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quarta-feira, 17 de junho de 2015

[Café com páginas] Uma fangirl sem criatividade



Fangirl 


Como uma entusiasta do universo das fanfics - até mesmo meu trabalho de conclusão de curso da faculdade abordou esse tema - e tudo que diz respeito ao conceito de cultura do fã, fui com altas expectativas ler Fangirl da escritora Rainbow Rowell. No entanto, não apenas me decepcionei, como esta pode ser considerada a minha segunda pior leitura de 2015, perdendo o posto de campeã somente para A Caça de Andrew Fukuda. Poucas vezes a sentença contendo o neologismo internético "queria desler" fez tanto sentido. A premissa é interessante, mas o desenvolvimento é fraquíssimo. O livro narra a história de Cath, uma garota que leva a vida de fã muito a sério. Ela é completamente aficionada por Simon Snow (uma série de livros fictícia) e seu mundo, praticamente, gira em torno disso. Ela tem pôsteres por todo o quarto, já leu e releu os livros, possui camisetas da série e também escreve fanfictions slash de Simon Snow. Cath tem uma irmã gêmea, Wren, que, assim como ela, também já foi muito fã de Snow. Mas chegou uma hora em que Wren decidiu simplesmente deixar o fandom para trás e viver mais sua própria vida. A história tem início quando as duas estão ingressando na faculdade e Cath vai escolher entre fazer amizades e viver novas experiências, ou ficar trancada no quarto do dormitório escrevendo fanfic. Fangirl é bobo, pueril, com uma narrativa tão ingênua que incomoda a cada novo parágrafo. A protagonista é irritante e desprovida de qualquer carisma. Espero que as pessoas que, por ventura, venham a ler este livro, não pensem que toda escritora de fanfics é tão antissocial e chata quanto a personagem central de Fangirl. E alguém pode me responder se Simon Snow era pra ser uma sátira de Harry Potter? Se era, ótimo. Agora, se não era... transformou-se em uma paródia involuntária. Todas as passagens que apresentam trechos de Simon Snow ou são constrangedoras, ou simplesmente massantes. Me deu vontade de pular essas páginas diversas vezes. Sem falar dos títulos dos livros fictícios de Snow. Falta imaginação, energia criativa, aquela centelha de inventividade. Rainbow Rowell não sabe dialogar com seu público; não sabe retratar a geração das redes sociais, aplicativos e hashtags sem parecer forçada e superficial. A execução da ideia carecia de uma autora que soubesse representar melhor este universo tão divertido da fanculture. Há alguns poucos quotes muito bons. Mas creio que é o único mérito que posso apontar deste desastre literário. Uma pena. Minhas sinceras desculpas a quem curtiu o livro, porém eu o achei fraco, raso, esquálido e desprovido de imaginação e criatividade. Leitura sofrível.

6 comentários:

  1. Adorei a sua crítica! Foi bem sincera!

    http://www.jj-jovemjornalista.com/

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    1. Obrigada! =)
      A maioria que leu gostou do livro... não foi o meu caso =/
      Abraço!

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  2. Eu pegaria a ideia desse livro (que é muito boa) e amadurecia ela, sabe? Faria ela ficar mais interessante e com mais emoção, não muito fútil. Gostei da resenha! Não conhecia o livro.

    Beijos!
    www.likeparadise.com.br

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    1. É bem por aí, Thami! É uma ideia ótima que poderia render algo bem mais interessante e menos fútil. Obrigada pela visita e comentário =)

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  3. todas as resenhas que li falam bem desse livro, eu ia ler mas sugiram outros e fui deixando para lá.

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    1. Pois é... não sei o que viram nesse livro, muito bobo e com um desenvolvimento parco...
      Mas gosto é subjetivo, não é?
      Bjos, amiga!

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