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terça-feira, 26 de maio de 2015

[A vida, o universo e tudo mais] Desconstruindo Mitos

Minha intenção, originalmente, era postar um conto sobre extraterrestres no blog. Infelizmente, não consegui terminá-lo a tempo. Na verdade, falta apenas o título. Nunca pensei que fosse tão difícil encontrar um título para um conto sobre alienígenas… Enfim, a questão é que ele não foi finalizado, portanto, ao invés do conto, decidi publicar um artigo sobre o município em que moro desde que nasci: Piraquara. Este artigo foi escrito há mais ou mesmo três anos, em 2012, durante a minha pós-graduação. Tive a ideia de postá-lo no Sonhos após a palestra de boas-vindas aos novos funcionários da Prefeitura de Piraquara (incluindo esta que vos fala), na qual o prefeito destacou o fato de o município ter crescido em meio a preconceitos por conta do Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (antigo Leprosário São Roque) e o complexo penal. Pedindo licença para transcrever suas palavras: "O aeroporto de São José dos Pinhais é de Curitiba. O autódromo de Pinhais é de Curitiba. O presídio de Piraquara é de Piraquara". O fato é que isso me fez relembrar do texto que escrevi em 2012 e decidi resgatá-lo do meu HD externo. Não que alguém se importe realmente com tudo o que foi dito até agora, mas vamos ao post:


Êêê! Bem-vindo a Piraquara, um município altamente violento.
Não garanto que você sairá vivo daqui...
Cerca de quarenta e cinco minutos de viagem do Berço das águas, ou Capital das águas, até o centro da capital paranaense. Estas são expressões utilizadas para denominar Piraquara. Contudo, para os moradores, o município é mais comumente chamado de cidade-dormitório.

O fato de ser conhecida como berço das águas diz respeito a um elemento do imaginário popular. O mesmo quando nos referimos a ela como cidade-dormitório, pois é uma imagem de fácil associação quando é público e notório que uma grande fatia dos moradores trabalha no centro de Curitiba, ou em outros municípios vizinhos que compõem a Região Metropolitana. Mas isso não é o pior. Piraquara também é vista por muitos como uma cidade extremamente violenta por abrigar o famoso presídio e ser manchete de jornais apenas quando algum grave crime ocorre no município.

Getúlio Vargas: Avenida Principal
A despeito do que diz grande parte das pessoas que não mora em Piraquara, a cidade não é apenas constituída de hansenianos, gentilmente chamado de leprosos pelos forasteiros; ou de ladrões e assassinos que, volta e meia, conseguem escapar do presídio de Piraquara e assaltar ou sequestrar os pobres, porém, corajosos moradores que insistem em residir em um município tão violento.

Tudo isso é perfeitamente compreensível. É interessante, portanto, refletir acerca desses diferentes estigmas e, sob outro ponto de vista, despir Piraquara desses estereótipos. Analisá-la de um novo ângulo.


Estação Ferroviária de Piraquara
Esses mitos mencionados acima povoam o imaginário daqueles que apenas ouvem falar de Piraquara há muitos anos, mas nunca, de fato, o conheceram. Não foi uma, nem duas, nem três vezes que ouvi da boca de um cidadão que nunca visitou o município onde moro uma pergunta curiosa: “Como assim você mora no presídio?”. Apesar de altamente conhecido por sediar o famoso presídio, eu realmente nem sei qual é a sua exata localização. Nunca nem passei por perto.

O que dizem a respeito de Piraquara por aí, parou de incomodar os moradores há muito tempo. Para falar a verdade nunca foi incômodo. Os piraquarenses não são bairristas, não defendem seu município com unhas e dentes. Não há um orgulho piraquarense. Eles acham graça, se divertem, riem da fama que Piraquara leva na capital. É impossível não rir.

Restaurante Obra Prima. Bonitinho, né? Mas caríssimo... Na dúvida, comam
no Estação da Pizza mesmo ;)
Não há enormes prédios residenciais ou comerciais. Ainda se ouve o som das aves e o verde se faz presente, muito presente, mesmo quando atravessamos o centro. Quando alguém vem de fora e se depara com toda essa tranquilidade, se espanta e pergunta intimamente por onde andam os marginais e os perigosos becos que contornaram em suas imaginações.

