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domingo, 17 de abril de 2016

[A vida, o universo e tudo mais] Dicas para produzir um bom texto



Na verdade, o título deste post já tem algo de sofista. Escrever um bom texto independe de regras. Você pode ser o mestre da gramática, dominar a língua portuguesa como ninguém, e ainda assim escrever um texto desinteressante. Por outro lado, já vi textos muito bons em blogs por aí afora que só necessitavam de revisão. Eram textos deliciosos no tom, na abordagem, no desenvolvimento, mas com alguns erros estruturais e de tipografia que incomodavam um pouco. Um texto irá depender de inúmeros fatores para ser considerado bom pelo leitor. Primeiro: ele é o público-alvo desse texto? Para quem ele é direcionado? Há uma diversidade de assuntos que podem lhe interessar, bem como uma imensa quantidade de tópicos aos quais você pode ser indiferente. Um texto ser considerado bom ou não dependerá do repertório não apenas do autor, como do leitor. É bastante subjetivo.

Dito isso, trabalhando esporadicamente como revisora freelancer – seja de apostilas de conteúdo e-learning, livros didáticos e postagens em sites – achei interessante fazer este post com o objetivo de dar algumas dicas gerais de como se escrever um texto legal, independente de para quem ele é direcionado.


1. Tenha domínio do assunto do qual está tratando: nada pior do que um redator que não tem a mínima ideia do que está falando em seu discurso, mas mesmo assim se mete a argumentar. Eu já falei outras vezes por aqui que um texto simplesmente não funciona se o autor não tem nenhuma propriedade sobre o tópico que está abordando, não tem domínio da informação que está transmitindo. E o leitor atento vai perceber essa falta de conhecimento do redator. Apure corretamente os dados e muita atenção e cuidado para não passar informações equivocadas. O ideal é fazer pesquisas e consultas antes de escrever sobre qualquer coisa.

2. Texto autoral: Este deveria até mesmo ser o primeiro item, afinal, o bom texto é aquele que tem a cara e o estilo do autor, em que podemos identificar a assinatura de quem o escreveu, que não apenas repete sentenças que se encontram em outros zilhões de blogs por aí. Obviamente, como dito no primeiro item, você pode pesquisar sobre o assunto de que irá tratar em outros blogs e sites – é até mesmo imperativo que o faça. Mas nada de plagiar, de roubar frases de outros textos. Assimile a informação e escreva com as suas palavras, do seu jeito, com seu estilo.

3. Evite o tom wikipedista: esse é o mal do século, o texto wikipédia, com excesso de informações (muitas até desnecessárias), tom didático e cujo conteúdo é disposto de maneira cronológica, sem nenhuma personalidade. Sim, é necessário conter dados e informações, mas não no estilo wikipédia. Insira somente o que é necessário no seu texto e adote um tom que fique o mais distante possível do didático. Um bom texto, gostoso de ler, é aquele que conversa com o leitor, como se fosse uma prosa com quem está lendo. Também é sempre bom evitar textos muito longos, pois o que favorece a internet em detrimento de outros meios de comunicação é sua agilidade e dinamismo. Textos muito longos não são compatíveis com o ambiente virtual que exige informações mais claras e objetivas. Opte pelo texto curto, objetivo, porém informativo. Sintetize as informações. Lembre-se sempre que menos é mais.

4. Informe com objetividade: Se, por exemplo, você vai falar de um filme, o ideal é que informe o nome do diretor, o ano em que foi lançado, elenco, etc. Se vai falar de um livro, especifique o gênero, não esqueça do nome do autor e nem de postar uma curta sinopse - dizer de que se trata o livro é sempre importante em um post de indicação. Sempre priorize as informações mais relevantes e as distribua pelo post de maneira estruturada. Alguém que quer conhecer o filme que você está indicando, precisa de mais detalhes sobre a obra; saber por quais razões ele merece ser visto. Porém, seja objetivo. Evite as famigeradas redundâncias, repetições e eloquência. Informe, mas seja claro e vá direto ao ponto.

5. De olho na concordância e no tempo verbal: Na dúvida, leia as sentenças que compõem o texto mais de uma vez na hora de revisar, para se certificar que a concordância está certa. Nada de "a maioria dos habitantes votaram a favor...". O verbo deve concordar com o vocábulo maioria, portanto, o correto é a maioria dos habitantes votou. Também é bastante comum encontrar o uso inadequado do onde em diversos textos, por exemplo: "A década de 1980 foi muito importante para o rock nacional, pois foi onde despontaram diversas bandas". Não, não foi onde, foi quando despontaram diversas bandas. Muito cuidado com a confusão espacial/temporal, pois como já mencionado, é muito comum. Onde sempre se refere ao espaço, o quando ao tempo. Falando em tempo, meu conselho é sempre utilizar o passado no que concerne ao tempo verbal. Um exemplo: "Em 1994, Quentin Tarantino lança sua obra seminal, Pulp Fiction, que se tornaria um clássico do cinema". Esta sentença não é esteticamente aprazível aos olhos. 1994 já passou há muito tempo e Pulp Fiction já se estabeleceu como um clássico. A impressão que esse trecho passa é a de que a ação está acontecendo ao mesmo tempo em que o texto é escrito, que está apontando um fato atual, portanto, a frase soaria melhor dessa maneira: "Em 1994, Quentin Tarantino lançou sua obra seminal, Pulp Fiction, que tornou-se um clássico do cinema". O tempo presente soa mais adequado para textos televisivos, pois o uso de imagens de lançamento do filme, por exemplo, favoreceriam a sentença. No impresso e em conteúdos textuais na internet, usar o tempo pretérito é o ideal.

*Salut*

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