é obcecado por Gotham, vale a pena dar uma lida. É óbvio que a influência de Harry Potter (novamente citado nesse post) e de mangás saltam à vista. Mas a equipe por trás do título sabe combinar elementos de suas principais inspirações com suas próprias ideias e confeccionar uma HQ bem divertida. Decepciona em alguns pontos, é verdade. A arte falha na tentativa de criar um clima e estilo realmente góticos - nem a arquitetura da Academia, nem os ambientes internos conseguem transmitir essa ideia. A Gotham Academy é apenas levemente sombria, um castelo que guarda certas similaridades com Hogwarts (Harry Potter again?). Alguns acontecimentos atropelados e o ritmo apressado demais é o que prejudicam um pouco. Na primeira edição não há necessariamente uma história e, sim, a apresentação de personagens e a preocupação em encontrar e estabelecer o tom correto. E até que faz isso bem. Nos demais (devidamente lidos neste começo de fevereiro), a trama começa a tomar forma timidamente e aponta para um rumo que, quem sabe, pode vir a surpreender? Não é nenhuma obra-prima e nem tem essa intenção. Em suma, é um trabalho despretensioso, mas nem por isso feito sem paixão. Pelo contrário. Nota-se o carinho de roteiristas e desenhistas por sua própria criação. Inclusive eles defendem a ideia de que a indústria de quadrinhos deveria olhar com mais atenção para o público infanto-juvenil, visto que a temática adulta de grande parte das produções do gênero tornam as HQs atuais quase que exclusivamente voltadas para um público mais maduro. Gotham Academy, em contrapartida, é uma revista que meninos e meninas podem ler com seus pais. Agora é torcer para que um título tão leve e pouco ambicioso permaneça no mercado. Pode apresentar uma boa evolução nos números seguintes. Vale a pena dar uma olhada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

[A vida, o universo e tudo mais] Novidades no Sonhos...

Olá =)

Eis um anúncio tardio: o Sonhos Empoeirados terá novidades em 2015

Eu sei que ninguém perguntou nada... Mas mesmo assim, eu quis responder.

São três novas seções: Café com Páginas, Fashionismo Nerd Nostalgia.

Eu demorei a encontrar um nome para esta primeira citada.

Basicamente, eu pretendo fazer curtas resenhas dos livros e HQs lidos ao longo do mês anterior. Como eu sou uma blogueira famosa pela falta de disciplina (since 2006), não prometo que farei isso todo mês. Mas vou tentar.

Imagem meramente ilustrativa. Para meu desespero, minha pilha é bem maior

Como eu estava dizendo no início do post, encontrar um nome para a seção foi um verdadeiro desafio. Eu pensei primeiramente em ler é coisa de quem não tem o que fazer. É um nome cômico, polêmico e criativo. A ideia surgiu ao me deparar com o perfil de um conhecido de um parente no facebook. Ele afirmava categoricamente nos comentários de uma publicação que ler era perda de tempo e coisa de quem não tinha o que fazer. Portanto, ele dispensava os livros e ia trabalhar, ver futebol, sair com os amigos, ver futebol, beber, ver futebol, viajar e ver futebol.

Absolutamente nada contra nenhuma das atividades que ele listou. Todas são opções muito saudáveis (até beber desde que se conheça limites, não é mesmo?) porém, pelas publicações do sujeito em caixa alta, comendo letras, colocando vírgulas em lugares impensáveis e contendo tantos neologismos criados involuntariamente - e cujos significados eu não consegui decifrar - o meu conselho de amiga é que ele abra o livro mais próximo e comece a ser um sujeito que não tem o que fazer, pois a leitura extensiva vai ajudá-lo futuramente. Além de evitar que seus amigos de facebook percam duas preciosas horas de seus dias tentando decifrar as coisas que ele escreve em seu mural :)

As outras sugestões de títulos partiram de um amigo. A primeira foi The book is on the blog (errr...) e a segunda, Não julgue um livro pelo livro.

Devo assumir que ele está lendo demais a página do Ajuda Luciano.

Recusei ambas, pois precisava de um nome que pudesse abranger também histórias em quadrinhos.

Eu não queria nada com estante. Acho que deve ter pela blogosfera afora uma centena de sites contendo uma seção Na minha estante. A palavra prateleira também estava fora de cogitação, pois já existe uma seção no bloggallerya cujo nome é Nas Prateleiras. Outro vocábulo que descartei foi biblioteca justamente por conta da bibliovideoteca. Pensei em Colecionando Páginas e quase aderi. Porém, ainda não era o ideal.

Então me dei conta do quanto é difícil intitular seções de blogs. Não foi tão difícil com as outras que criei.

