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quinta-feira, 14 de julho de 2016

[Escritora de quinta] Dando um jeito na bagunça


Somos um bando de procrastinadores irremediáveis. Uma geração que não acredita em estabilidade, que pula de uma faculdade para outra, ou se forma, mas deixa o diploma de lado para se aventurar por outra área, que detesta rotina e, portanto, não aguenta permanecer muito tempo em um mesmo emprego, quer e exige novidades, anseia por novas experiências, por inovações e experimentações, nunca está satisfeita. Porém, diante da crise financeira, da deterioração do mercado de trabalho, das expectativas desanimadoras, e do fato de sermos imediatistas, constantemente nos frustramos e adiamos sonhos, deixamos para lá, procrastinamos - nem tanto pela preguiça, mas pela falta de motivação diante de um cenário desalentador. Ora, se o futuro não me parece muito promissor, por que me preocupar em tocar um projeto agora? Em fazer algo interessante neste momento? Deixa pra depois...

Dar um jeito na nossa bagunça interna é bem complicado. E foi tentando dar um jeito na bagunça do meu quarto que parei para colocar as coisas em perspectiva e analisá-las. Organização e empenho eram o que me faltava para arrumar meu quarto. E, frequentemente, é o que falta para arrumar a vida.

Essa introdução, contudo, não faz diferença. É só um capricho de autora, a mania de florear um texto, começar de um jeito e terminar de outro... Pois, na verdade, esse post tem a intenção de oferecer dicas de como faxinar o quarto.

Enfim, se você fracassou na vida adulta e ainda mora com sua mãe, como é o meu caso (mentcheera! A casa está no meu nome e sou eu quem paga a maior parte das contas, ou seja, é a minha mãe que mora comigo... Pelo menos é isso o que digo para não parecer uma loser total), o seu quarto ainda é maior de suas preocupações, o local da casa em que mais você perde tempo da sua vida. Aí vão algumas dicas valiosas para faxiná-lo:


De fora para dentro ou de dentro para fora

Nem sempre a melhor alternativa é tirar um dia para arrumar todo o quarto, de cima abaixo. Por que se matar quando você pode dividir o trabalho em etapas – algumas tarefas em um dia, demais tarefas em outro? Minha mãe sempre foi vorazmente contra limpar quarto ou a casa à prestação. Mas é um método que costuma funcionar para mim. E a não ser que você seja do tipo que diz: amanhã eu termino, e nunca mais volta para terminar o que começou, pode ser um método funcional para você também. Então comece de fora para dentro ou de dentro para fora. Eu costumo fazer do primeiro modo. Primeiro dou uma geral na aparência do quarto, limpando chão, paredes, tirando o pó das estantes, da mesa do computador, penteadeira e do exterior da sapateira e guarda-roupa. Noutro dia, faço uma faxina dentro dos móveis. Hora de abrir armários, dobrar e pendurar roupas no cabide, separar outras para doação, me desfazer de caixas e papelada e reencontrar itens que eu nem sabia que ainda possuía. Sou muito desapegada, ao contrário de minha irmã que é acumuladora. Portanto, volta e meia, vou me livrando das coisas. Tanto que quando precisei me mudar de casa, fui a que usou menos caixas e sacolas. Só mantenho comigo o essencial.

O maldito pó no cantinho e o emaranhado de fios

Não adianta querer dar uma de perfeccionista na hora da limpeza. Há aquele pó entre as teclas do computador que não vai sair nem mesmo com cotonetes, aquela sujeirinha incômoda entre as divisões das lajotas que irá permanecer eternamente ali, aquele emaranhado de fios de aparelhos eletrônicos que nunca vamos conseguir desfazer. Não perca muito tempo nisso. Tente deixar o máximo possível limpo, mas não se prenda às tarefas impossíveis que só vão atrasar o seu trabalho. Lembrando que não estou dizendo para fazer as coisas de qualquer jeito ou empurrar a sujeira para debaixo do tapete. É só para fazer o melhor que puder, mas não gastar tempo demais se preocupando em deixar o ambiente impecável. 

Tempo, a gente nunca tem...



Sim, é um fato. Tempo, a gente nunca tem, a gente arranja. Você pode se render ao famigerado limpar para quê, se vai sujar de novo? Bem, você tem que trabalhar todo dia pela manhã, nem por isso dorme no local de trabalho, não é? Sei que o fim de semana foi feito para descansar, se divertir e encontrar os amigos. Mas, de duas em duas semanas, não faz mal pegar um sábado ou domingo para fazer arrumação. Não sei vocês, mas não aguento viver em um ambiente bagunçado por muito tempo... Enfim. Outra coisa interessante é tentar manter e aí vale a regrinha do primeiro tópico, sobre dividir em etapas e organizar as tarefas em diferentes dias. E não é difícil manter limpo. Uns vinte minutos depois que você chega do trabalho – e não precisa ser todo dia – são o suficiente para espanar o pó de sua estante de livros, ou limpar o vidro da janela, ou organizar as gavetas da cômoda, ou rearrumar as roupas no armário. A palavra-chave aqui é o ou. Não precisa fazer tudo de uma vez, vá com calma, coloque uma música como trilha sonora para arrumação e depois tire um cochilo. É revigorante.

Como eu disse acima, é dando um jeito na bagunça, que eu coloco as coisas em perspectiva. Organizando meu quarto, acabo organizando meus pensamentos, meus planos, meus projetos... É um primeiro passo. Um ambiente limpo e organizado parece afugentar o espírito da procrastinação. Faz eu me sentir mais motivada, ainda que o futuro não me pareça alentador. Mas isso são outros quinhentos. 

*Salut*

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