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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

E o povo elegeu o ódio para representá-lo...


Quando a Copa do Mundo acabou, muitos disseram que havia chegado ao fim a Copa das Copas. Um exagero, claro. Mas, de fato, havia chegado ao fim a Copa da diversão, dos memes, da criatividade difundida nas redes sociais. Como eu disse no texto mais lido deste pequeno blog, a Copa das zoeras, do "incomparável humor brasileiro".

A Copa passou e chegou o momento de se preocupar com quem iria governar o país.  No começo deu gosto de ver o quanto o povo estava participando, se empenhando em apresentar argumentos válidos e consistentes, defendendo seus pontos de vista - já antecipando que esta seria a eleição presidencial mais disputada da história desde 1989... Até o momento em que as pessoas se renderam ao fanatismo cego e passaram não só a defender com unhas e dentes partidos e candidatos como se eles fossem santos, como a insultar quem ousasse discordar, quem desse uma opinião contrária. 

Radicalismos, de qualquer espécie, nos tornam ignorantes. Extremismo nos torna cegos. Só aceitamos as nossas verdades; fazemos vista grossa e fechamos os olhos para qualquer aspecto negativo; passamos a acreditar naquilo que queremos acreditar, mesmo que se tratem de rumores infundados, inverdades, flagrantes mentiras.

Portanto, é com alívio que digo que chegaram ao fim as Eleições do preconceito, da arrogância, da intolerância, da misoginia, do culto ao ódio, da xenofobia, da homofobia. Acabou a Eleição da falta de respeito e de educação, dos insultos, da agressividade, das ofensas aos amigos, aos próximos, aos familiares. 

Bem, será que acabou mesmo?

Às pessoas que tanto clamaram por mudanças, digo apenas que não adianta e jamais irá adiantar mudar o presidente se o povo não muda, se permanece com a mesma mentalidade mesquinha, retrógrada e arrogante. Se as pessoas não reveem seus conceitos e não fazem um mínimo de esforço em deixar a ignorância de lado, o país não anda pra frente. Muito pelo contrário, só retrocede.

Um breve resumo das Eleições 2014
A principal mudança deve partir de nós. A mudança no país começa com a nossa mudança de atitude. Enquanto não aprendermos a respeitar e aceitar que nem todas as pessoas pensam como nós, reeleger ou eleger um novo presidente não fará grande diferença. 

Fica o desejo de que, numa próxima, tenhamos mais maturidade e respeito para lidar com as opiniões contrárias às nossas sem partir para a baixaria que dominou as redes sociais nos últimos meses, sem partir para a agressividade. Não há debate quando não há tolerância e educação. Não há discussão de ideias quando, ao invés de se recorrer a argumentos, recorremos a insultos e provocações.

Aceitemos as opiniões divergentes. Desejemos aos nossos amigos um bom voto. Que tenhamos em mente que cada um vota em quem quiser. O nosso dever é respeitar as escolhas dos outros e é nosso direito exigir respeito às nossas escolhas também.

Temos que dar e ser o exemplo. Reclamar de corrupção ao mesmo tempo em que nos mostramos xenófobos e racistas, nos torna hipócritas. Xenofobia e racismo são crimes assim como corrupção. Não adianta pedir por igualdade e um Brasil melhor quando nós mesmos não respeitamos o nosso próximo. Não adianta reclamar da educação no país se nós somos mal-educados nas redes sociais e no dia-a-dia, se não vemos problema nenhum em agir como perfeitos ignorantes. 

Liberdade de expressão é uma coisa. Intolerância é outra bem diferente. Discurso de ódio não é opinião.

Que nossa amizade e respeito estejam acima de ideologias políticas. 

Para evoluir como eleitores, precisamos primeiramente evoluir como seres humanos.

Nós somos a mudança.

*Salut*

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