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segunda-feira, 16 de março de 2015

[Café com páginas] Procurando Amy e mochilando pelas galáxias



Garota Exemplar

Sou da opinião que não é estritamente necessário ler o livro antes de conferir a adaptação cinematográfica. O filme deve funcionar como obra isolada e independente do material de origem, afinal são duas mídias diferentes. Contudo, eu gostaria de ter lido Garota Exemplar antes de conferir a transposição para as telas assinada por David Fincher. O ponto positivo, porém, é que pude analisá-la como cinema, sem me preocupar com o que foi ou não bem adaptado. Agora será interessante rever o filme e analisá-lo como adaptação. Mas esta resenha trata-se exclusivamente da obra literária. Garota Exemplar é um suspense envolvente e bem elaborado, uma trama extremamente bem arquitetada, repleta de quotes marcantes e que cativa o leitor instantaneamente. É aquele tipo de livro que você não consegue largar enquanto não chega à última página. Você não lê e, sim, devora a história. Na manhã do quinto aniversário de casamento do aparentemente perfeito casal Dunne, Amy, a esposa ideal, simplesmente desaparece. Na residência do casal há indícios de violência e todas as pistas levam a concluir que ela não apenas sumiu, como foi assassinada. As suspeitas do crime recaem sobre Nick que, desorientado, acaba dando cada vez mais motivos para que a polícia duvide de sua inocência.  Aos poucos, a história do casal vai sendo contada. A princípio, Amy é a esposa perfeita e Nick é o homem de seus sonhos. Ao longo da trama vamos desvendando os mistérios que cercam o casal. A história dos Dunne vai sendo desconstruída, evidenciando aquilo que está além da superfície e das aparências. Nick é um homem pedante, vaidoso e ostenta orgulhosamente seu complexo de superioridade. Amy é manipuladora, calculista e que evita demonstrar o que realmente sente e pensa ao marido. O livro traz críticas sociais afiadas e divagações acerca do poder que a mídia exerce sobre a opinião pública. Gillian Flynn brinca com os arquétipos determinados pela sociedade patriarcal, apontando para a hipocrisia da sociedade e colocando o dedo na ferida do conservadorismo americano. Dessa forma, constrói uma narrativa inteligente e fascinante que te deixa preso àquele universo mesmo depois que você fecha o livro. Leitura eletrizante.

O Guia do Mochileiro das Galáxias

Sempre acreditei e defendi o pensamento de que o bom humor é uma das características mais proeminentes das pessoas verdadeiramente brilhantes. E O Guia do Mochileiro das Galáxias só serviu para reafirmar essa ideia. Eu comprei a coleção inteira (a trilogia de cinco livros, como diz na capa) há uns cinco anos. Sempre que dava início à leitura do primeiro volume, era obrigada a interrompê-la ainda nas primeiras páginas por motivos de força maior (entenda por isso: leituras obrigatórias da faculdade ou da pós). Enquanto isso, a série ficava ali, me encarando da estante, aguardando o momento em que finalmente seria lida. E, ah, se arrependimento matasse! Ah, se eu não tivesse passado outros títulos na frente deste na minha eterna e enorme fila de livros. Teria conferido a genialidade de Adams muito antes e descoberto que O Guia do Mochileiro das Galáxias não só é um fascinante sci-fi com um texto afiado, cuja ironia dá o tom à narrativa, como também é um ótimo antídoto para o baixo astral e a depressão. Em um dia como outro qualquer, Arthur Dent acorda e recebe a notícia de que sua casa está prestes a ser demolida. Mas seu amigo, Ford Prefect (um ser de outro planeta que viveu durante anos disfarçado de um ator desempregado na Terra, a fim de colher informações para a nova edição do Guia do Mochileiro das Galáxias), não poderia estar menos preocupado, afinal a Terra será demolida. Contudo, antes da destruição, ambos conseguem escapar pegando carona em uma nave alienígena. Ford leva Arthur consigo para uma aventura surreal pelo espaço exterior, na qual se deparam com figuras bizarras e se metem em situações perigosas, absurdas e hilariantes. Viajando pelos lugares mais remotos do espaço ao lado de Ford, Arthur vai parar, literalmente, nos confins do universo. Dentre toalhas, golfinhos e esferográficas (leia pra poder entender) e um bocado de personagens carismáticos, Adams satiriza, de maneira inteligente, as instituições sociais, bem como o próprio comportamento humano (e descobrimos que o sistema e a população são falhos em qualquer lugar do universo). Política, arte, burocracia, ganância, consumo, indústria, mídia, publicidade são alguns dos temas contemplados, por meio de metáforas geniais, nesta narrativa leve, bem-humorada e deliciosa. O talento de Douglas Adams para contar uma história era impressionante (o escritor faleceu em 2001). Talvez seja um dos livros mais inventivos que já tive o prazer de ter em mãos. A imaginação e criatividade do autor são, na falta de outra palavra menos hiperbólica, transcendentais. Jornada fantástica.

8 comentários:

  1. Agora fiquei com vontade de ler haha! bjss

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    1. Leia! Super recomendo ;-) bjos e obrigada pela visita <3

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  2. São pontos de vista diferentes, porém me decpionado, pq primeiro leio o livro depois vejo o filme e sempre me decepciono com o filme. Fogem muito do contexto, talvez por que amo ler, e vejo mais o real ou surreal em minha cabeça do que na tela.Amei seu post bjkas http://garotafucada.blogspot.com.br/

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    1. Eu entendo, Be. E acho que não me decepciono exatamente por isso que você falou, são pontos de vista diferentes livro e filme. Achei Garota Exemplar um ótimo filme e foi bem adaptado, mesmo que nem tudo tema sido transposto para a tela, mas nem tinha como. O livro e o filme são muito envolventes. Que bom que gostou do post. Obrigada por visitar o blog. Bjos!

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  3. Sempre temos decepções quando lemos o livro e depois vamos ao cinema, é muito estranho, mas as adaptações não nos satisfazem!
    Prefiro ler o livro!
    Bjus e ótima indicação!
    http://www.elianedelacerda.com

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    1. Nossa, eu sou o contrário, Eliane. Sou defensora do conceito de adaptação e nunca me decepciono porque quando vou ver o filme, não o encaro como extensão do livro e, sim, como cinema. Pra mim, a partir do momento que é adaptado, é outra obra e precisa ser analisada de maneira independente, o que é mais justo. A história é contada de uma maneira no livro e de outra no cinema. Cada um com seus recursos, que são bem diferentes. Por isso não me decepciono. Obrigada pela visita e comentário, Eliane! Bjos ;*

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  4. o guia dos mochileiros é um livro muito viagem, não sei se conseguiria termina de ler e garota exemplar não me dá interesse,não sei por que o único gênero literário que não consigo ler é policial.

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    1. O Guia do Mochileiro levanta meu humor hahaha!
      Sério? Policial é um dos meus gêneros literários favoritos, o que mais me envolve. Claro que depende do livro. Mas geralmente são os que leio mais rápido.
      Mas veja o filme (se ainda não viu), vale a pena.

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