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sábado, 7 de janeiro de 2017

[Febre das listas] Retrospectiva Literária 2016

Abaixo, elenquei as minhas leituras de 2016. Adianto que li muito mais histórias em quadrinhos e graphic novels do que livros propriamente ditos. 

Primeira leitura do ano:


Primeiro volume da consagrada série literária As Crônicas Saxônicas, escrita por Bernard Cornwell, que retrata a Grã-Bretanha durante o período que compreende os séculos IX e X e o nascimento da Inglaterra como nação. Se eu pretendo ler os outros volumes da série? Definitivamente!

Um livro/HQ do meu autor favorito:
Fumaça e Espelhos / How To Talk to Girls at Parties



Eu já li quase tudo do Fernando Sabino, faz tempo que não leio Gabriel García Márquez, não li nada do Douglas Adams em 2016, mas Neil Gaiman não poderia faltar. O primeiro é uma antologia de contos escritos entre as décadas de 1980 e 1990, nos quais o autor parece esmiuçar o lado não contado das histórias que fazem parte do imaginário popular, quase sempre com foco em criaturas míticas, fábulas e clássicos da literatura. Gaiman trafega pelo seco e pelo lírico e por uma diversidade de temas e estilos: vai da literatura fantástica ao terror, passeando pela poesia e até mesmo pelo conto erótico. Já How To Talk to Girls at Parties cujo filme baseado no mesmo está previsto para estrear este ano (e eu realmente não vejo como isso pode funcionar) é um conto de Gaiman que foi incluído no primeiro volume da antologia Coisas Frágeis e adaptado para os quadrinhos pelos gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon. A obra integra uma coleção de graphic novels lançados pela editora Dark Horse, como parte de um projeto que apresenta uma série de contos de Gaiman no formato de HQ. O roteiro é envolvente e a arte dos irmãos Bá e Moon representou muito bem o tom lúdico e enigmático da história, tornando o clima e os traços das garotas do título ainda mais intrigantes do que aqueles contornados na imaginação enquanto se lê o conto.

Um livro/HQ do meu gênero favorito:



Os meus gêneros favoritos são ficção científica e livro-reportagem, de modo que escolhi esses dois títulos para ilustrarem a categoria. Daniel F. Galouye é, sem dúvida, um autor subestimado de sci-fi que merece ter o trabalho descoberto por uma nova geração ávida por obras do gênero. Como fã de histórias que abordam o conceito de simulacro, este não podia ficar de fora da minha lista de leituras. No caso do livro sobre a minha emissora favorita da infância, a Rede Manchete, este se trata de um trabalho cuidadoso daquele que se autodesigna o último funcionário da Manchete, cujo irmão e tio trabalharam na emissora e o levaram para conhecer os bastidores algumas vezes. Elmo Francfort conta na introdução que se formou em jornalismo e nutria o sonho de trabalhar na emissora do Russel. Mas seu sonho não se concretizou, pois a TV foi extinta. Então, de certa forma, escrever o livro lhe deu a chance de conhecer melhor a história e como funcionava o canal, dando um gostinho de como era trabalhar na Manchete. O autor faz um ótimo apanhado da história da Manchete com muito acuro e bastante informação.

Um livro/HQ com meu personagem favorito
Birds of Prey: Of Like Minds


Ah, como é bom ver minha personagem favorita, Barbara Gordon, utilizando seus principais talentos nessa história, mesmo desprovida da mobilidade das pernas graças ao FDP do Coringa em A Piada Mortal. Neste título, assinado pela brilhante roteirista (e minha predileta), Gail Simone, Barbara é a Oraculo e não Batgirl. De sua cadeira de rodas, ela usa seus dotes no âmbito da psicologia forense e intensa pesquisa (ela é uma ex-bibliotecária, afinal), para analisar o perfil e descobrir todas as informações mais sigilosas e fundamentais acerca de um vilão que sequestra a Canário Negro. Para completar, ainda conta com o apoio da Huntress. Em suma, um time incrível. Gail Simone foi aclamada pelo seu trabalho nesta HQ de 2004 e, posteriormente, por revitalizar a Batgirl em uma revista igualmente incrível. O único problema desse arco - que compreende quatro edições - de Birds of Prey é a arte: o físico desproporcional tanto de personagens femininas (curvilíneas demais) quanto masculinas (musculosos demais). Ambos muito sexualizados também. Mas as heroínas acabam sendo mais prejudicadas artisticamente, com muitos closes em partes intimas, trajes sumários e colados cujo único objetivo é torná-las sexualmente atraentes. O que destoa bastante da narrativa que foca em mulheres poderosas e destemidas capazes de lutar de igual para igual com vilões babacas. O texto de Simone merecia uma arte melhor.

O livro/HQ mais decepcionante


Infelizmente, o livro de autoria da franco-irlandesa Moïra Fowley-Doyle, é daquelas obras que se enquadram na famigerada categoria de livros com premissa excelente, mas mal desenvolvida. A obra começa bem, mas degringola da metade em diante. A autora mete os pés pelas mãos e dá ao leitor a desconcertante impressão de que não tem ideia do desfecho que deve dar à sua história. Os acontecimentos começam a se atropelar na segunda metade, como se a autora estivesse cansada de escrever e apenas quisesse concluir a trama de uma vez.

