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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

[A vida, o universo e tudo mais] Reuniões familiares? Não, obrigada!


Um brinde... ao fim das reuniões em família
Final do ano batendo à porta e chega aquele momento de reencontrar parentes e "afiliados" da família nas típicas reuniões de fim de ano. Posso dizer uma coisa para vocês sem ser julgada? Ainda bem que eu não preciso mais passar pelos constrangimentos das reuniões familiares.


Minha família é composta por minha mãe, irmãs e sobrinho. Só. Tenho pouco ou nenhum contato com tios, primos e intrusos associados. Considero meus amigos mais família do que meus parentes.

Mas por que tanto rancor nesse seu coraçãozinho, Andrizy?

Bem, porque enfrentei o constrangimento das reuniões familiares em aniversários e festas de fim de ano durante a fase mais difícil da vida: a infância.

Sim, a infância é a fase mais difícil das nossas vidas. Primeiro porque você não tem o direito de opinar sobre qual roupa você quer usar nas festas. Dessa forma, sua mãe te enche de roupas com rendas e babados. E quando você tem uma irmã dois anos mais velha, mas extremamente parecida com você, é pior ainda. Afinal, sua mãe, não disfarçando o desejo veemente de que suas filhotas fossem gêmeas, decide vesti-las IGUAIS, de forma que fiquem IDÊNTICAS. O que gera perguntinhas impertinentes dos intrusos que acabaram de se associar à sua família (portanto, não conhecem o clã em sua totalidade) - "Vocês são gêmeas? Tão parecidas" [insira aqui uma voz irritante e já levemente afetada pela ação do álcool no organismo], logo em seguida vem o comentário "são gêmeas e ainda tem o mesmo nome, que esquisito!". É até porque Adryz e Andrizy são o mesmo nome. Até a grafia é igual.

Você também possui o direito de ficar calado, sem se intrometer nas conversas dos adultos. Ah, como é bacana fazer exercício de silêncio. Também é o último a começar a comer, afinal todos os seus tios e primos folgados precisam se servir primeiro, seguindo as regras da boa educação. Aí sim seus pais fazem um prato para você, geralmente lotado de coisas desinteressantes que você não gosta, como verduras e legumes.

Além de tudo é obrigado a ouvir as piadas saturadas, manjadas, batidas e clichês dos mais velhos. Todos riem. Menos você, porque elas não tem graça. E quando são maliciosas, você simplesmente não entende, então olha para todos à mesa com a maior cara de paisagem, se perguntando por que todos estão rindo feito imbecis.

Correr e brincar não é permitido. Isso porque você pode acabar trombando com as "simpáticas visitas" e provocando acidentes que destruirão o clima festivo. A culpa será toda sua, até porque você ainda não tem idade, capacidade de argumentação e nem mesmo a malícia dos espertos adultos. As armas infalíveis que eles usam como meio de defesa. E de ataque também.

Um bom jeito de se livrar daquela tia chata
Correr e brincar com os priminhos está fora de cogitação. Priminhos são aqueles amiguinhos obrigatórios, que nos são impostos pelos pais e tios em prol das futuras gerações e de uma boa convivência em família. Eles são chatos, umas desgraças, choram muito, gritam, berram, são mimados, mal-educados e querem se apossar dos seus brinquedos. Infelizmente, eu fui uma criança educada. Digo, infelizmente porque não pude me vingar dos meus primos gritando mais alto do que eles, ou escondendo meus brinquedos para eles não pegarem (maldita lição do "compartilhar"), ou mentindo que eles é que me empurraram primeiro quando foi o contrário (como eles faziam comigo e meus pais e tios sempre acreditavam...).

Minha mãe sempre acreditou mais nos outros do que em mim. Mesmo em estranhos. Eles podiam mentir que eu joguei uma bomba no World Trade Center que ela acreditaria. E anos depois, certamente ela me culparia pelos ataques de 11 de setembro: "Viu, Andrizy? Olhe as consequências catastróficas da bomba que você jogou em 1992". "Mas mãe, aquilo era mentira do primo". "Por que raios ele iria mentir?". Nem me atrevo a dizer que foi porque eles queriam destruir os meus carrinhos e bonecas e jogar refrigerante no escorregador bem na hora em que eu ia escorregar, porque pra ela seriam argumentos inconsistentes.

Eu costumava tramar planos diabólicos para meus primos. Especialmente quando eles comiam todos os bombons da minha caixa de chocolates que eu tinha ganhado de PRESENTE DE ANIVERSÁRIO da minha madrinha linda e querida.

Infelizes.

