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sábado, 24 de setembro de 2016

[A vida, o universo e tudo mais] Presentes de aniversário [de grego] / O abajur


Vou começar este texto com uma declaração bastante óbvia: Todo aniversariante adora ganhar presentes. Não venha me dizer que não, todo mundo adora um mimo.

Aliás, odeio essa palavra mimo. Não a utilizem perto de mim. Tá, eu usei aqui, mas foi só porque não queria repetir a palavra presente na mesma sentença...

Enfim, o fato é que há coisas que você gosta mais de ganhar do que outras. E que você, se ainda não foi, será vítima dos famigerados presentes de grego um dia.

Eu sou a campeã em ganhar presentes de grego. E nem é porque sou muito exigente com presentes. Vejamos a minha lista de coisas com as quais eu adoro ser presenteada:


  • Livros (obviamente, é bom conhecer meu gosto literário antes de me presentear com algum), 
  • Histórias em quadrinhos, 
  • Canecas, 
  • Chaveiros (eu nem os utilizo para a finalidade principal, só coleciono, mas tudo bem), 
  • Marcadores de página (sim, é sério)
  • Brincos (de preferência grandes),
  • Chocolates, 
  • Batons, esmaltes, lápis de olho preto, 
  • Qualquer coisa relacionada a corujas (pode ser um pingente de coruja ou um estojo com estampa de coruja, um relógio de mesa de corujinha, uma coruja de plástico... Sou aficionada por elas) 
  • Qualquer coisa relacionada ao Batman também. Desde canecas a miniaturas, passando por copos térmicos :)

Viram? Nem é tão difícil me agradar. Às vezes um cartão com palavras bonitas já alegra o meu dia. Tenho muitos e os guardo com carinho.

Mas não me presenteiem com sabonetes aromáticos (eu morro de dó de usá-los), caixas de jóias (eu não as utilizo, elas ficam pelos cantos, juntando pó), relógios de pulso (não os utilizo, eles ficam pelos cantos juntando pó), anéis (vocês nunca me verão usando anéis), creme hidratante para pele extrasseca (migos, minha pela é oleosa!), óleo para pele extrasseca (já falei, né? ¬¬), tiaras (sério mesmo que ainda tem gente que usa tiaras? coisa mais ridícula!), confetes (as pastilhas de chocolate coloridas. Detesto!)

Sim, eu já ganhei todos os citados acima. Algumas vezes pela falta de conhecimento dos que me presentearam. Eles não sabiam muito a respeito dos meus gostos e preferências e, desafortunadamente, erraram na escolha dos presentes. Mas fizeram com a melhor das intenções e, na ingenuidade, acreditaram que eu fosse gostar. É claro que não lhes revelei que nunca usei os presentes, afinal seria grosseria. 

Mas, sinto informar, a maior parte eu ganhei de pessoas que sabiam que eu não gostava de nenhum desses itens.

Até mesmo quando se trata de presentes e aniversários, estou rodeada de passivo-agressivos :(

É o típico "Eu vou te dar e você tem que gostar. Não gosta? Vai aprender a gostar, pois eu vou te dar!"

Provocação pouca é bobagem.


Deixem-me contar uma história para finalizar:

Eu tinha uns nove anos e uma pessoa de minha família (vou preservar a identidade e o grau de parentesco, pois periga ela estar lendo este texto...), me perguntou o que eu queria ganhar de presente de aniversário. Eu não soube o que responder. Não fazia a menor ideia. O que eu queria de verdade, estava além do orçamento. Eu tinha todos os CDs que queria e, os que eu não tinha, sem problemas; afinal sempre havia uma fita K7 virgem e uma rádio FM à minha disposição para gravar uma música. Claro que eu tinha que tomar cuidado para não cortar o início e havia de me conformar com os famigerados: "A MELHOR RÁDIO DE CURITIBA! A NÚMERO UM!" bem no meio da música, mas okay!

A pessoa, já irritada por eu não fazer ideia do que queria de presente, começou a sugerir alguns itens como um anel, uma correntinha, um anjinho, um porta-jóias... 

Como eu também já estava cansada do blahblahblah incessante, falei: "pode ser qualquer coisa. Pode ser um porta-jóias".

Não sei aonde eu estava com a cabeça...

A pessoa, em um de seus raríssimos momentos de lucidez, me disse: "não, não pode ser qualquer coisa, tem que ser algo que você realmente queira ganhar!"

Oh, wow! Ok, pensarei em algo bem legal - eu disse a mim mesma. 

Saí, dei uma volta pela casa e, quando retornei para dentro, já tinha a resposta. Eu queria um abajur! 

...

Sim. Bem simples! 

"Abajur? Sério? Pra quê?"

Hmmm... eu tinha mesmo que enumerar as finalidades de um abajur?

Enfim, ela colocou mil e um defeitos, como era de se imaginar. Todo aquele papo de tem que ser algo que você realmente queira estava bom demais para ser verdade. Pura balela. 

Passou-se o tempo e, finalmente, e contra todas as expectativas, fui presenteada com o abajur.

Agora, você, caro leitor, dessa geração que com 11 anos já tem um iPhone 6 plus, Smart TV de plasma 3D de 64 polegadas no quarto, dois MacBooks, um iPad Air e lâmpadas de LED em toda a casa que acendem e apagam com um clique em seu controle remoto ou com um bater de palmas, e ainda assim reclama da crise financeira e que a classe média está sofrendo muito para pagar os impostos (twittando diretamente de seu iPone), não sabe o quanto as coisas eram difíceis na minha infância.

O máximo da ostentação que nos era permitido naquela época, era um Tamagotchi, que muitos conheceram pela alcunha de bichinho virtual. Se hoje, você tem o Pou no seu smartphone, sabe mais ou menos o que é um bichinho virtual. Outro sonho de consumo eram os famigerados Walkman, um radinho do tamanho de um tijolo que você usava para ouvir música no ônibus. Tinha o mesmo objetivo do seu iPod, mas centenas de vezes maior e mais pesado. Você podia tocar as fitas K7 com as músicas que gravava das estações de rádio FM nele (com o A RÁDIO DO ANO no meio da música e tudo). E um último item que você usava para fazer inveja nos seus colegas de escola eram os velhos brick games

Não vou falar das coleções de tazos aqui.

Mas o fato é que a infância era mais barata naquela época. Um bichinho virtual custava uns dois reais, um brick game, uns cinco. O walkman era um pouquinho mais caro, cerca de uns 15 reais. Mas se encontrava tudo na banquinha de camelô mais próxima.

As coleções de tazos você podia adquirir facilmente, comprando um salgadinho elma chips por 50 centavos ou jogando para valer com os colegas durante os recreios. 

Enfim, só expliquei tudo isso para contextualizar mesmo.

A infância era barata, mas também mais difícil. De modo que eu não tinha nem uma maldita tomada no meu quarto. E demorei a ter uma. Portanto, nunca usei o abajur que pedi de presente de aniversário. Aliás, só fui usar depois de mudar de quarto. E já era outro abajur, pois o que ganhei de aniversário foi parar no quarto da minha mãe que já tinha tomadas há eras. E foi destruído doze anos depois pelo meu sobrinho que estava brincando de se contorcer na cama de minha mãe e, acidentalmente, chutou o abajur para o chão.

E essa é a triste história do abajur que eu ganhei de presente aos nove anos de idade, custei a ganhar e nunca usei.

Enfim... Hoje, 24 de setembro, completo 28 anos de idade. Já estou perto dos 30 e começando a entrar em desespero.  Feliz aniversário para mim *\o/*

*Salut*

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