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domingo, 4 de outubro de 2015

[78 Rotações] As brigas que ganhei, as brigas que perdi...

No Coração da Tempestade de Will Eisner (Clique na imagem)
Pouco adiantou

Acender cigarro

Falar palavrão

Perder a razão
Perder a a razão nunca adiantou nada. Nunca valeu a pena. Causava mais mal a mim do que aos outros, portanto passei a ignorar. Especialmente os passivo-agressivos que são uma das piores espécies. Aquelas pessoas que tentam, a todo custo, arrancar uma reação extrema sua recorrendo às famigeradas indiretas, partindo para a provocação, para as agressões verbais camufladas, cutucando insistentemente, atacando de maneira velada . E, quando finalmente atingem o objetivo, ou melhor, acertam no alvo, vem com a clássica:  Nossa, por que você se ofendeu? não era de você que eu estava falando... a crítica não era direcionada a ninguém especificamente.

É muito difícil não perder a paciência com os passivo-agressivos, mas recentemente aprendi (enfim!) que tudo o que eles querem é atenção. E, talvez, a psicologia explique melhor, mas creio que devem ser pessoas que sofrem de profunda carência...

Já me envolvi em algumas brigas, sim. Nunca envolvendo violência física, mas verbal. Não sei qual das duas é a pior. A primeira deixa marcas, escoriações e ferimentos graves. A segunda também deixa feridas, mágoas, também causa dor... e, às vezes, mais profunda do que um tabefe. Num instante de raiva, não adianta querer falar alguma coisa. Até porque não falamos quando estamos enfurecidos. Gritamos. Perdemos a linha e proferimos palavras das quais nos arrependemos quase que imediatamente. Dizemos o que não gostaríamos de ter dito. Não há forma de se resolver as coisas de cabeça fervendo.

Ensinamentos antigos...


Mas a verdade é que tento ser o mais pacifista possível. Não gosto de gritos. Já me disseram que sou diplomática e atribuíram esta minha característica ao meu signo zodiacal. Já me chamaram (ironicamente) de Madre Teresa de Calcutá por ser aquela que tenta apagar o fogo de discussões incandescentes com doses concentradas de água em xícaras de chá.

Essas pessoas nunca me viram com raiva. E elas não iriam gostar de me ver com raiva. A libriana ponderada e justa torna-se um Hulk. Vermelho, não verde.

No entanto, na maior parte do tempo eu tento me controlar e resolver as coisas da forma mais diplomática possível. Conversando, argumentando, sem insultos e ofensas. Afinal a ofensa invalida todo e qualquer argumento.
Acho que eu fico mesmo diferente
Quando eu falo tudo o que penso realmente
Mostro a todo mundo que eu não sei quem sou
Eu uso as palavras de um perdedor
E se você não quer usar as palavras de um perdedor, o melhor é respirar fundo, resolver com calma e cautela, procurar as palavras certas. Se você sabe que está correto e o outro está equivocado, não haverá argumento a ser refutado, não há motivos para não tentar conversar. Se o outro persistir na ignorância... Bem, você fez sua parte. Cabe ao outro fazer a dele. Mas se ele se recusa, o problema não é seu.

Wow, parabéns campeão das discussões na internet!
*boceja*
Por muito tempo, achei que a coragem era definida pelo grito mais alto: Devolver um berro com outro berro, uma ofensa com outra ofensa, um empurrão com outro empurrão. Então percebi que agressão, física ou verbal, não se trata apenas de falta de argumentação, como principalmente de pura covardia.

Às vezes, o melhor mesmo é ignorar e deixar o seu tenaz e raivoso interlocutor falando sozinho. É provável que ele vá encarar seu silêncio como uma derrota. Vá encher o peito para dizer "Calei a boca do outro", quando tudo o que o outro fez foi, sabiamente, ignorar. Pois, tem momentos em que o silêncio é a melhor resposta. Se a outra pessoa não está a fim de conversar, mas de impor sua opinião, então não adianta recorrer ao diálogo. Deixe-a falando sozinha. É isso que ela quer, afinal. Só ela fala, os outros escutam. Porém, esquece que ninguém é obrigado a escutá-la. E, na maioria das vezes, suas palavras se perdem como lágrimas na chuva (sim, roubei essa de Blade Runner).

Este vídeo ilustra e sintetiza de maneira primorosa o que estou tentando dizer: Como reagir a um ataque de raiva de um metido a machinho no trânsito.

Sim, o vídeo é um exemplo perfeito e se aplica não somente a essa situação - ataque súbito de raiva no trânsito - como também a qualquer outra de acesso de fúria em qualquer outro ambiente. 

Como é o caso das redes sociais... Afinal, tem sido cada vez mais difícil expressar uma opinião no facebook sem que os hidrófobos partam para a agressão verbal. Como é possível falar de democracia e liberdade de expressão com usuários cada vez mais tiranos, autoritários e censores, que criam sua própria ditadura na qual os outros são proibidos de discordar do que quer que eles digam? Que atacam aqueles que expressam uma opinião contrária e desrespeitam constantemente o espaço do outro? Que contestam uma simples curtida ou um post compartilhado? Que gostam de brigar nos comentários de uma publicação do facebook? É dispor de muito tempo ocioso para se alimentar de raiva, regurgitá-la e cuspi-la nos outros em uma rede social...

Sempre que alguém parte para a ignorância, me lembro da imagem que está logo acima - a sequência de No Coração da Tempestade de Will Eisner. Um sábio conselho.

E, obviamente, da música do Pato Fu, especialmente dos versos que intitulam, abrem e fecham este post. As brigas que eu ganhei foram aquelas em que mantive o controle, não alteei a voz e ignorei o ofensor. Afinal, por que dar ouvidos a pessoas que estão unicamente atrás de encrenca e que querem provar, de qualquer maneira, que estão certas mesmo quando estão erradas? Sintetizando: por que perder meu tempo com hidrófobos e ignorantes?

As que perdi foram justamente aquelas em que me descontrolei, em que tentei berrar mais alto  do que o outro (mesmo não fazendo meu estilo), em que ofendi de volta. Perdi simplesmente pelo fato de que deixei que me atingissem ao invés de ignorar. No final das contas, se eles não tinham razão, por que exatamente eu lhes concedi minutos de minha preciosa atenção? Eles mereciam o silêncio simplesmente. A resposta adequada e proporcional à sua tenacidade e ignorância.
As brigas que ganhei... nem um troféu, como lembrança, pra casa eu levei.
As brigas que perdi... estas, sim. Eu nunca esqueci.

*Salut*

Um comentário:

  1. Falta tolerância e amor na sociedade atual. Uma pena.
    Boa semana!

    http://www.jj-jovemjornalista.com/

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