Quando os anos foram passando, me vinguei. De um por um. Dentre as coisas maravilhosas que fiz: Bati neles com um cinto do meu pai; joguei alho cru em seus copos com refrigerante; inventei histórias tenebrosas sobre os monstros e seres sobrenaturais que habitavam o meu quintal. Sempre fui talentosa para criar histórias. Eles realmente ficavam com medo e passavam longe do quintal.

A infância é realmente cruel. Engana-se quem diz que é a fase mais fácil e alegre e linda da vida. Sua inocência e ingenuidade não lhe permite enxergar além das coisas que estão diante de seus olhos. E você não tem liberdade de escolha e nem direito a possuir uma personalidade.Você deve agir conforme mandam seus pais. Seguindo sempre as regras.

Muitos assuntos interessantes nas reuniões em família... *boceja*

Mas a adolescência é quase tão horrível quanto. Especialmente por motivos de reuniões familiares. Só não é tão horrível assim porque você já está na idade de se rebelar contra o sistema, isto é, contra as reuniões familiares. Também já pode vestir o que bem entender e ir para o seu quarto de modo a evitar situações desagradáveis. É claro que seus pais vão brigar com você depois, te chamar de caipira e rebelde sem causa, mas isso é o de menos. E, de qualquer forma, antes de ir para o seu quarto, tem de suportar as perguntinhas idiotas e indiscretas: "e os namoradinhos?"; "já é mocinha há quanto tempo?". Eu sempre quis responder com um "não é da sua conta", mas para evitar broncas de pai ou mãe, eu respondia "não falo sobre minha vida pessoal", ou lançava aquele olhar maligno com um meio sorriso repleto de sarcasmo que meus amigos tanto admiram. Melhor ainda é quando relembram situações e histórias do passado (leia-se constrangimentos do passado): "lembra que você tinha medo do tio quando era pequena e se escondia no armário?". Vontade louca de dizer: "não, mas eu lembro quando o senhor bebeu demais na festa de debutante da minha irmã e caiu no banheiro". Será que ele ia gostar?

De fato, o que leva os mais velhos a pensar que nós gostamos de lembrar das coisas vergonhosas que fizemos quando crianças? Sim, eu sei que eles sabem que não gostamos. Que eles fazem para nos provocar novos constrangimentos. Apenas isso.

E ô povo com boa memória para lembrar de eventos vergonhosos. Acho que é por isso que, depois de uma época, eu me fechava quase que totalmente para parentes e amigos de minha irmã mais velha. Sou muito autoconsciente e fico pensando se as pessoas batem o olho em mim e já lembram de alguma situação constrangedora que vivi quando criança.

E se você pensa que as coisas mudam quando já somos considerados maduros e responsáveis o suficiente, está redondamente enganado. Felizmente, você já está na idade de arrumar um pretexto qualquer, como um compromisso inadiável para escapar dessas reuniõezinhas. Mas quando é sua festa surpresa de aniversário ou as festas de fim de ano... Lá vem aquelas criaturas "simpáticas", dentre parentes e antigos amigos da família "ah, ela está fazendo faculdade? de que? medicina ou direito? ou administração?".

Diabos!

Porque esses seres horripilantes que frequentam festas e reuniões de família acreditam que existem apenas esses três cursos superiores?

"Ela está fazendo comunicação"
"Mas está fazendo o curso errado, ela não se comunica, não conversa com a gente" [insira aqui uma risada galhofeira e idiota]
"Errado está você. Eu me comunico, sim. Converso muito, mas só com gente interessante e com papo interessante".
"Andrizy!" - Minha mãe. Querida mãe...

E a pessoa chata metida à engraçadinha fica com a maior cara de quem perdeu o madrugueiro na Santos Andrade e agora não tem como voltar pra Piraquara porque o preço do táxi seria um absurdo e está pensando na terrível possibilidade de dormir em um banco da praça ou na escadaria da Federal.

Traduzindo para a linguagem internética: =/

É, amigos! Essa é a vida. E se eu pudesse lhes dar apenas um conselho...

... Não seria filtro solar.

Seria: FUJAM DAS REUNIÕES FAMILIARES!

Abraço!

2 comentários:

  1. Ri demais, já fui ignorante com alguns parentes chatos, meu pai perguntava onde estava meu respeito e eu dizia " o único que merece o meu respeito é o senhor e mais ninguém" eu sou terrível igual a música do roberto carlos, uma vez minha tia ficou insistindo para ver minha outra irmã e eu me enchi e falei se tem tanta saudade vai visitar ela.
    http://blogradioactive.blogspot.com.br/

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    1. Hahahaha, em alguns momentos é impossível se manter paciente diante de parentes chatos.

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