Depois de muito pensar, me decidi por Café com Páginas. A inspiração surgiu primeiramente por causa do Café com Letras, um espaço tradicional de Belo Horizonte que é tanto um bar, quanto restaurante, cafeteria, livraria e um local para eventos. Também pensei no Sobre Café e Cigarros, uma adorável coletânea de curtas assinados por Jim Jarmusch que retratam a relação de diversas personalidades com estes hábitos (vícios), a cafeína e a nicotina. Sobre Café e Cigarros integra uma longa lista de filmes que me marcaram. Por último, mas não menos importante, está o fato de que tenho por hábito tomar café enquanto leio livros ou quadrinhos.

Pois bem, decidido!

Já sobre a fashionimo nerd...

Orgulho Nerd é uma coisa relativamente nova...

Sempre fui uma defensora ferrenha do princípio de que as pessoas só deveriam escrever e sobre aquilo que entendem. Parece óbvio falando assim, mas vejo muitas pessoas escrevendo sobre assuntos que desconhecem. Eu posso gostar mais de cinema do que realmente entendo. Mas sei que tenho conhecimento suficiente para fazer uma análise apropriada de um filme após assisti-lo. Estou sempre estudando sobre o tema, pesquiso, leio muito a respeito.

Pois é muito comum, hoje, encontrar pela internet afora pseudo-críticos de cinema que confundem a fotografia de um filme com o design de produção. Ou que acham que os efeitos especiais são competência do diretor de fotografia. Já li muitas resenhas em que o autores afirmavam "a fotografia é impecável" para alguns parágrafos depois desancarem enquadramentos, ângulos e iluminação... Provavelmente não tendo conhecimento de que todo o trabalho de câmera e iluminação diz respeito à cinematografia.

Dito isso, decidi me arriscar e autodesafiar a escrever sobre um assunto do qual me orgulho em dizer que não entendo lhufas: moda.

Vou explicar o que, particularmente, me incomoda na moda: A transitoriedade parece representar a essência do universo em questão. Mas, na maioria das vezes, a moda não parece apenas transitória e, sim, superficial.

Aquilo que é transitório, apenas passou, mas não se tornou horroroso ou ridículo. Na moda, o que passou se torna horroroso e ridículo. O que antes era bonito, se torna feio. Ora essa, se algo é bonito, será sempre bonito. Não é o fato de ter passado que o torna feio. O que é belo nunca é retrógrado.

Vejam: minha irmã sempre foi oitentista, se vestindo de acordo com o estilo consagrado naquela que é chamada de a década perdida. As pessoas a criticavam na escola por isso, sem entender que a cintura alta, pregas e a variedade de cores eram não só parte do vestuário dela desde sempre, como também de sua identidade, de sua essência. Mas os anos 80 só se tornaram moda novamente alguns anos depois de todas as críticas que ela recebeu. Logo, as mesmas que a criticavam, se renderam à cintura alta com pregas, polainas, leggings, ombreiras, etc. De repente, minha irmã deixou de ser cafona para se tornar it girl. Não é engraçado?

Longe de querer desrespeitar minhas colegas blogueiras que realmente entendem do assunto (sigo muitas que escrevem de maravilhosamente bem sobre o tema em seus respectivos blogs), o que eu não curto mesmo é o que apelidei de autoritarismo da moda. Esse rigor de ter que estar na moda a qualquer custo, mesmo que você, no fundo, não goste do que está usando. E esconda bem lá no fundo do guarda-roupas peças que gosta de usar apenas por serem demodê.

Depois de décadas sendo os sacos de pancadas dos filmes adolescentes americanos,
agora nerds & geeks estão na moda

Mas como eu descobri recentemente que há setores da moda que conseguem me despertar interesse, resolvi criar mais esta seção.

Como não entendo do assunto, decidi pesquisar antes de escrever meus posts, lógico. Conto também com a consultoria das amigas especializadas no tema. Porém, em todo caso, não vou me atrever a escrever sobre moda como tantas blogueiras com mais propriedade sobre o assunto o fazem. Farei do meu jeito, sem sair da minha área. Portanto, é com orgulho e receio que anuncio a nova seção do Sonhos: fashionismo nerd. Nela, eu vou comentar sobre alguns dos meus fashion icons (se é que eu realmente tenho algum, tenho lá minhas dúvidas). Nada de escrever sobre as mais bem vestidas dos red carpets de eventos badalados. Meu negócio é falar sobre os looks divertidos, interessantes, inspirados e até os extravagantes de séries e filmes antigos e mesmo de alguns mais recentes.

Não se assustem iPod Lovers. Isso é só um walkman. Eu tive um nos anos 90
Na seção Nostalgia, como o próprio nome sugere, pretendo resgatar coisas interessantes do meu passado telemaníaco; como ouvinte de rádio; e leitora de revistas.

Aliás, deve fazer uns milênios que não leio revistas (exceto pelas HQs, obviamente).

Como já foi uma verdadeira saga para eu encontrar um nome legal para a seção de leituras, abracei a preguiça, a falta de originalidade e a total ausência de criatividade e adotei o nome Nostalgia mesmo.

É isso. Espero que curtam as novidades e até mais!



*Salut*