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domingo, 28 de agosto de 2016

[Listas] Cinco livros que abandonei

Algumas leituras simplesmente não te conquistam. Costumo dizer que, certas vezes, não estou com espírito para determinadas narrativas. Tenho amigos leitores que jamais conseguiram deixar uma leitura inacabada. Por mais que estejam detestando o livro desde os primeiros parágrafos, vão até o fim. 

Sinceramente, não sei como conseguem insistir em leituras enfadonhas ou ruins. Não tenho nenhuma vergonha de dizer que as abandono pelo meio do caminho a fim de partir para histórias mais interessantes. O tempo é curto e precioso demais para dedicá-lo a livros ruins.

Não vou dizer que nunca finalizei a leitura de péssimos livros. Infelizmente, terminei vários. E foram poucos os que abandonei. Mas aí vai uma lista que, inclusive, não contém apenas livros ruins. Há alguns ótimos títulos que, por algum infortúnio, não conseguiram me fisgar:


O Amor Nos Tempos do CóleraGabriel García Márquez



Talvez o mais emblemático dos livros que abandonei. Eu estava em uma fase García Márquez, lendo desesperadamente um livro atrás do outro do autor. Mas a história de amor de Florentino e Fermina que sobreviveu cinco décadas apenas por intermédio de cartas trocadas, simplesmente não conseguiu me envolver. E bem que eu tentei. Insisti no livro; abandonava e retornava. Comecei e recomecei a leitura e sempre parei antes da metade... Qualquer dia desses - quem sabe? - eu faço uma nova tentativa.

Laranja Mecânica, Anthony Burgess


Explico melhor o que aconteceu no caso deste: eu já tinha visto o filme de Stanley Kubrick baseado no livro e gostei tanto da visão e do tom do cineasta para a história e os personagens, que o livo não conseguiu me cativar. A minha paixão pelo filme acabou prejudicando a obra original para mim. Não contribui o fato de o livro ser todo escrito em uma linguagem em gírias que mistura russo, eslavo e inglês. Também prefiro a forma como Kubrick finalizou a história do que o desfecho original do livro que mostra Alex (o anti-herói, líder de uma gangue de delinquentes juvenis que veem prazer na extrema violência) reabilitado e redimido. De fato, o último capítulo foi omitido das edições lançadas nos Estados Unidos antes de 1986 e Kubrick não o tinha lido até terminar o roteiro. Mas mesmo que o lesse, ele não consideraria incluir esta passagem no filme, uma vez que achava incoerente com relação ao restante da narrativa. Obrigada, Kubrick.

Quincas Borba, Machado de Assis


Talvez eu tenha ido com muita sede ao pote após ler Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas e a história do ingênuo Rubião, discípulo do filósofo Quincas Borba (que já havia dado as caras no romance anterior do autor, Memórias Póstumas) não exerceu o mesmo fascínio em mim que os outros dois citados. É um livro que não me entusiasmou, apenas. Pelo contrário, achei a leitura enfadonha, sem o mesmo brilhantismo dos outros livros da fase madura de Machado.

Academia de Vampiros, Richelle Mead


Se eu conseguisse me lembrar qual foi a amiga que me disse que esta série tratava-se de um Harry Potter versão vampírica, eu a esganaria. Foi por causa dessa indicação que eu comprei (em promoção, mas ainda assim...) os três primeiros livros da série. Nem consegui terminar o primeiro, mesmo com muita boa vontade, e os troquei no sebo mais próximo. Uma bobagem sem tamanho que se passa na Academia St. Vladimir para vampiros e seus guardiões. A linguagem e narrativa de Mead só podem ser comparadas a fanfictions ruins. O filme baseado no primeiro livro da série ficou bem à altura da obra original. Tão ruim quanto.

Amanhecer, Stephenie Meyer


Sempre achei que Crepúsculo nas mãos de uma escritora mais talentosa, seria uma história com um grande potencial. A premissa poderia ser mais bem trabalhada, evitando uma execução desastrosa. Nas mãos de Meyer, tornou-se uma narrativa repleta de valores envelhecidos, estruturada a partir de um moralismo religioso extremo, com conceitos nocivos e muita bizarrice que inclui zoofilia, necrofilia e até mesmo alusões à pedofilia e violência contra a mulher. A história da garota que se apaixona por um vampiro, flerta com um menino-lobo, engravida (pasmem!) do vampiro e dá à luz uma criança sobrenatural que vai crescendo rapidamente e pela qual o menino-lobo se apaixona quando ela ainda é um bebê (é sério!) é coroada com o livro Amanhecer, de longe o pior volume de toda a série. Tanto, que não consegui finalizar a leitura (e se eu terminei até mesmo o Lua Nova, segundo livro da saga, isso significa que Amanhecer é realmente bem ruim). Depois do parto macabro da filha do vampiro, eu pensei que Meyer tinha chegado ao cúmulo do absurdo e da bizarrice e abandonei para nunca mais ler novamente.

*Salut*

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