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domingo, 8 de dezembro de 2013

[Filme aos domingos] Shout - Dois Corações, Uma Só Batida


Filme adolescente do início da década de 90, cheio de clichês encantadores para nenhum romântico nostálgico de plantão botar defeito. O cenário é um reformatório para garotos localizado no oeste do Texas, cujo encarregado de discipliná-los é o pai de uma jovem e bela moça. Daí, óbvio, surge uma aposta por parte do mais rebelde (e gato, com um típico ar de James Dean) da turma de delinquentes juvenis, de que vai seduzi-la e levá-la pra cama pra dar uma lição no diretor do reformatório. Conforme o filme avança, o rebelde e a garota certinha começam a perceber que nutrem sentimentos um pelo outro que vão além da hostilidade inicial, até, enfim, se apaixonarem e começarem um romance incendiário. No meio disso, surge um professor de música transgressor interpretado por John Travolta, que possui um passado nebuloso, e chega ao reformatório com a missão de ensinar e preparar os meninos para tocar em uma banda no 4 de Julho. Mas com ele, os alunos descobrem o ritmo do momento, o rock n' roll, na época alvo de muitos preconceitos, por ser considerado um ritmo muito negro. Aliás, interessante (ainda que superficial) o foco na desigualdade racial. A trama se passa na década de 50 e a reconstituição da época é bem eficiente e um dos itens que mais atrai nesse longa junto com sua trilha sonora.

Esse filme costumava ser exibido no extinto Cinema em Casa durante a minha infância. Cinema em Casa, para quem não lembra, era uma sessão de filmes vespertina do SBT, que muitos fãs da Sessão da Tarde (em seus tempos áureos) preferem ignorar a existência - isto é, tudo para esses saudosistas passou na Sessão da Tarde, quando na verdade passava no Cinema em Casa. Talvez por isso, eu tive certo receio em rever Shout e perceber que, hoje em dia, o filme já não é tão legal quanto eu me lembrava. Bem, isso aconteceu quando decidi rever Uma Linda Mulher no ano passado e Grease há uns dois anos. Aliás, deixa eu abrir um parênteses e dizer que Grease tem um dos roteiros mais deficientes de que já tive notícia. Narrativa podríssima, mal-estruturada... Ainda vale ver pela curiosidade e nostalgia, mas só.

Bem, qual foi minha impressão de Shout nessa revisita? Qual é o veredicto? Olha, não sei se foi por conta da nostalgia, mas mesmo repleto de clichês e sem nenhum grande atrativo ou diferencial, ainda acho o filme encantador e contagiante. Fora que não se prende à passagens desnecessárias, tem um bom ritmo, tiradas cômicas e cenas românticas na medida certa, e a presença iluminada do sempre carismático John Travolta que parece estar curtindo muito o seu papel (apesar de ter sido injustamente indicado a um Framboesa de Ouro por ele, sendo que o ator tem inúmeros personagens piores em outros filmes pelos quais merecia a indicação... oh, wait!). O problema é que quando você está começando a se divertir pra valer, o filme acaba.

Uma curiosidade é que este é o primeiro filme em que Gwyneth Paltrow atuou. Ela aparece ainda bem jovem como o grande amor de um dos garotos do reformatório. O título em português é mais um atestado da criatividade imensa do pessoal encarregado em nomear os filmes aqui no Brasil. Como Shout vira Dois Corações, Uma Só Batida, eu não sei. Mas parece fazer sentido para alguém. Vale a pena ver se você está a fim de curtir boas músicas e um filme adolescente romântico, leve e divertido bem típico do início da década de 90.

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