Páginas

domingo, 1 de dezembro de 2013

[Filme aos domingos] A Lula e a Baleia

 
Famílias disfuncionais e desestruturadas sempre renderam boas histórias em qualquer que seja o formato adotado para retratá-las. Pode ser por meio de uma sitcom de sucesso, como é o caso de Married... with Children, ou por um longa premiado como Beleza Americana. Contudo, dificilmente alguém foi tão preciso neste retrato como o cineasta Noah Baumbach em A Lula e a Baleia.

A cena inicial do filme é sintomática e reveladora. A ruptura da família é representada através de uma partida de tênis. O filho mais velho joga ao lado do pai; o caçula, no time da mãe. E é com foco nos filhos que a história se desenrola. Os dois lidam, cada um à sua maneira, com a separação dos pais. E, obviamente, escolhem seu lado.

A Lula e a Baleia é uma experiência subjetiva para o espectador. Por mais diferentes que sejamos daqueles personagens, há pontos de identificação, e ninguém passa incólume. Pode ser uma linha de diálogo ou alguma situação vivida por essas excêntricas e tão humanas figuras.

Baumbach adotou um tom quase documental para narrar essa história baseada em sua própria infância, o que resultou em uma fotografia belíssima, que deixa a narrativa próxima do realismo e garante um certo grau de intimidade com os personagens (e, por vezes, de distanciamento, como é comum em documentários). Aliás, a beleza do pôster do filme também está nessa proximidade com o real. É quase um retrato de família, algum registro fotográfico qualquer, mas deixa bem evidente que há um conflito ali a ser resolvido. Em suma, é uma imagem que sintetiza o longa.

Sensível, mas cru, com um roteiro coeso, diálogos inteligentes, uma beleza plástica simples, mas acertada e performances inspiradas, A Lula e a Baleia mostra que Baumbach faz cinema de qualidade (e melhor do que seu cúmplice, Wes Anderson),

Se há algum demérito? Sim. Não é possível que o filho mais velho, no auge de sua falta de personalidade e busca desesperada pela aceitação do pai,  venha a plagiar justamente uma música tão famosa do Pink Floyd ("Hey You"), garantindo se tratar de uma composição sua, sem que ninguém perceba isso, a não ser o namorado de sua mãe que, no entanto, prefere não se manifestar. Há todo um significado por trás desta história, porém, o roteiro peca pelo fato de a situação parecer um tanto absurda demais. Mas dá para fazer uma ressalva e curtir esse roteiro inteligente e delicioso sem mais problemas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário