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sábado, 14 de fevereiro de 2015

[Café com páginas] Orfanato, vampiros e Gotham


O Orfanato da Senhorita Peregrine Para Crianças Peculiares 


A concepção do livro já é interessante por si só. A partir de registros fotográficos valiosíssimos, colhidos diretamente com colecionadores, o autor Ranson Riggs foi convencido por seu editor a criar uma história de ficção a partir deles (ao invés de publicar um livro de fotografias antigas que era a sua intenção originalmente). Algumas das imagens são curiosas, outras bizarras e todas, sem exceção, intrigantes. Bem como a narrativa desenvolvida por Riggs. O livro acompanha Jacob em uma jornada para tentar desvendar o passado nebuloso de seu avô. Tudo que Jacob sabe a seu respeito é que ele sobreviveu aos horrores da Segunda Guerra Mundial, tendo sido separado da família ainda criança por conta de sua origem judaica. Em seguida, foi parar em um orfanato em uma ilha com crianças sobrenaturais. Ou melhor: peculiares. Anos mais tarde, vivia de relembrar e contar as histórias fantásticas de sua infância para o neto até o momento em que Jacob cresceu e passou a não acreditar mais nelas. Intrigado, porém, diante de acontecimentos misteriosos que rondam a morte de seu avô, Jacob decide ir à tal ilha pra saber o quanto de verdade existia nas histórias que ele lhe contava e nas fotos que lhe mostrava. Apesar de guardar semelhanças com outras obras já conhecidas do grande público como Harry Potter e X-Men (as similaridades com esta última são ainda mais evidentes), Riggs consegue construir uma trama inventiva e que envolve o leitor de modo a deixá-lo cada vez mais curioso para o que virá no capítulo seguinte. Um demérito é o fato de certas passagens e eventos soarem convenientes demais para fundamentar o uso de algumas das fotografias. Mas, felizmente, a maioria das imagens é utilizada de maneira inteligente. Uma excelente mescla de literatura fantástica com suspense e que ainda reserva um espaço (mesmo que eu o julgue desnecessário) para o romance. Boa leitura.

A Caçada 


Se eu reclamei de algumas conveniências narrativas em O Orfanato, este A Caçada é um prato cheio delas. Não diria nem se tratarem apenas de conveniências, mas de coincidências esdrúxulas,  além de graves incoerências e contradições que resultam em uma trama, no mínimo, grotesca e nonsense. A premissa é até interessante e o prólogo promete uma história muito boa. Mas fica só na promessa. Gene é um dos poucos humanos (no livro a designação correta é eper) que restaram em um mundo agora governado por vampiros. O desafio que ele enfrenta diariamente é passar despercebido por aquela sociedade e, quando não é possível, tentar se encaixar da melhor maneira que puder. Ele só não pode ser descoberto, por isso passa por rituais rigorosos todos os dias antes de sair de casa para ir à escola (apara as unhas, raspa todos os pelos do corpo, usa presas falsas, faz o possível para disfarçar seu cheiro), pois, do contrário, será alvo de esfomeados vampiros. As coisas complicam quando seu nome é sorteado para A Caçada Eper, cujo objetivo é caçar os humanos que eram mantidos sob a proteção do governo - alimentados e treinados - especialmente para esse momento. Em um jogo cruel e sangrento, os epers são soltos na floresta, à sua própria sorte, para serem aniquilados um a um pelos vampiros selecionados. Em seu íntimo, Gene digladia consigo mesmo ante a decisão de ser a caça ou o caçador. Eu sempre aplaudo autores que, mesmo se apropriando de lendas e figuras míticas já existentes, procuram alterá-las em alguns pontos e criar suas próprias mitologias. Porém, quando isso é feito de modo criativo e inteligente. Andrew Fukuda, contudo, forçou a barra. Que história é essa de que quando os vampiros do universo ficcional de A Caçada acham graça em alguma coisa, ao invés de rirem, eles coçam os pulsos? E o ato que equivale ao beijo dos humanos nesse bizarro universo vampírico? Confesso que fiquei com vergonha alheia em vários momentos durante a leitura. Mas o pior, sem dúvida, é tentar fazer deste um Jogos Vorazes com vampiros. Nem preciso dizer que a tentativa é um fracasso, certo? Se há alguma coisa boa no livro, é a fluidez da narrativa. Mesmo sendo uma história muito ruim, Fukuda consegue prender o leitor por conta do texto leve, objetivo, sem enrolações e do ritmo agradável. Felizmente, você consegue ler em um dia e se livrar rapidinho dele. Péssimo.

