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quinta-feira, 6 de abril de 2017

[Escritora de Quinta] Atualmente, a tua mente...


Nossa mente é um lugar estranho. Praticamente inabitável. Arrisco dizer que é o mais perigoso dos lugares para se viver. Uma área de extremo risco. E se ela é uma terra fértil, pior ainda. Maquinamos planos malignos que jamais ousamos colocar em prática. Idealizamos sonhos sem mover uma palha sequer para concretizá-los. Desejamos pessoas que estão diante de nós, ou geograficamente muito distantes, fantasiamos e as transformamos em objetos de nossos pensamentos pecaminosos. Planejamos discursos que não verbalizamos. Engendramos ardis, vinganças, paranoias que nos sufocam, nos constrangem, nos aprisionam, nos preocupam à toa, que tiram nosso sono, que nos fazem enfiar uma faca nos pulsos ou meter uma bala na cabeça.

Não há lugar mais tenebroso e devastador do que nossas mentes. Dentro delas, travamos batalhas. Com os outros e com nós mesmos. E, nos mais recônditos lugares dela, estão as piores armadilhas. As lembranças mais terríveis, os esquemas mais cruéis. Nos escombros de nossas mentes, se escondem o pior de nós como ser humano. O pior que pode acabar vindo à tona mais dia, menos dia. O pior que, cansado dos becos subterrâneos da mente, ousa ultrapassar os limites, penetrar a fina camada que o mantém recluso, e chegar à superfície. A mente é um antro de desejos, anseios, medos, inseguranças, crenças infames e infantis. 


A mente é a única que torna possível conquistas e a realizações. E também é ela, em um súbito ataque de bipolaridade, que nos impede de chegar aonde queremos chegar, construindo obstáculos imaginários, sempre tentando nos autossabotar. Sombria, assustadora, aterradora. É assim nossa mente. Ela é a única capaz de nos erguer e construir e a única culpada de nossa ruína e destruição.

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