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domingo, 24 de abril de 2016

[Nostalgia] Canal 21



"Meu Deus, como você é viciada em séries!"

Conclusão consideravelmente tardia a que minha mãe chegou no fim de semana passado. Estava eu, mais uma vez, fazendo alusão a algum personagem, ou comentando determinada cena de uma série... sinceramente não me lembro. Mas quando ela comparou a minha obsessão por séries ao vício dela por romances de banca durante a juventude, imediatamente tentei puxar pela memória quando a minha seriemania começou. 

A verdade é que não consigo definir qual foi o ponto de partida. A única afirmação que posso fazer é que o vício começou com as séries exibidas na TV aberta - a Rede Globo com a primeira, Barrados no Baile (meu passado me condena); a Rede Record com meu primeiro grande amor, Arquivo X; A Manchete com os Tokusatsus; o SBT com as mais variadas sitcoms como The Fresh Prince of Bel Air, Um Anjo Muito Doido, Full House e, por que não, Chaves

Claro que todas essas foram fundamentais para a minha obsessão se agravar no decorrer dos anos, mas teve uma emissora, hoje extinta*, que teve um papel extremamente marcante.

Nosso repertório vai sendo formado desde a infância, mas é na adolescência que queremos nos encontrar, definir nossa identidade. As músicas, filmes, livros e seriados que consumimos nessa fase da vida terão um papel vital na nossa formação. Serão aqueles que marcarão nossas vidas para sempre. Que, futuramente, irão despertar as mais variadas lembranças. Claro que há coisas que hoje temos vergonha de dizer que gostávamos na juventude, mas sempre vai ter aquela banda que começamos a ouvir quando adolescentes e que nos acompanhará durante a idade adulta, a velhice e até o nosso último suspiro. Aquele filme que assistimos pela primeira vez aos 16 anos e, quando chegamos aos 30, já perdemos as contas de quantas vezes revimos, mas a certeza é que já ultrapassou a marca das 50 revisões. Aquela série cujos personagens tiveram tanta importância em nossa formação na adolescência que é como se fossem nossos velhos amigos, daí o motivo de nos emocionarmos tanto quando rolam as reuniões de elenco anos depois (como é o caso de Full House e Arquivo X, recentemente). 

Todo esse parágrafo foi escrito para contextualizar o motivo de o extinto* Canal 21 - uma rede de televisão pertencente ao Grupo Bandeirante de Comunicação - ter sido tão importante para mim. Eu era telespectadora assídua da emissora nos meus hoje distantes 17/18 anos. Foi no Canal 21 que revi animes que marcaram minha infância como a série clássica de Cavaleiros do Zodíaco e Yu Yu Hakusho.




Vi clássicos de Alfred Hitchcock, um cineasta que eu estava começando a conhecer e aprendendo a amar, além de outros filmes que marcaram época como O Sol Por Testemunha de René Clément (que tornou-se um dos meus filmes prediletos) e Harold & Maude (um dos cults da minha vida); e também vi diversas séries, das mais variadas espécies.


No Canal 21, eu pude conferir seriados que, quando foram transmitidos pela primeira vez no Brasil, ou eu era muito pequena para me lembrar, ou sequer era nascida, como a série original de Star Trek, As Panteras, Ilha da Fantasia, Agente 86, Guerra, Sombra e Água Fresca...


Além de sitcoms pelas quais me apaixonei, como Will & Grace, Mad About You, Married... With Children, Seinfeld... Sabem o que era melhor? Seinfeld e Sex and the City eram exibidas em seu idioma original, inglês, com legendas em português. Para quem sempre preferiu ouvir o áudio original de filmes e séries (como eu, desde que aprendi a ler bem), era perfeito.


Mas a emissora ganhou definitivamente meu coração quando reprisou as primeiras temporadas de Arquivo X.

E assim, o Canal 21, que hoje nem mais existe*, conquistou um lugarzinho especial e insubstituível em meu coração de cinéfila e seriadora. Mas especialmente de seriadora. Televisão aberta de qualidade que deixou muita saudade.

#VoltaCanal21

Infelizmente, só encontrei a chamada do Canal 21 de São Paulo, mas mostra a faixa de sitcoms, então tá valendo ;) clique aqui para ver.

*Salut*

* Na verdade a emissora ainda existe, porém, dedica-se a retransmitir, durante 22 horas de sua grade, a programação da Igreja Universal do Reino de Deus. Triste fim.

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