Gotham Academy

Este título (escrito por Brenden Fletcher, Becky Cloonan e ilustrado por Karl Kerschl) foi criado com a finalidade de ser uma HQ feita na medida para jovens fãs e não-iniciados no universo de Batman. Uma leitura leve mais destinada ao público infanto-juvenil, com uma louvável diversidade de personagens, uma narrativa claramente anti-estereótipos. Há uma boa dose de referências às histórias e personagens clássicos de Batman, mas não é realmente necessário ser versado na mitologia do morcego para ler Gotham Academy. Aliás, não é necessário. Ponto. Os easter-eggs são um aperitivo mesmo para os aficionados se divertirem ao pescá-los. Para quem, como eu, é obcecado por Gotham, vale a pena dar uma lida. É óbvio que a influência de Harry Potter (novamente citado nesse post) e de mangás saltam à vista. Mas a equipe por trás do título sabe combinar elementos de suas principais inspirações com suas próprias ideias e confeccionar uma HQ bem divertida. Decepciona em alguns pontos, é verdade. A arte falha na tentativa de criar um clima e estilo realmente góticos - nem a arquitetura da Academia, nem os ambientes internos conseguem transmitir essa ideia. A Gotham Academy é apenas levemente sombria, um castelo que guarda certas similaridades com Hogwarts (Harry Potter again?). Alguns acontecimentos atropelados e o ritmo apressado demais é o que prejudicam um pouco. Na primeira edição não há necessariamente uma história e, sim, a apresentação de personagens e a preocupação em encontrar e estabelecer o tom correto. E até que faz isso bem. Nos demais (devidamente lidos neste começo de fevereiro), a trama começa a tomar forma timidamente e aponta para um rumo que, quem sabe, pode vir a surpreender? Não é nenhuma obra-prima e nem tem essa intenção. Em suma, é um trabalho despretensioso, mas nem por isso feito sem paixão. Pelo contrário. Nota-se o carinho de roteiristas e desenhistas por sua própria criação. Inclusive eles defendem a ideia de que a indústria de quadrinhos deveria olhar com mais atenção para o público infanto-juvenil, visto que a temática adulta de grande parte das produções do gênero tornam as HQs atuais quase que exclusivamente voltadas para um público mais maduro. Gotham Academy, em contrapartida, é uma revista que meninos e meninas podem ler com seus pais. Agora é torcer para que um título tão leve e pouco ambicioso permaneça no mercado. Pode apresentar uma boa evolução nos números seguintes. Vale a pena dar uma olhada.

10 comentários:

  1. gostei desse gotham academy, vampiros ainda fazem sucesso? eu até curto mas li tanta história que dei um tempo e esse do orfanato parece ser triste demais para ler ainda vou ficar com gotham.

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    1. Acho que você vai gostar de Gotham Academy. Por enquanto só tem em inglês, mas isso não é problema nenhum pra você ;) esse dos vampiros é muito ruim. A ideia é boa, mas o desenvolvimento é péssimo. Do Orfanato parece triste, mas é bem legal. Tem muitas passagens bem-humoradas e tem uma vibe de X-Men e HP que vale a pena conferir. Dá uma chance quando puder =)

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  2. Não conhecia esses livros,e olha que amo vampiros(mas aqueles que sejam de terror rsrs)
    Gostei muito do primeiro livro,pela capa,os fatos e a história,em breve vou ler ele.
    Beijos

    http://nadadecontodefadas.blogspot.com.br/

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    1. Leia mesmo, Erika! A história é envolvente e os personagens, cativantes! =)

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  3. Gostei das dicas, a que eu mais gostei é da primeiro o Orfanato ^^ parece muito interessante! ^__^


    Beijos e boa semana!
    Maki & Vana
    http://cafezinhodasamigas.blogspot.com.br/

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    1. É bem interessante e criativo mesmo, Maki! Bjos ;*

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  4. Uau!!! Fiquei curiosa pelo primeiro livro. =) Belas indicações Andrizy!
    Bjos!

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    1. Obrigada, Vanessa! O Orfanato desperta mesmo curiosidade e o livro é muito envolvente.
      Muito obrigada pela visita e comentário! Bjos <3

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  5. OI Andrizy, gostei bastante de seu blog pode crê, a caçada é uma ótima história ate porque gosto muito desse tipo de livro e filme, mais por conta ta muito bom os outros...
    Abraços

    http://www.pedrosanttos.com/

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    1. Oi, Pedro! =)
      Obrigada pela visita, comentário e fico feliz que tenha gostado do blog.
      Eu esperava mais de A Caçada, mas gosto é subjetivo, não é?
      Bjs! Até mais

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