Há pouco movimento, embora o tráfego de veículos venha aumentando consideravelmente nos últimos anos. Há pouca sinalização, embora tenha tantas lombadas que meu pai lhe apelidou de Capital das Lombadas. Não obstante todas as outras, esta poderia ser mais uma expressão para designar o município. Afinal, ela não é nem um pouco equivocada.

Barragem do Cayuguava
Há pouco emprego. Não é à toa que a cidade é chamada por tantos e tantos moradores de cidade-dormitório. O município em que as pessoas voltam apenas para dormir no aconchego de seus lares depois de longas jornadas de estudo ou trabalho na capital paranaense. E assim sobra pouco tempo para curti-la, contemplá-la, cultuá-la, cultivá-la... Aliás, o que curtir em Piraquara? Nem os piraquarenses sabem dar essa resposta, pois quando querem curtir, enfrentam uma viagem com a qual todos já estão acostumados. Uma viagem de 45 minutos até o centro de Curitiba. 

O município tem o essencial para cobrir as necessidades mais básicas da população. Dá pra se virar bem no que concerne à moradia, alimentação, saúde e educação. Mas não apresenta nem medianas opções de lazer. De modo que quem procura por isso, deve se deslocar para Curitiba, obviamente.


Avenida São Roque, onde fica localizado o Hospital de Dermatologia
Sanitária do Paraná
E apesar da imagem que os noticiários insistem em passar de Piraquara, dando destaque ao município apenas quando é pra falar de violência (ora, a violência, infelizmente, existe em todo lugar), Piraquara é até bastante segura. Há pouco barulho. Experimente dormir em Piraquara, sem o constante barulho de buzinas, de gritos no meio da noite, dos ruídos típicos de qualquer outra capital. Garanto que será um sono tranquilo, como há muito as pessoas não experimentam. É tão contrastante. Enquanto em veículos sensacionalistas vemos Piraquara ser vendida como uma região altamente violenta, quem mora aqui reclama de ser tão tranquila, pacata, calma, sem agitos, muito pouco movimentado.

Ofuscada pelo constante crescimento de Pinhais, o município vizinho, Piraquara parece uma cidade esquecida, abandonada. Um município com o qual ninguém se preocupa muito em tentar torná-lo um exemplo da Região Metropolitana de Curitiba. Obras que não saem do papel, projetos que morrem na intenção. Atrasada em comparação a tantos outros municípios. Uma cidadezinha que não vai pra frente. E os moradores até parecem preferir essa tranquilidade, ainda mais aqueles, que não são poucos, utilizam Piraquara apenas para dormir.

*Salut*

8 comentários:

  1. Adorei conhecer mais sobre essa cidade. Beijos e bom restante de semana!

    http://www.jj-jovemjornalista.com/

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    1. Ela é lindinha, né? hehe!
      Obrigada, querido! Bjos!

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  2. É uma cidade bonita, até os ônibus são bonitos, todos os lugares tem seus defeitos mas é assim msm, aqui em SP tem gente que leva duas horas para chegar ao trabalho, eu levo isso tudo para chegar ao centro ou a paulista pq é longe tem trânsito.

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    1. Os ônibus não são tão bonitos, hahaha! de qualquer modo não tem muitos ônibus em Piraquara... quase não temos opções :/ Pois é, todo lugar tem seus altos e baixos. Triste quando só dão atenção aos pontos negativos...

      Obrigada pelo comentário, amiga!

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  3. Olhando a imagem, nunca imaginaria uma cidade violenta, sério mesmo. É uma pena que não tenha investimento adequado, pois é uma cidade tão linda..
    Abraços,
    Amanda Almeida
    http://amanda-almeida.com.br

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    1. Obrigada, Amanda! Pois é, ela é bonita mesmo. Gostaria que nossos políticos dessem mais atenção a ela, mas isso é pedir demais, pelo visto...

      Bjos e obrigada pela visita e comentário <3

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  4. Que lugar lindo. Pequeno e parece acolhedor.


    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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    1. É acolhedor mesmo, Helana. Amei seu nome =)

      Bjos e obrigada por passar por aqui e comentar <3

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