O que posterguei e finalmente li
Diário de um Adolescente Hipocondríaco


Faz, pelo menos, um século que um amigo me indicou este livro de Aidan Macfarlane Ann Mcpherson. Mas só o peguei para ler nas minhas férias durante o rigoroso inverno de junho do ano passado. Divertida e formidável trama sobre a pré-adolescência ilustrada por um jovem obcecado com a própria saúde. 

A leitura mais envolvente
Cultura Pop Japonesa


Como o próprio nome diz, o livro de Alexandre Nagado, Michel Matsuda e Rodrigo de Goes com prefácio de Marcelo Cassaro, traz histórias e curiosidades interessantíssimas acerca de mangás, animes e tokusatsus. Leitura deliciosa para quem se interessa pelo tema. Daqueles livros que você lê em uma sentada.

A leitura mais tocante


Em um dos melhores quadrinhos de 2016, Fulvio Pacheco fala sobre a relação do autismo com a arte. Ao descobrir que o filho, Murilo, era autista e acompanhar seu tratamento, Pacheco também foi diagnosticado com a síndrome, o que possibilitou ao quadrinista ampliar seus horizontes e compreender melhor o autismo. Sutil, delicado e genial. 

Personagem que me conquistou 
Katchoo de Estranhos no Paraíso


Finalmente li Estranhos no Paraíso de Terry Moore e fui conquistada pela Katchoo. Outra personagem forte, determinada e que costuma fazer justiça com as próprias mãos. Katina "Katchoo" Choovanski possui um passado complicado, incluindo uma ficha no FBI. De qualquer forma, tem um bom coração, especialmente quando se trata de seus amigos. Ela nutre um grande amor e se preocupa com o bem-estar de Francine, fazendo de tudo para abrir os olhos da melhor amiga acerca do namorado babaca e passivo-agressivo. 

Série que pretendo continuar acompanhando


Brian K. Vuaghan situa sua trama na década de 1980 e acompanha quatro adolescentes, entregadoras de jornais, que tem de lidar com toda a sorte de bizarrices envolvendo viagens no tempo, produtos extremamente compactos da Apple e monstros de aparência indigesta em diferentes linhas temporais na fictícia Stony Stream. A narrativa é ágil, instigante e repleta de deliciosas referências, tanto oitentistas quanto à cultura contemporânea. Ainda narra uma história poderosa sobre amizade. Antes de Stranger Things veio Papergirls e eu, aqui, já estou ansiosa para ler mais números dessa publicação.

Leitura inesperada
Lost Girls


Sem dúvida, Alan Moore é um dos meus autores favoritos. Eu já li muita coisa dele, inclusive os clássicos O Monstro do Pântano, Batman: A Piada Mortal, Watchmen (claro!) e algumas edições de A Liga Extraordinária (a qual pretendo ler de cabo a rabo este ano). Mas só fui ouvir falar de Lost Girls por um acaso, em 2016, quando me deparei com uma lista de melhores obras de conteúdo erótico. E é disso que Lost Girls se trata. Um romance erótico gráfico que retrata a vida sexual de personagens emblemáticas da literatura como Alice de Alice no País das Maravilhas, Dorothy de O Mágico de Oz, e Wendy de Peter Pan. É uma obra de teor pornográfico explícito, mas elegante. A arte sublime e requintada de Melinda Gebbie somada à narrativa alusiva e fantástica de Moore mostram que a pornografia não deve ser tratada com desprezo e desdém como o fazem muitos ditos intelectuais por aí. 

Melhor leitura do ano


Quadrinho autobiográfico no qual Paul Dini, o roteirista das ótimas animações do Batman do começo da década de 1990, fala acerca da importância do personagem e de demais cartoons em sua vida. A história apresenta um recorte traumático da vida de Dini, no qual, após ser espancado por assaltantes, sofre um bloqueio criativo; uma vez que ele passa a não crer mais em super-heróis e no que Batman representa depois desse episódio de violência extrema e injustiça (ficaram várias sequelas físicas e não houve notícia da prisão dos responsáveis). De maneira genial, Dini retrata os vilões de Gotham como seus demônios internos enquanto o próprio Batman simboliza sua luta por superação. 

A última leitura do ano
Discworld: A Cor da Magia


Além da Katchoo, outro personagem que me cativou no ano passado e que eu adorei conhecer, foi o mago Rincewind (ou eu deveria dizer pseudo-mago?). Primeiro volume de uma série de livros e primeira de muitas obras que pretendo ler de Terry Pratchett que corre o sério risco de entrar na minha lista de autores favoritos. Um universo fantástico, inventivo e bem-humorado é o que você encontra ao avançar as páginas. O mago chinfrim que só sabe um feitiço e, mesmo assim, não ousa verbalizá-lo e o turista acidental, ingênuo e deslumbrado DuasFlor me garantiram boas horas de diversão no ano que passou.

*Salut*

2 comentários:

  1. dos que vc postou, só li cronicas saxonicas, e UAW, foi a melhor coisa que li em 2016!!!! to no quarto livro agora, e juntando moedinhas p comprar o resto.
    xero

    Desconstruindo blog

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    Respostas
    1. É maravilhoso mesmo! Aquela narrativa fantástica que te prende e você não consegue largar. Eu tenho tantos livros na fila, mas vou dar um jeito de incluir os outros volumes da série o mais rápido possível ;)

      Obrigada por comentar!! Bjos <3

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